domingo, 21 de maio de 2017

Cardápio Moral



Logo que chegamos a um restaurante recebemos um cardápio. Nossos olhos percorrem vertical ou horizontalmente em busca ao que nos agrade, atenda aos nossos desejos, apetite e bolso. As possibilidades costumam ser variadas e os gostos também variam; agora é fazer o pedido e aguardar. Há também um “cardápio - ético e moral”; esse também nos dá escolhas, mas até que ponto?



O cardápio ético-moral nos traz muitas possibilidades, entre elas, ser honesto, trabalhador, procurar ser justo, bem educado, gentil, simpático, empático, estudioso, bom ouvinte, respeitar o próximo e muito mais.



Um cardápio vem sendo colocado nas mãos do povo; há escolhas, possibilidades de mudanças, de progresso, mas quão extenso e verdadeiro é esse cardápio?



Nas primeiras eleições diretas pós-ditadura, em 1989, mais de 70 milhões de brasileiros usando o cardápio oferecido foram às urnas e fizeram o seu “pedido”.



Nos últimos 28 anos houve 7 eleições; 4 presidentes diferentes foram eleitos e seus conhecidos nomes dispensam apresentações.



Nesses cardápios o que havia de diferente? O que havia de igual?



Na maior parte houve certa “indigestão”. Por quê?



Vivemos numa época onde algumas frases que causam “indigestão e enjoos” estão se tornando comuns. O cidadão lê ou diz: “Ele rouba, mas faz”.

Ou ainda: “Entre tantos, o fulano parece ser o menos pior”. E também: “Eu até votaria no candidato 1, mas as pesquisas apontavam para o 2, então, pra que desperdiçar meu voto no 1?”



Alguém poderia apontar a culpa para quem oferece o deficiente cardápio, outros, para quem o aceita. Quando há possibilidade de escolher um restaurante com especialidade em carnes, massas ou frutos do mar, ainda assim o cardápio costuma dar muitas boas opções; o que não ocorre com o cardápio político onde a ética e a moral deveriam ser “as especialidades da casa”.



A população passou a ter um certo apreço quando um assaltante não usa de violência; o roubo ficou em segundo plano, pelo menos o bandido não atirou e ninguém se machucou.



Até quando ocorre um bom atendimento por um funcionário público ou de alguma empresa; qualquer gesto de delicadeza, de prontidão, de boa vontade; diante gestos que deveriam ser a regra ficamos maravilhados por sua raridade.



Será que vamos criar filhos e nossos filhos seus filhos com esse cardápio? O menos pior… O que rouba menos… O que rouba, mas faz.



A imprensa pode colaborar mostrando que há opções, mas há? O jornalismo ora criticado ora elogiado tem por uma de suas finalidades - a verdade. Verdade pra quem?



Não é novidade que a imprensa não é tão livre o quanto alguns pensam. Crer que é verdade porque “deu no jornal” é muita inocência ou talvez incoerência.



Já estamos nesse imenso “restaurante” com seus “garçons” nos entregando aquele cardápio de sempre; com poucas e péssimas opções. Enquanto alguns se retiram outros creem e permanecem.



Será que há como dizer ao “garçom”, “por favor, me traga outro cardápio, já vi esse dezenas de vezes e é horrível.



Se o cardápio for sempre o mesmo logo ficaremos viciados, dependentes, ou então fecharemos o “menu” e buscaremos alimentar a mente com ética, moral e a verdade.

sábado, 6 de maio de 2017

Incrível. É verdade...

Uma descoberta para alguns; o óbvio para muitos. Parei de culpar ao tempo ou a Deus.

Como poderia alguém sobreviver com um dia de apenas, 24 horas? Um mês com 30 dias, exceto janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro, com 31? E fevereiro com 28 e lá uma vez ou outra com 29?

Uma semana com 7 dias; e o que se faz em 7 dias?

Se somar um ano não passa de 365 dias?

