quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Nossos melhores advogados



Há um dito popular pra lá de interessante: “De médico e louco todo mundo tem um pouco”.

E quem duvida é louco, mesmo que seja médico.

Uma coisa é certa; quando se trata da nossa defesa ou de quem gostamos, em assuntos do cotidiano, falhas, erros e faltas, defendemos e argumentamos como “verdadeiros advogados”.

O oposto é verdadeiro. Quando não gostamos de qualquer atitude de alguém que não seja nosso amigo somos os mais severos “promotores públicos, implacáveis advogados de acusação”.

Há uma breve história de uma mulher que agiu como “advogada e promotora”; o fato de ser uma sogra é coincidência, afinal de contas, ela entra nos dois papéis. A história:

Dona Florisbela recebeu a visita da filha, Ana, que disse de maneira animada:

- Oi mãe, eu tenho uma grande novidade. A senhora não vai acreditar, o Carlos comprou uma máquina de lavar roupas. Estou tão feliz.

A mãe de Ana, sua “advogada, e “promotora” do genro, disse:

- Estava mais do que na hora. Não és escrava para ficar lavando roupas na mão, no tanque!

No dia seguinte dona Florisbela recebeu a visita do filho, Otávio. Ele entra na casa da mãe e diz:

- Mãe, hoje vou comprar uma máquina de lavar roupas para a Julia. Ela está sofrendo para lavar roupas nas mãos e na água gelada do tanque.

Dona Florisbela, mãe e “advogada” de Ana e “promotora” da nora, Julia, diz:

- Mas é só o que me faltava. Tu vais te meter em dívidas porque a donzela não quer molhar as mãos com água fria. Lavei roupas na mão, no tanque, por anos e não morri por isso.

“Advogados e promotores” quando nos convém. Quem melhor do que eu para me defender? Agi assim por isso… Falei aquilo porque ele me disse assim… Não fiz aquele trabalho devido a… Até concordo com o que ele me disse, mas falar dessa maneira…

Desculpas e acusações desenvolvemos bem cedo. Admitir erros e aprender deles é um processo mais lento, mas traz madureza.

Um breve texto para reflexão quanto a nos ofendermos com facilidade:

“Também, não dê atenção a todas as palavras que as pessoas dizem, senão você poderá ouvir seu servo amaldiçoá-lo, pois você no íntimo bem sabe que você mesmo, muitas vezes, amaldiçoou outros”. Bíblia. Eclesiastes 7:21,22.

Isso porque nem falamos em agirmos como “juízes”. Seja nos papéis de “advogados, promotores e juízes”, quando simplesmente defendemos, acusamos ou julgamos de acordo com os nossos critérios, o que na maioria das vezes é fortemente influenciado por sentimos pessoais, parciais e até tendenciosos só facilitam “julgamentos injustos”.

Até a imprensa por vezes faz esses papéis. E por quê?

A dona Florisbela opera em nós mais do que imaginamos. Talvez se formos mais “fiscais” de nós mesmos vamos conseguir calar ou equilibrar esses “advogados” parciais e tendenciosos.

Se a nossa memória estiver boa nos lembraremos agora mesmo qual foi a nossa última defesa ou acusação. Talvez dê tempo de pensar mais e julgar menos!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Justo no mínimo?



Há uma frase elaborada e pronunciada por um homem muito sábio: “Quem é fiel no mínimo é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo é também injusto no muito”. Jesus Cristo - Lucas 16:10

Seja no famoso jeitinho brasileiro na Lei de Gérson, ou ainda na Lei de Murphy, muitos se perdem quanto aquilo que é aceitável e honesto ou incorreto e o agir de má fé.

Na Lei de Murphy, “se algo pode dar errado, algo dará errado”.

Na Lei de Gérson, “se algo pode dar errado, não tem problema, pois mesmo que der errado, a gente dá um jeitinho de fazer dar certo”. Daí o famoso “jeitinho brasileiro”.

E por falar em justiça lembrei de um ato de sabedoria do saudoso pai do jornalista e radialista, Mário Motta. O Mário contou que seu pai fazia o seguinte com ele e seu único irmão.

