segunda-feira, 20 de março de 2017

Através dos seus olhos


 Jair era um jovem trabalhador e ainda assim sonhador. A necessidade do trabalho para ajudar os pais, o desejo de comprar uma casa, casar e ter filhos. E ainda tinha um sonho; conhecer o Pantanal.

Com cerca de 25 anos de idade e já namorando, Jair foi a um bar perto de casa. Entre bate papos, risadas e discussões, daquelas comuns em bares, uma chamou atenção dos clientes. Sogro e genro brigavam por assuntos comerciais. A briga se tornou mais acalorada. O sogro pegou uma espingarda com a intenção de atirar no genro. Os amigos e conhecidos tentaram apartar a briga e acalmar os ânimos. Jair mal os conhecia. Na frustrada tentativa de parar a briga o velho aponta a espingarda para o genro e novamente os homens tentam tirar a arma de suas mãos, mas ele dispara. Bêbado, não acerta em ninguém diretamente, mas resquícios do chumbo atingem os olhos de Jair.

Depois de um atendimento no hospital a família recebe a notícia; Jair ficara cego.

O jovem trabalhador, com desejo de casar, ter filhos e conhecer o Pantanal, sente-se perdido.

Sonhos e desejos podem superar grandes dificuldades.

Ele casa com Eliza e tem uma dupla surpresa ao ser pai, nascem os gêmeos que recebem os nomes de Ricardo e Rodrigo.

O tempo passa rápido diante os olhos fechados de Jair. Pai e marido presente tem o carinho da esposa, filhos e amigos. A falta de visão não trouxe uma vida inativa. O bom humor e trabalho o mantiveram vivo e “enxergando” outras possibilidades; uma das mais tocantes, conhecer o Pantanal.

Mais de 20 anos haviam se passado desde aquela tragédia. Jair com suas economias enfim poderia conhecer o Pantanal. A família e amigos respeitavam seu sonho e desejo, muito embora não o compreendesse. Os filhos agora com 20 anos de idade eram bons companheiros, mas apenas Rodrigo acompanhou o pai até o Pantanal.

Desde que chegaram à empolgação de Jair era mais do que evidente. Rodrigo sentia o fato de o pai estar com quase 50 anos de idade no lugar onde sempre sonhou conhecer e não poderia ver nada. Mas estavam ali e isso é o que importava.

Os passeios por diversos lugares, inclusive nos de barco se tornaram especiais.
Rodrigo fora surpreendido pelo pai que disse:

- Rodrigo. Quero que você descreva tudo. O que está desse e daquele lado. Como é a cor dessa água. Se as árvores são grandes. Da para ver peixes e jacarés. E os pássaros. Me conte se há muita variedade. Diga a cor deles e também como é o barco. Como está o céu. Quero que me conte tudo, filho.

Rodrigo foi tomado por um sentimento jamais imaginado. O jovem de 20 anos como que “doaria” em vida os olhos ao pai. Mais do que isso; teria que descrever o sonho de um homem que não podia ver o que estava tão perto.

Quando retornaram foram indagados pelos demais familiares e amigos que queriam saber como foi à viagem. Esperavam ver a alegria de Jair enquanto o filho faria à narrativa.

Rodrigo costumava nessas ocasiões colocar a mão no ombro do pai e dizer aos curiosos:

- Acredito que meu pai viu mais que eu.

Jair contava detalhes que somente um grande observador e apreciador do Pantanal e da natureza teria notado para narrar de maneira tão entusiástica.

Nunca ninguém pensou em perguntar como aquele homem cego havia registrado tantas maravilhas e tantos detalhes.

Quando Rodrigo perguntava ao pai se ele ainda lembrava do Pantanal, Jair dizia:

- Tudo, meu filho. Cada detalhe. Tenho em minha mente as imagens através dos seus olhos!



segunda-feira, 13 de março de 2017

Ausente ao funeral


Para quem fala do assunto com tranquilidade não sentirá receio na sequência dessa crônica.

Já os mais receosos talvez digam: “Tá é louco, que assunto hein”.