Não era privilégio ou castigo só meu. Nem castigo é. É para todos, e o suficiente ao que realmente importa. Viver, dormir, trabalhar, se alimentar, amar, compartilhar, produzir e sonhar; e sabe lá o que mais.

E nesse - sabe lá o que mais - é que por vezes nos perdemos no tempo, na falta dele, e não que ele seja escasso, mas nós aceitamos fazer tantas coisas de uma só vez, como se fosse a última oportunidade, ou nosso último dia.

Augusto Cury, em alguns de seus livros comenta que uma criança de 7 anos hoje tem as informações de um imperador romano no auge do seu poder.

Pais bem intencionados sobrecarregam os filhos para protege-los e prepara-los, para o que mesmo?

Então, a quem cabe a culpa? A quem construiu uma bela loja e colocou nela coisas excelentes ou quem tem os dois braços tão carregados que não consegue abrir a porta para sair e usufruir o que tomou de bom?

Tenho notado que o tempo é igual para todos. A diferença, assim como com o dinheiro é como usá-lo, como e no que investir?

Viver, dormir, trabalhar, se alimentar, amar, compartilhar, produzir, sonhar; o que vem primeiro varia de pessoa para pessoa, mas lá na frente, senão ainda hoje, notaremos o quão bom investidores somos de um bem valioso que está a disposição de todos; o tempo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Policiais por horas na delegacia...

Sugiro ao leitor conversar mais com os policiais, em especial os militares.

Há dias em que temos 4 viaturas circulando no município de São José, há dias em que há menos.

Quando policiais chegam com um bandido na delegacia não é incomum ficarem ali por 4 horas ou mais. Questões burocráticas?

São José deve ter uma população de cerca de 250 mil habitantes; logo sabemos que o número de policias está bem abaixo do que é recomendado e necessário.

Então, quando policiais ficam, 4, 5 ou 6 horas com um ladrão na delegacia ou ainda levando-o ao hospital quando preciso, temos uma ou duas viaturas a menos circulando.

A culpa é de quem? A culpa é de quem? As perguntas fazem lembrar um trecho de uma das músicas da banda Legião Urbana. Mas a pergunta é séria e merece resposta.

Mais do que saber de quem é a culpa é saber qual será a solução. Com certeza deve haver!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Nos pensamentos ou na ponta da língua?

A frase é conhecida e indiscutível: "Somos senhores do nosso silencio e escravos das nossas palavras".

Mas como saber se falamos ou guardamos?

Há coisas tais como verdades, revelações, pedidos de perdão e expressões de amor que se guardadas podem ser pronunciadas lá no funeral do interlocutor. E de que adiantará?

Existem outras coisas que se faladas trarão problemas, dores, aflições, dúvidas e até remorso.

Eis o momento em que atuamos como juízes. Bateremos "o martelo" nos declarando - senhores ou escravos. E em ambas as posições afetaremos também a outros.

Então, nós é que decidiremos se...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Quando bandido mata bandido

Muitas pessoas dizem: "Enquanto bandido mata bandido, tudo bem, é um a menos". Será?

Quando há disputas por territórios entre facções e traficantes é sinal de que existe uma perigosa luta ou guerra por essas áreas ou regiões.

Por anos ouvimos falar sobre disputas assim no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outros lugares.
Agora é por aqui?

Se falávamos que um dia a Grande Florianópolis ficaria igual aos lugares acima mencionados; chegamos a esses lamentáveis dias.

Comerciantes trabalhando com portas fechadas; e há lógica um comércio com portas trancadas em horário comercial?

Há insegurança para quem vá a um ponto de ônibus lá pelas 6h da manhã.

E quando bandidos começam a disputar territórios e matam outro bandido não há um a menos - há mais bandidos e mais perigosos.

É porque a situação da segurança vai de mal a pior!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Breves equívocos


 Por volta das 17:00h seu Valdemar está assistindo televisão quando toca o telefone:

- Alô. Boa tarde!

- Boa tarde, vô. Tudo bem?