O pai do Mário comprava uma Maria Mole e mandava o irmão do Mário cortá-la ao meio. E aí vinha a lição: O irmão cortava, mas o Mário era o primeiro a escolher com qual parte ficaria. A lição dispensa explicações. Que sabedoria em atos de justiça!

Hoje, a inversão de valores têm levado pessoas a passarem por cima de muitos valores. Valores esses que muitas vezes elas próprias criticam: A falta de honestidade, a imprudência, o agir com má fé. Como praticamente todos nós temos “telhado de vidro”; sejamos sinceros; quem de nós nunca fez algo que se tivesse pensado melhor não teria feito?

Mas em geral as pessoas têm um bom comportamento. Ou será que só o temos quando nos convém?

Há poucos dias conversei com um funcionário de uma conhecida rede de supermercados sobre clientes que agem de maneira indevida. Confesso que prefiro usar a expressão, agem de uma maneira de dar nojo.

Existem pessoas, e não são tão poucas, que vão aos supermercados e procuram exaustivamente por produtos que estejam com a data de validade vencida. Então, com a maior “cara de pau”, ou não, vão até um funcionário e exigem levar o produto ou produtos de graça. Se sentem enganadas. Coitadinhas. Quantos desses reclamam da corrupção no Brasil?

Ouvi vários relatos sobre desvio, roubo de produtos doados a asilos e orfanatos. Roubos praticados por pessoas que trabalham nesses lugares. Mas os que contaram, que presenciaram, têm medo de denunciar, medo de retaliações.

Os famosos “gatos” na corrente elétrica e na água e tantas outras atitudes revelam o que há de pior em muitas pessoas.

As sábias palavras dão o que pensar: “Quem é infiel ou injusto em pequenas coisas é também em grandes coisas. O oposto é verdadeiro, ainda bem; quem é fiel e justo em coisas pequenas também o é em grandes coisas”.

É tempo de pensar nas famosas lições que deixamos para os nossos filhos e os filhos dos outros. Eles serão o futuro de uma geração que segue as leis que lhes convém ou daqueles que mantém a integridade?

O presente tem falado e o futuro o dirá!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ditados questionáveis



Há ditados que “caem como uma luva”; servem para alertar que “seguro morreu de velho”. Ou ainda, nos faz ver que “o chapéu serviu”.

Já outros nos deixam com “uma pulga atrás da orelha” quando ouvimos o famoso “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”.

Tem aqueles que nos abrem os olhos, “quem vê cara não vê coração”.

Mas, aqui entre nós, há ditados que não descem nem com uma Coca-Cola bem gelada.

Alguns que tenho ouvido ao longo dos anos e particularmente considero muito questionáveis:

“A ocasião faz o ladrão”. Bem, se assim fosse, isso significaria que todos somos ladrões em potencial. Seus filhos, meus filhos, minha mãe e seu pai. Caráter e integridade se têm ou não. Quem não é ladrão, quem não é desonesto jamais aproveitaria uma - suposta oportunidade para roubar. Logo, a ocasião parece não fazer o ladrão, antes, “a ocasião revela o ladrão. Revela; não faz. Quem é desonesto é revelado na primeira oportunidade, a procura, a cria.

“Em time que está ganhando não se mexe”. Grandes empreendedores discordam desse ditado. Ele dá entender que se parece que as coisas vão bem, pra que mexer? Acontece no concorrido mercado de trabalho ou quaisquer outras situações. Parece cômodo deixar como está. Pensar ou dizer: “Ah, tá bom assim, pra que mexer, pra que ter trabalho se está dando certo?” Com certeza sempre há o que aprimorar, mesmo que o “time” esteja ou pareça estar ganhando.

“Política, futebol e religião não se discutem”. O que se discute então, novelas, programas de TV de baixa qualidade, a cor da casa do vizinho? Parece que muitos entendem que - discutir - seja sinônimo de brigar, de falar mais alto, de ser o dono da razão, sem contar o medo de ouvir uma opinião ou ideia diferente da nossa ou das que nos empurraram “guela abaixo” ao longo da vida, sem nos dar o direito que perguntar o por quê?