Escrevi uma crônica há mais de um ano com o tema – Deitado, nem morto; baseada num costume em certa cidade americana onde a Lei municipal permite a família, respeitando o desejo do finado de ser velado fora do caixão. Vale numa rede ou cadeira de balanço, numa moto Harley- Davidson, na cadeira a beira da mesa com uma lata de cerveja à frente, enfim, o que a pessoa mais gostava de fazer em vida. Ah, vale ressaltar que a Lei proíbe em posições imorais.

Como o assunto é morte e a necessidade de doação de órgãos é grande chegamos ao tema – Ausente ao funeral.

Particularmente nunca gostei da ideia de ser colocado num caixão, nem vivo e nem morto. Também não digo que teria o desejo de ser velado fazendo o que gosto; com tesoura e navalha nas mãos, com o computador sobre as minhas pernas como costumo escrever ou próximo a um microfone realizando uma entrevista ou apresentando um programa de rádio.

Por anos deixei minha família avisada de que sou doador de órgãos, mas tive outra ideia.

Que tal ir para a faculdade ou a universidade assim que encerrar a carreira de barbeiro e jornalista? 

Uma vaga garantida na UFSC, e saber que poderei ser útil à medicina, a ciência.

E melhor de tudo; escapar do caixão, flores e a sogra rezando ao meu lado. E tem mais, sem trabalho para a família arrumar lugar para deixar essa beleza de corpo ou mesmo os gastos com a bendita cremação.

Assim que estiver com tudo decidido vou avisar a família e aos amigos que não se assustem se chegarem ao meu funeral e não virem a tal urna, não a eletrônica ou a eleitoral, o famoso paletó de madeira, flores e toda estrutura em volta.

Estou pensando seriamente em entrar para a universidade. Por que parar de trabalhar depois de morrer? Trabalho sem esforço, sem levantar cedo em dias frios, livre da labuta nos dias quentes de verão. E continuar a fazer algo de útil, ainda que não veja e nem sinta. Cardiologistas, neurologistas, urologistas, proctologistas; nem esses dois últimos causarão calafrios.

Quando alguém lembrar e perguntar por mim, dirão: Está na universidade. Grande colaborador de professores e alunos de medicina. Quem sabe esse corpo venha a ajudar na descoberta de mais curas, melhores tratamentos.

O tema pode parecer um tanto indigesto. Pode parecer ironia com coisas sérias, mas jornalismo é assim; fazer pensar, levantar temas e assuntos.

Fui bem atendido por telefone e informado que a pessoa interessada pode ir até a universidade e preencher um documento, e claro, avisar a família, ela terá plenos poderes quando nós não mais tivermos.

Pode-se velar a pessoa e depois enviar o corpo. Ou pode-se enviar o corpo pra lá assim que se confirmar o óbito. Corpo inteiro, com todos os órgãos.

Nesse caso vejo vantagens. Sem caixão e sem despesas. Sem um velório de horas e horas. Talvez e dependendo das crenças um discurso fúnebre. Pediria a um amigo que dissesse algo sobre a minha pessoa, sobre o que creio e minhas convicções espirituais.

Pessoas rindo e falando das minhas gafes, que não são poucas. Quem sabe alguém chorando nem que seja para fazer um grau. Boas músicas. Não estarei ouvindo, mas deverá ser legal.

Aqui entre nós, se discutem tantas bobagens. A vida alheia, por exemplo. Temas exaustivos não faltam na mídia. Será que isso não é importante? Cabe a cada um responder e decidir, mas é fato que queremos e precisamos do avanço da ciência e medicina.

Então, se eu estiver ausente no dia do meu funeral (do qual não tenho pressa), não pense que estou atrasado, que estou no trânsito, ou que me esqueci; talvez tenha mudado de hábito e profissão.

Ainda não está definido, mas possivelmente partirei da barbearia e do jornalismo para a medicina, pelo menos como colaborador.