Seu Valdemar tem 23 netos. Conseguir lembrar o nome de cada um deles é desafiador, quanto mais reconhecer pela voz, afinal de contas, o vovô tem 80 anos.

Seu Valdemar pensou em, Eduardo, Vinícius, Ricardo, Thiago, Marcos, Mateus, Natã, Victor, 

Guilherme, Lucas; quem seria? Decidiu; só pode ser o Lucas. Mas por via das dúvidas, chamaria o 
Lucas de, meu neto. Seu Valdemar, depois de alguns segundos de reflexão, segue a conversa:

- E você, meu neto, como vão as coisas?

- Estou bem, meu avô. Com saudades do senhor. Desculpe não ter passado aí nas últimas semanas, além da correria ando com muita tosse.

Seu Valdemar ficara preocupado com o neto, Lucas, porque ele falava quatro ou cinco palavras e já tossia. O pobre neto devia estar muito gripado, pensou o avô. Seu Valdemar segue o papo com o neto:

- E seus pais, estão bem?

- Ah, estão bem sim. Com saúde e trabalhando bastante. Pediram que eu mandasse um abraço ao senhor.

- Obrigado, meu neto. Mande outro a eles.

- E o vô, como está de saúde?

- Estou bem. Claro, com 80 anos não tenho do que reclamar.

- Está sozinho em casa, vô?

- Sim. Tua avó saiu faz tempo e ainda não voltou.

- Agora o rapaz do outro lado da linha sentira um calafrio. Um aperto no peito. Sua avó havia morrido há dois anos e não sabia nada sobre o avô ter se casado; ainda mais dizer: sua avó saiu. 

Imaginou que pudesse ser Alzheimer. De qualquer maneira não iria se aprofundar no assunto. Pobre do avô, aguardando o retorno da esposa que havia falecido havia dois anos.

O avô retomou a amistosa conversa:

- Meu neto, estou preocupado com essa tua tosse. Já tomou algum xarope?

- Eu até tomaria se fosse só gripe, mas essa tosse é do maldito cigarro. Está acabando comigo, são 8 anos fumando.

Dessa vez foi seu Valdemar que ficou pasmo. Ele tem 11 filhos e 23 netos, nenhum de seus filhos e netos jamais fumara. Chegou a cogitar: Será que estou tão esquecido? Meu Deus, e se for àquela doença que a pessoa esquece tudo, como é mesmo o nome? Resolveu aconselhar o neto, e dessa vez o tratando por nome para mostrar preocupação e firmeza:

- Lucas, por favor, te cuida. Pare de fumar, por mais que seja difícil!

O rapaz, perplexo, respondeu:

- Lucas? O senhor me chamou de Lucas? Meu nome é Gustavo. Sou filho do Reginaldo e da Clarice. 

-Vô Antônio, o senhor está bem?

- Antônio? Você me chamou de Antônio? Meu nome é Valdemar e não tenho filho ou filha chamado 

Reginaldo ou Clarice!

- Perdão. O senhor me desculpe. Liguei o número errado!


segunda-feira, 20 de março de 2017

Através dos seus olhos


 Jair era um jovem trabalhador e ainda assim sonhador. A necessidade do trabalho para ajudar os pais, o desejo de comprar uma casa, casar e ter filhos. E ainda tinha um sonho; conhecer o Pantanal.

Com cerca de 25 anos de idade e já namorando, Jair foi a um bar perto de casa. Entre bate papos, risadas e discussões, daquelas comuns em bares, uma chamou atenção dos clientes. Sogro e genro brigavam por assuntos comerciais. A briga se tornou mais acalorada. O sogro pegou uma espingarda com a intenção de atirar no genro. Os amigos e conhecidos tentaram apartar a briga e acalmar os ânimos. Jair mal os conhecia. Na frustrada tentativa de parar a briga o velho aponta a espingarda para o genro e novamente os homens tentam tirar a arma de suas mãos, mas ele dispara. Bêbado, não acerta em ninguém diretamente, mas resquícios do chumbo atingem os olhos de Jair.