E pensando bem, a quem interessa que tais temas não sejam discutidos de forma inteligente, respeitosa e adequada senão aos que dominam e lucram sobre a ignorância?

“Deus é pai não é padrasto”. Os bons padrastos e madrastas que o digam; como é cruel esse ditado. Há padrastos e madrastas que são mais que verdadeiros pais e mães. E nem é só porque também sou padrasto. Sou pai assim como outros que não são pai ou mãe de sangue; qual a diferença?

“Era para ser assim. Tinha que acontecer”. Se ouve muito isso após tragédias, até no trânsito. Se fosse verdade não haveria culpados ou responsáveis e irresponsáveis; afinal de contas, se era para ser...tinha que acontecer.

Questionar de forma respeitosa e com interesse em aumentar a compreensão é algo necessário.

Algumas frases que são mais do que ditados: “O homem nasce livre e por toda parte é acorrentado”. Jean-Jacques Rousseau. O que leitor tem em mente quando lê isso?

“A pessoa ingênua acredita em qualquer palavra, mas quem é prudente pensa bem antes de cada passo”. Provérbios 14:15. Qual o significado dessas palavras?

Ditados interessantes e questionáveis estão por aí. Chegamos numa época em que se diz:
“Ele rouba, mas faz”.

“A voz do povo é a voz de Deus”. Esse me faz escorregar na cadeira ao escrevê-lo; quando o escuto sinto o estômago embrulhado. Quem disse esse absurdo? Uma coisa é respeitar o povo, a população, seus direitos e deveres, ouvir sua voz, mas o ditado em si é horrível.

Quando as opções são poucas e ruins qualquer ditado pode ser aceito. Eles acabam caindo como uma luva nas mãos de quem prefere que nada se discuta, que nada mude; afinal de contas, se em time que está ganhando não se mexe...

Mas qual o time que está ganhando? E quem vai questionar?




terça-feira, 25 de julho de 2017

O amor e seus idiomas



Quando namoramos passamos horas conversando, ouvindo ele ou ela; seus planos e objetivos. Costumamos o incentivar com palavras animadoras: “Faça isso mesmo, vá em frente, tu tens potencial, não desista, estou do seu lado”.

Sem contar que beijos e abraços ocorrem em abundância; também as danças de rostos colados; não há dia cansativo capaz de nos impedir de namorar. Mas com o tempo para muitos casais as coisas mudam, ocorre um afastamento. Por quê?

Um marido disse: “Minha esposa chegava em casa do trabalho e me contava dos problemas do seu serviço. Eu a escutava e depois lhe dizia o que, em minha opinião, ela deveria fazer. Sempre dei conselhos”. Esse marido prosseguiu dizendo que mesmo com todos os seus conselhos sua esposa continuava chegando em casa a cada dia relatando os mesmos problemas.
Ele dava mais e mais conselhos. Depois de alguns dias ouvindo as reclamações da esposa e percebendo que ela não colocava em prática suas sugestões, ele disse:“Já falei várias vezes o que você deve fazer, mas como você não me ouve, não quero mais saber.
Poucos dias depois sua esposa foi embora.

Por quê? Ela não queria e nem precisava de conselhos; apenas ser ouvida e talvez abraçada. Queria saber que era compreendida e amada. Possivelmente uma frase do tipo: “Poxa, isso deve estar sendo muito desgastante para você, quero que saiba que estou do seu lado em tudo o que precisar”. O próprio marido chegou a essa conclusão depois de perder a esposa.

Essa é uma das muitas histórias do livro: As 5 Linguagens do Amor, de Gary Chapman.

O autor crê que há 5 linguagens do amor, ou seja, cada um de nós manifesta uma em especial, talvez duas.

São elas: Palavras de afirmação - Tempo de qualidade - Presentes - Atos de serviço - Toque físico.

Então, não é minha ou a sua língua, mas sim a do nosso cônjuge.

Qual língua fala a sua esposa ou seu marido? Somente aprendendo o seu idioma, a sua língua, é que iremos nos comunicar com sucesso, teremos um namoro por anos e décadas após estarmos casados, enfrentaremos juntos dificuldades e vamos colaborar com o que faz nossa esposa ou marido feliz.