E admito, gostaria muito de escapar no meu funeral!



sexta-feira, 10 de março de 2017

Quadro - Coisas que não se diz: Nunca houve farra do boi. Haveria se o boi se divertisse. O animal sobre no mínimo estresse e geralmente violência. Quem deixaria amigos "brincarem" com seu cachorrinho em casa (como se fosse um boi na "farra"?) E depois, rejeitam um bom churrasco na sexta-feira santa como se fosse pecado. "Cale essa boca, isso são: Coisas que não se diz!

domingo, 5 de março de 2017

Encontro


Era uma bela manhã de segunda-feira, no calçadão da Felipe Schmidt em Florianópolis.

Uma coincidência incrível reuniu grandes amigos. Cada um deles com um papel especial na vida.

Caminha com serenidade, dona Educação, quando encontra um amigo:

- Bom Dia, que prazer em vê-lo! Como tem passado?

- Dona Educação. A senhora não muda mesmo. Suas expressões e atitudes são tão delicadas.

- Bondade sua, senhor Bom Dia. A simples menção do seu nome me faz feliz.

 - Dona Educação, olha só quem se aproxima. Dona Gentileza.

- Que prazer encontrá-los meus queridos amigos. Dona Educação, seu Bom Dia.

- Ah, dona Gentileza, sua presença torna mais agradáveis nossos dias.

- Gentileza, ouvi uma excelente matéria a seu respeito - Diz dona Educação:

- Sua atitude no ônibus onde ninguém deu lugar a um deficiente físico. Não é de surpreender vindo de ti, minha amiga.

Dona Gentileza, meio sem graça, responde:

- Por favor, não fiz nada além do que deveria.

- Esse não morre mais – diz seu Bom Dia – Vejam quem se aproxima, seu Por Favor.

- Que maravilha encontrar três dos meus grandes e verdadeiros amigos!

Seu Bom Dia, dona Educação e dona Gentileza sentem-se felizes com as palavras sinceras do amigo. 

Ele ainda diz:

- Por favor, deixem que eu lhes pague um café.

Dona Gentileza diz com um lindo sorriso:

- Ah, senhor Por Favor, até para uma gentileza o senhor diz, por favor:

- Dona Gentileza, assim me deixa sem graça. Ainda mais diante tão preciosos amigos.

Um clima romântico paira no ar com o cavalheirismo de seu Por Favor, diante a delicadeza de dona Gentileza.

Os quatro amigos tomam um café naquela bela manhã de inverno acompanhados de uma ótima conversa. De repente, são surpreendidos pelo senhor, Com Licença.

- Senhor Com Licença – diz dona Educação – Não me chame de senhor, apenas, licença para a honra de me sentar ao seu lado e dos demais amigos.

Dona Educação manifesta sua falta de esperança de melhores atitudes das pessoas quando ouve seu Com Licença:

- Amigos, olhem, é dona Esperança. Ela está distante, não vai nos ver.

Seu Bom Dia levanta-se e educadamente aumenta o volume da voz:

- Bom dia!

Dona Esperança, já sem esperança de ouvir um bom dia, olha para o lado e se emociona ao ver os cinco amigos.

Todos se levantam enquanto, seu Por Favor, puxa a cadeira para dona Esperança.

O tempo passa e eles não se dão conta, até que são surpreendidos mais uma vez, e agora por três amigos que caminhavam juntos. Os amigos se levantam e dizem com alegria:

- Boa Tarde, Boa Noite, Perdão. Se juntem a nós nesse belo dia!

Dona Esperança fala sobre as atitudes e comportamentos que se tornaram comuns, mas deixam as pessoas distantes e indiferentes com seu próximo. Seu, Por Favor, manifesta não crer em melhoras. 

Seu Perdão e dona Esperança se levantam. Seu Perdão toma a palavra:

- Perdão, meus amigos, mas creio que não devemos desistir – Dona Esperança completa:

- Imaginem se perdermos a esperança? Vamos continuar fazendo a nossa parte.

Nesse instante são interrompidos com muita educação por mais um amigo:

- Obrigado por existirem e não desistirem. Cada um de vocês é fundamental a toda sociedade!

- Obrigado – dizem os amigos – que alegria rever o amigo. E obrigado pelas palavras.