Depois de um atendimento no hospital a família recebe a notícia; Jair ficara cego.

O jovem trabalhador, com desejo de casar, ter filhos e conhecer o Pantanal, sente-se perdido.

Sonhos e desejos podem superar grandes dificuldades.

Ele casa com Eliza e tem uma dupla surpresa ao ser pai, nascem os gêmeos que recebem os nomes de Ricardo e Rodrigo.

O tempo passa rápido diante os olhos fechados de Jair. Pai e marido presente tem o carinho da esposa, filhos e amigos. A falta de visão não trouxe uma vida inativa. O bom humor e trabalho o mantiveram vivo e “enxergando” outras possibilidades; uma das mais tocantes, conhecer o Pantanal.

Mais de 20 anos haviam se passado desde aquela tragédia. Jair com suas economias enfim poderia conhecer o Pantanal. A família e amigos respeitavam seu sonho e desejo, muito embora não o compreendesse. Os filhos agora com 20 anos de idade eram bons companheiros, mas apenas Rodrigo acompanhou o pai até o Pantanal.

Desde que chegaram à empolgação de Jair era mais do que evidente. Rodrigo sentia o fato de o pai estar com quase 50 anos de idade no lugar onde sempre sonhou conhecer e não poderia ver nada. Mas estavam ali e isso é o que importava.

Os passeios por diversos lugares, inclusive nos de barco se tornaram especiais.
Rodrigo fora surpreendido pelo pai que disse:

- Rodrigo. Quero que você descreva tudo. O que está desse e daquele lado. Como é a cor dessa água. Se as árvores são grandes. Da para ver peixes e jacarés. E os pássaros. Me conte se há muita variedade. Diga a cor deles e também como é o barco. Como está o céu. Quero que me conte tudo, filho.

Rodrigo foi tomado por um sentimento jamais imaginado. O jovem de 20 anos como que “doaria” em vida os olhos ao pai. Mais do que isso; teria que descrever o sonho de um homem que não podia ver o que estava tão perto.

Quando retornaram foram indagados pelos demais familiares e amigos que queriam saber como foi à viagem. Esperavam ver a alegria de Jair enquanto o filho faria à narrativa.

Rodrigo costumava nessas ocasiões colocar a mão no ombro do pai e dizer aos curiosos:

- Acredito que meu pai viu mais que eu.

Jair contava detalhes que somente um grande observador e apreciador do Pantanal e da natureza teria notado para narrar de maneira tão entusiástica.

Nunca ninguém pensou em perguntar como aquele homem cego havia registrado tantas maravilhas e tantos detalhes.

Quando Rodrigo perguntava ao pai se ele ainda lembrava do Pantanal, Jair dizia:

- Tudo, meu filho. Cada detalhe. Tenho em minha mente as imagens através dos seus olhos!



segunda-feira, 13 de março de 2017

Ausente ao funeral


Para quem fala do assunto com tranquilidade não sentirá receio na sequência dessa crônica.

Já os mais receosos talvez digam: “Tá é louco, que assunto hein”.

Escrevi uma crônica há mais de um ano com o tema – Deitado, nem morto; baseada num costume em certa cidade americana onde a Lei municipal permite a família, respeitando o desejo do finado de ser velado fora do caixão. Vale numa rede ou cadeira de balanço, numa moto Harley- Davidson, na cadeira a beira da mesa com uma lata de cerveja à frente, enfim, o que a pessoa mais gostava de fazer em vida. Ah, vale ressaltar que a Lei proíbe em posições imorais.

Como o assunto é morte e a necessidade de doação de órgãos é grande chegamos ao tema – Ausente ao funeral.

Particularmente nunca gostei da ideia de ser colocado num caixão, nem vivo e nem morto. Também não digo que teria o desejo de ser velado fazendo o que gosto; com tesoura e navalha nas mãos, com o computador sobre as minhas pernas como costumo escrever ou próximo a um microfone realizando uma entrevista ou apresentando um programa de rádio.