Há de fato um certo egoísmo em cada um de nós. Note essa frase: “Buscando não somente os os seus próprios interesses, mas também os interesses dos outros”. Filipenses 2:4. Bíblia.

O que nos leva por vezes a sermos mais pacientes com estranhos do que com a esposa ou com o marido? Por que as qualidades do anterior namorado ou namorada, agora esposa ou marido parecem ter desaparecido ou diminuído? E se elas estiverem bem ali, onde sempre estiveram?

Por que ofensas em vez de palavras doces como nos tempos de namorados?

“Uma resposta quando branda faz recuar o furor, mas uma palavra dura atiça a ira”. Provérbios 15:1

Paixão é um sentimento forte onde idealizamos alguém como - perfeito. Ele ou ela parece ser a pessoa certa para mim. Mas se ela não souber e não falar a nossa língua/idioma; palavras de afirmação (elogiar, reconhecer e valorizar o que fazemos); tempo de qualidade (passar tempo juntos, não apenas assistindo televisão, mas conversando, passeando, namorando); presentes (receber presentes enche o tanque emocional de quem tem essa linguagem, o que não quer dizer presentes caros, ou que a pessoa só se interessa por coisas materiais); atos de serviço (ajudar o cônjuge em tarefas em que ele ou ela considere importante receber essa ajuda de maneira regular e com boa vontade); toque físico (pessoas que têm a necessidade primária do toque, carinho, beijos, abraços e sexo).

Na paixão, no namoro, é comum que nem nós mesmos saibamos qual é a nossa linguagem primária; quanto mais a do outro. Depois de casados, com os problemas e dificuldades e o “tanque emocional” não abastecido porque nem nós nem nosso cônjuge sabe como se comunicar conosco, a situação acaba por piorar.

Então, qual é a sua linguagem? Mais importante - qual é a língua ou o idioma principal do seu cônjuge? Eu descobri o meu e o da minha esposa. Note que pode ser mais de um, no entanto há o principal.

Aprenda um novo idioma, descubra a língua de quem tu amas. A comunicação será bem mais fácil e a compreensão levará a um namoro que durará anos.

Se eu soubesse cozinhar e fizesse uma lasanha deliciosa para quem eu amo, mas se essa pessoa tem como seu prato preferido o churrasco, qual ele ou ela preferiria?

Entre tantos idiomas vale a pena aprender o idioma do seu amor.

Quando entendemos o idioma de quem amamos e o usamos o “tanque emocional de cada um fica abastecido. O resultado é uma feliz união!

terça-feira, 18 de julho de 2017

No berço da intolerância



O berço traz a ideia de algo esperado, alguém desejado, de todo um futuro a ser percorrido com a garantia humana de liberdade.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) disse que “o homem nasce livre e por toda parte é acorrentado”. “Correntes” intelectuais, sociais e pedagógicas servem inevitavelmente a governos que desejam perpetuar seu poder e suas incalculáveis vantagens.

Mas no século XXI e na reta final da segunda década ainda há modelos que horrorizam pela intolerância, qualidade tão desprezível que aceita fazer uso de quaisquer critérios para manter seu poder absoluto.

Há exatos 100 anos à Rússia passou por uma revolução; a implantação do primeiro - regime socialista - da história. Como em todas as revoluções, inclusive as ocorridas no Brasil, espera-se por mudanças para melhor, o que na prática não ocorre para a população; tanto que muitos estudiosos as chamam de “contra-revolução”.

O “berço” da Rússia, com promessas de melhoras não trouxe ideias e ideais de liberdade, ao contrário, de repressões.

Faz muitos anos que a organização religiosa das Testemunhas de Jeová na Rússia enfrenta dificuldades para efetuar suas atividades; outras religiões também têm passado por isso.

Depois de várias ações contra as Testemunhas de Jeová, no último mês de abril, o Supremo Tribunal Federal da Rússia decidiu proibir por completo as atividades da religião conhecida em todo o mundo por sua; evangelização realizada de casa em casa, atividades com carrinhos de publicações bíblicas e suas reuniões conhecidas como pacíficas.