Nesse exato momento ouvem uma voz entusiástica:

- Parabéns, meus amigos. Fico feliz em saber que estão unidos e que continuam valorizando um ao outro.

Seu Obrigado levanta e agradece em nome de todos ao amigo, Elogio.

E já ao findar aquele dia as pessoas que passavam por ali ouviam em várias vozes:

Bom dia. Com licença. Boa tarde. Que gentileza. Boa noite. Perdão. Por favor. Muita educação. 

Obrigado. Jamais percam a esperança. Que bom ouvir um elogio.


Eles continuam por aí. Às vezes se encontram, mas mesmo que separados fazem toda a diferença no dia a dia!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Juvenal, a loirinha, uma oportunidade e o Johnny


Dizem que cavalo encilhado não passa duas vezes. Enfim, não se deixa passar uma boa oportunidade. 
E isso era tudo o que Juvenal precisava.

Ele havia se apaixonado por uma colega de classe. Sonhador, apaixonado e muito tímido. Ela era loirinha, de olhos azuis; linda. O tempo passou, eles se formaram e Juvenal não a viu mais. Dois anos se passaram e a saudade só aumentava. Juvenal se perguntava: “Será que vou reencontra-la um dia?”. Ele tinha 17 e ela 16.

Certo dia Juvenal sonhava acordado dentro do ônibus a caminho do Centro de Florianópolis. Ao abrir os olhos vê a loirinha. O coração dispara. A boca fica seca. Os olhos marejantes. Que loucura, a 
loirinha que não via há dois anos. Daniela estava lá, mais bonita ainda, mas não havia visto Juvenal.

Ela também saltou no Centro de Florianópolis. Juvenal chegou ao trabalho e contou a um amigo o que havia acontecido. Cleber ficou perplexo em saber que Juvenal não havia falado com ela, nem sequer tentado.

Chegando em casa a noite, Juvenal foi recepcionado pelo grande e fiel amigo, Johnny. Com ele Juvenal falava a vontade. Não havia timidez nem segredos. O pequeno cachorrinho há três anos era seu parceiro. O apego de Johnny por Juvenal era tão grande que era comum ele segui-lo pelas ruas ou aonde quer que Juvenal fosse.

Juvenal por sua timidez, quem sabe orgulho, ficava envergonhado quando era seguido por Johnny.

Uma noite Juvenal pensou em como poderia aproximar-se da loirinha. Havia várias semanas que pegavam o ônibus juntos e ela ainda não o havia visto. Ele preparou-se e ensaiou algumas palavras. 

Faria de conta que era a primeira vez que a via. Pensou até em jogar um charme, não sabia como, mas pretendia.

Numa bela manhã Juvenal estava prestes a entrar no ônibus no ponto final do bairro Bela Vista, em São José. Ele embarcou e a loirinha dois pontos depois. A principio ele fez de conta que não tinha a visto. Ela estava linda. Os cabelos loiros e ondulados, os olhos azuis com suave brilho e um vestido preto que a tornava ainda mais especial.

Juvenal lembrou tudo o que havia treinado. Respirou fundo e foi em direção ao cobrador. Assim que paga a passagem o cobrador diz a Juvenal:

- Ei amigo. O teu cachorro entrou no ônibus.

Juvenal olha para Johnny, engole a saliva, respira fundo e diz ao cobrador:

- Não, o cachorro não é meu não! O cobrador pede desculpas. Juvenal por um instante esquece o cachorro e vai em direção à loirinha. Quando está bem perto dela e prepara-se para abrir a boca é interrompido pelo cobrador que diz em voz alta:

- O meu amigo, o cachorro é teu sim. Está bem atrás de ti e abanando o rabo.

O ônibus está quase lotado. Todos olham e a maioria dá risadas. A cena era simplesmente hilária. 

Juvenal por mais que gostasse do fiel amigo tem vontade de jogá-lo pela janela.

O motorista para o ônibus e diz educadamente a Juvenal que ele pode colocar o cachorrinho para fora e ressalta que pode fazer isso com calma, ele aguardaria.