Por anos deixei minha família avisada de que sou doador de órgãos, mas tive outra ideia.

Que tal ir para a faculdade ou a universidade assim que encerrar a carreira de barbeiro e jornalista? 

Uma vaga garantida na UFSC, e saber que poderei ser útil à medicina, a ciência.

E melhor de tudo; escapar do caixão, flores e a sogra rezando ao meu lado. E tem mais, sem trabalho para a família arrumar lugar para deixar essa beleza de corpo ou mesmo os gastos com a bendita cremação.

Assim que estiver com tudo decidido vou avisar a família e aos amigos que não se assustem se chegarem ao meu funeral e não virem a tal urna, não a eletrônica ou a eleitoral, o famoso paletó de madeira, flores e toda estrutura em volta.

Estou pensando seriamente em entrar para a universidade. Por que parar de trabalhar depois de morrer? Trabalho sem esforço, sem levantar cedo em dias frios, livre da labuta nos dias quentes de verão. E continuar a fazer algo de útil, ainda que não veja e nem sinta. Cardiologistas, neurologistas, urologistas, proctologistas; nem esses dois últimos causarão calafrios.

Quando alguém lembrar e perguntar por mim, dirão: Está na universidade. Grande colaborador de professores e alunos de medicina. Quem sabe esse corpo venha a ajudar na descoberta de mais curas, melhores tratamentos.

O tema pode parecer um tanto indigesto. Pode parecer ironia com coisas sérias, mas jornalismo é assim; fazer pensar, levantar temas e assuntos.

Fui bem atendido por telefone e informado que a pessoa interessada pode ir até a universidade e preencher um documento, e claro, avisar a família, ela terá plenos poderes quando nós não mais tivermos.

Pode-se velar a pessoa e depois enviar o corpo. Ou pode-se enviar o corpo pra lá assim que se confirmar o óbito. Corpo inteiro, com todos os órgãos.

Nesse caso vejo vantagens. Sem caixão e sem despesas. Sem um velório de horas e horas. Talvez e dependendo das crenças um discurso fúnebre. Pediria a um amigo que dissesse algo sobre a minha pessoa, sobre o que creio e minhas convicções espirituais.

Pessoas rindo e falando das minhas gafes, que não são poucas. Quem sabe alguém chorando nem que seja para fazer um grau. Boas músicas. Não estarei ouvindo, mas deverá ser legal.

Aqui entre nós, se discutem tantas bobagens. A vida alheia, por exemplo. Temas exaustivos não faltam na mídia. Será que isso não é importante? Cabe a cada um responder e decidir, mas é fato que queremos e precisamos do avanço da ciência e medicina.

Então, se eu estiver ausente no dia do meu funeral (do qual não tenho pressa), não pense que estou atrasado, que estou no trânsito, ou que me esqueci; talvez tenha mudado de hábito e profissão.

Ainda não está definido, mas possivelmente partirei da barbearia e do jornalismo para a medicina, pelo menos como colaborador.

E admito, gostaria muito de escapar no meu funeral!



sexta-feira, 10 de março de 2017

Quadro - Coisas que não se diz: Nunca houve farra do boi. Haveria se o boi se divertisse. O animal sobre no mínimo estresse e geralmente violência. Quem deixaria amigos "brincarem" com seu cachorrinho em casa (como se fosse um boi na "farra"?) E depois, rejeitam um bom churrasco na sexta-feira santa como se fosse pecado. "Cale essa boca, isso são: Coisas que não se diz!

domingo, 5 de março de 2017

Encontro


Era uma bela manhã de segunda-feira, no calçadão da Felipe Schmidt em Florianópolis.

Uma coincidência incrível reuniu grandes amigos. Cada um deles com um papel especial na vida.

Caminha com serenidade, dona Educação, quando encontra um amigo:

- Bom Dia, que prazer em vê-lo! Como tem passado?