Acusadas de extremistas, sem nenhuma prova clara, tiveram seus mais de 395 locais de encontros religiosos confiscados e seu site oficial e reconhecido em todo o mundo, bloqueado.

Digno de nota: Desde maio de 2008 a Rússia aprovou um programa chamado - Glória dos pais. A ideia é premiar os pais de famílias russas que tenham pelo menos 7 filhos e sejam considerados exemplares na maneira de criar seus filhos, principalmente no campo da educação, saúde, boa moral e que sirvam de modelo para a sociedade russa.

Encontrei informações e detalhes no site oficial das Testemunhas de Jeová: https://www.jw.org/pt/

A família que recebeu esse prêmio, pelas mãos do próprio presidente russo, Vladimir Putin, no último dia 31 de maio, foi justamente uma família de Testemunhas de Jeová que tem 8 filhos.

Inúmeras pessoas reconhecidas e respeitadas na Rússia falaram em favor das Testemunhas de Jeová; até mesmo alguns que admitem não simpatizar com suas crenças comentaram que dizer que são - extremistas, proibir suas atividades e confiscar seus prédios - é algo horrível.

O “amigo dicionário” define berço também como lugar de nascimento. O ser humano nasce livre ou não? Parece que o pensamento de Jean-Jacques Rousseau nos mostra algo ainda mais profundo: “O homem nasce livre e por toda parte é acorrentado”.

Acorrentado é símbolo de prisão, de restrição, de não dar o direito de ir e vir e expor ideias e pensamentos, o que pode nos levar ao crescimento intelectual, absolutamente necessário para todas as pessoas e em todas as épocas e culturas.

Será que a humanidade começa a “engatar a marcha ré” em termos de verdadeira liberdade?

O Supremo Tribunal Federal da Rússia aceitou ouvir apelação da decisão anterior no dia 17 de julho de 2017.

Que os berços continuem sendo o lugar de algo esperado, de alguém desejado e com um belo caminho a ser percorrido com liberdade. Com liberdade!


terça-feira, 11 de julho de 2017

Trocarias de vida com alguém?



Quem já não se extasiou com o cheiro do churrasco do vizinho, quem sabe aquele feijão cozinhando? E o perfume do café enquanto está sendo passado.

E quantas mulheres já disseram: Ah, se o meu marido fosse assim…

E quantos homens já suspiraram: Ah, que mulher, hein…

E os pais: Se meus filhos obedecessem assim, me sentiria rico.

E os filhos: Poxa, como os teus pais são gente boa.

E lá vai: Que emprego, hein. Que casa. Que vida!

Mas, e se pudesse trocar, trocaria ou mudaria alguma coisa?

Leia, por gentileza, essa breve história, de autoria do poeta, Olavo Bilac (1865-1918)

O dono de um pequeno comércio, amigo do poeta Olavo Bilac o abordou na rua:

Senhor Bilac, que bom que o encontrei. Estou precisando vender o meu sítio o qual o senhor bem conhece. Poderia redigir um anúncio no jornal?

Bilac escreveu:

“ Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros ao amanhecer. Há um extenso arvoredo cortado pelas cristalinas águas de um ribeirão. A casa é banhada pelo sol nascente e oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda”.

Meses depois o poeta perguntou ao homem se ele havia vendido o sítio. O homem respondeu:

-Nem pense mais nisso. Depois que li o seu anúncio é que percebi a maravilha que tenho.

Então, se alguém me perguntasse hoje: Trocarias de vida com alguém? Bem, se eu tenho bom senso e ainda assim algo a reclamar, preferiria ser como o poeta que escreveu o texto acima.

O modo como encaramos as coisas; a gratidão e alegria por cada conquista; o valor do aprendizado de cada erro; poderiam nos fazer ver que a questão não é trocar, e sim como encarar.

Prefiro pensar que nossos olhos ficam embaçados com problemas e não visualizamos quão belo é o nosso “sítio”. E sabe lá quantos o desejam.

Que tal trocar a maneira de olhar?