Eram poucos passos, mas para Juvenal era como se estivesse indo em direção à forca.
Johnny não teria problemas em voltar para casa. Isso deixava Juvenal mais tranquilo. O problema seria voltar ao ônibus, encarar as pessoas, especialmente a loirinha. Ele entra com rosto como que pegando fogo e o coração disparado. Não lembra mais o que havia treinado para dizer a sua amada. 

Juvenal firma as mãos na barra do ônibus e sente-se destruído. Ele é surpreendido pela loirinha que aproxima seu rosto ao dele. O perfume dela traz todas as lembranças de quando ela passava por ele na sala da aula durante anos. A loirinha aproxima sua boca ao ouvido de Juvenal e diz de maneira delicada:

- Seu cachorrinho é lindo!

Juvenal viaja em seus pensamentos. O cheiro, a voz, a presença dela. Ela havia tomado a iniciativa em falar. Chegam ao Centro de Florianópolis e ele não a vê. Quando chega ao trabalho conta o que aconteceu ao amigo, Cleber. Fala da vergonha que havia passado com o Johnny. Cleber vê o lado positivo e lembra o mais importante, ela havia falado com Juvenal.

Os dias seguiram. O mesmo horário. Muitas vezes o mesmo motorista e passageiros, mas nunca mais voltou a ver a loirinha, não teve notícias dela.

A caminho de casa pensava na oportunidade perdida. Quando chega e abre o portão é recebido por 
Johnny com lambidas, rabinho abanando e muita alegria. Ele sempre estava ali e aproveitava todas as oportunidades!



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Spotlight - Segredos Revelados


Sabemos que a pedofilia é praticada de maneira geral por pessoas próximas. Crianças, adolescentes e pais são persuadidos a confiar nos pedófilos como se fossem pessoas acima de qualquer suspeita.

Pais, padrastos, tios, avós, amigos da família estão entre aqueles que molestam crianças causando traumas terríveis.

Cabe o ditado: “Seguro morreu de velho”. Não quer dizer desconfiar de todos, mas ao mesmo tempo não confiar demais, principalmente quando o risco é a pedofilia.

“Ah, ele ou ela jamais seria capaz de fazer isso, ponho minha mão no fogo”. Então saiba que as possibilidades de se queimar são reais e consideráveis.

O perigo também se esconde atrás de títulos de “santidade”.

O filme – Spotlight – Segredos Revelados, baseado em fatos reais, conta a história de um grupo de jornalistas do The Boston Globe que investigou, descobriu, se apavorou e publicou um artigo sobre padres pedófilos.

Na ocasião, por volta de 2001, havia pelo menos 87 padres que haviam molestado crianças; detalhe: 87 só na cidade de Boston.

Há pesquisas que segundo o filme apontam que até 6% dos padres poderiam estar envolvidos em pedofilia.

Em especial crianças de famílias carentes e pouca estrutura, dizem que veem o líder religioso como se fosse “Deus”.

“Um dia ele pede para a criança recolher o lixo. Depois conversa mais. Um dia conta uma piada obscena (agora eles têm um segredo), e por fim mostra uma revista pornográfica” (Relato de uma das vítimas no filme).

Tudo termina, ou começa, quando “o padre tira a roupa e pede para o menino o masturbar e fazer sexo oral nele”. (Continuação do relato)

Quando acontece com meninos que são ou acreditam ser homossexuais tudo parece diferente; afinal de contas eles sentem que “deus” entende e aceita sua situação. (Também relatos do filme)

O filme – Spotlight – Segredos Revelados - deve ser mais anunciado, divulgado, assistido e discutido.

Concluir que isso acontece apenas em outros países é ingenuidade.

Pensar que isso só acontece “lá longe” é fechar os olhos a uma terrível e devastadora realidade.

Quando os abusos são cometidos por lideres religiosos à coisa é agravada por vários motivos.

Primeiro: Estão entre aqueles que parecem estar – acima de qualquer suspeita.

Segundo: O medo de denunciar um “homem de Deus”.

Terceiro: A maneira como a igreja por tantas vezes oculta, esconde, transfere o padre pedófilo para outra paróquia. Já molestou aqui, ficará conhecido. Quem sabe numa cidade onde ninguém saiba. E se abusar lá se transfere outra vez...