- Dona Educação. A senhora não muda mesmo. Suas expressões e atitudes são tão delicadas.

- Bondade sua, senhor Bom Dia. A simples menção do seu nome me faz feliz.

 - Dona Educação, olha só quem se aproxima. Dona Gentileza.

- Que prazer encontrá-los meus queridos amigos. Dona Educação, seu Bom Dia.

- Ah, dona Gentileza, sua presença torna mais agradáveis nossos dias.

- Gentileza, ouvi uma excelente matéria a seu respeito - Diz dona Educação:

- Sua atitude no ônibus onde ninguém deu lugar a um deficiente físico. Não é de surpreender vindo de ti, minha amiga.

Dona Gentileza, meio sem graça, responde:

- Por favor, não fiz nada além do que deveria.

- Esse não morre mais – diz seu Bom Dia – Vejam quem se aproxima, seu Por Favor.

- Que maravilha encontrar três dos meus grandes e verdadeiros amigos!

Seu Bom Dia, dona Educação e dona Gentileza sentem-se felizes com as palavras sinceras do amigo. 

Ele ainda diz:

- Por favor, deixem que eu lhes pague um café.

Dona Gentileza diz com um lindo sorriso:

- Ah, senhor Por Favor, até para uma gentileza o senhor diz, por favor:

- Dona Gentileza, assim me deixa sem graça. Ainda mais diante tão preciosos amigos.

Um clima romântico paira no ar com o cavalheirismo de seu Por Favor, diante a delicadeza de dona Gentileza.

Os quatro amigos tomam um café naquela bela manhã de inverno acompanhados de uma ótima conversa. De repente, são surpreendidos pelo senhor, Com Licença.

- Senhor Com Licença – diz dona Educação – Não me chame de senhor, apenas, licença para a honra de me sentar ao seu lado e dos demais amigos.

Dona Educação manifesta sua falta de esperança de melhores atitudes das pessoas quando ouve seu Com Licença:

- Amigos, olhem, é dona Esperança. Ela está distante, não vai nos ver.

Seu Bom Dia levanta-se e educadamente aumenta o volume da voz:

- Bom dia!

Dona Esperança, já sem esperança de ouvir um bom dia, olha para o lado e se emociona ao ver os cinco amigos.

Todos se levantam enquanto, seu Por Favor, puxa a cadeira para dona Esperança.

O tempo passa e eles não se dão conta, até que são surpreendidos mais uma vez, e agora por três amigos que caminhavam juntos. Os amigos se levantam e dizem com alegria:

- Boa Tarde, Boa Noite, Perdão. Se juntem a nós nesse belo dia!

Dona Esperança fala sobre as atitudes e comportamentos que se tornaram comuns, mas deixam as pessoas distantes e indiferentes com seu próximo. Seu, Por Favor, manifesta não crer em melhoras. 

Seu Perdão e dona Esperança se levantam. Seu Perdão toma a palavra:

- Perdão, meus amigos, mas creio que não devemos desistir – Dona Esperança completa:

- Imaginem se perdermos a esperança? Vamos continuar fazendo a nossa parte.

Nesse instante são interrompidos com muita educação por mais um amigo:

- Obrigado por existirem e não desistirem. Cada um de vocês é fundamental a toda sociedade!

- Obrigado – dizem os amigos – que alegria rever o amigo. E obrigado pelas palavras.

Nesse exato momento ouvem uma voz entusiástica:

- Parabéns, meus amigos. Fico feliz em saber que estão unidos e que continuam valorizando um ao outro.

Seu Obrigado levanta e agradece em nome de todos ao amigo, Elogio.

E já ao findar aquele dia as pessoas que passavam por ali ouviam em várias vozes:

Bom dia. Com licença. Boa tarde. Que gentileza. Boa noite. Perdão. Por favor. Muita educação. 

Obrigado. Jamais percam a esperança. Que bom ouvir um elogio.


Eles continuam por aí. Às vezes se encontram, mas mesmo que separados fazem toda a diferença no dia a dia!