Pais precisam alertar e conversar com os filhos. Alguns falam besteiras e contam piadas sobre sexo com amigos, mas não são capazes de ter uma conversa respeitosa, porém aberta com filhos e filhas, os alertando contra os pedófilos. Dizer o que fazer e para quem contar. Que pode ser o vovô, o papai, a mamãe, o titio, o padrasto, o melhor amigo dos pais e até um “homem de deus”.

A denuncia pode não resolver por completo, mas dará a oportunidade de se fazer justiça e talvez impedir que outras crianças venham a ser molestadas.

E a imprensa? Parabéns a imprensa. Parabéns aos jornalistas que investigam e publicam.
Jornalismo é isso, abrir temas importantes. Falar o que não parece conveniente e o que alguns não desejam ouvir.

Imparcialidade é importante sempre. Não podemos deduzir que a maioria dos lideres religiosos são pedófilos, mas o número é assustador. Mais assustador ainda é saber que os que têm poder para denunciar e punir por tantas vezes apenas encobrem.

Dizem que segredo deixa de ser segredo quando revelado.

Há segredos importantes a serem guardados e outros não.

Pedofilia, pessoas próximas e principalmente, “homens de deus” devem ser monitorados, descobertos, julgados e condenados (não transferidos como tem acontecido).

Quando conversar com uma pessoa religiosa pergunte a ela como sua igreja trata ou lida com casos assim.

Nosso papel na imprensa é dar notícias e informações. No filme Spotlight quando um líder religioso disse que é importante que a imprensa trabalhe em conjunto com instituições, ouve do editor: “Em minha opinião é melhor que a imprensa trabalhe de maneira independente”.

Pedofilia, pais e imprensa. Denunciar, divulgar e proteger. Caso contrário só haverá as lágrimas e os traumas das incontáveis vítimas desses terríveis abusos – guardadas em segredo!



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Maria Mole


Esse doce fez parte da infância de muitos de nós. Mas houve uma que serviu como importante lição de sabedoria.

Lembramos a frase: “Difícil não é ser bom, o desafio é ser justo”.

Quando falamos em justiça podemos lembrar a palavra - sabedoria.

A palavra sabedoria é muitas vezes mal interpretada. Confunde-se com a palavra inteligência. 

Quando estudamos a fundo essas palavras notamos que há inteligentes que não demonstram sabedoria e raramente há um sábio que não seja inteligente. Por quê? Conhecimentos nos deixam inteligentes e inteligentes buscam mais conhecimentos; isso produz pessoas que fazem a diferença na sociedade. Mas, e os sábios?

Muitas vezes se fala na “sabedoria popular”, no “conhecimento dos antigos”. Vamos juntos a duas breves histórias sobre sabedoria.

Duas mulheres pedem aos prantos uma audiência com um rei. As duas são mães. Uma tem nos braços um filho morto e outra um filho vivo. A que está com o filho morto diz que o bebê vivo é seu. Diz que assim que o viu ao acordar percebeu que não era o seu filho.

Um dos bebês morrera durante a noite e poderia ter havido uma proposital troca dos bebês.

O rei, depois de ouvir as queixas das duas mães faz uma reflexão em alta voz:

Esta diz: “O meu filho é o que está vivo, o morto é o dela. A outra diz, não, o meu filho é o que está vivo, o seu está morto”. O rei diz: “Tragam uma espada e cortem a criança ao meio e deem metade a cada uma”.

A mulher cujo filho era o vivo, movida por compaixão, disse: “Não façam isso, por favor. Não tirem a vida da criança, que fique com ela”. A outra mulher fala: “Cortem mesmo, não será nem meu nem dela. O rei disse com convicção: “Entreguem o bebê a primeira mulher”. Ela é a mãe verdadeira, pois jamais deixaria que matassem seu filho”. A história ocorreu há milhares de anos e correu o mundo. A sabedoria de Salomão. Sabedoria segundo a Bíblia dada por Deus. O relato mostra que quando 

Salomão iria se tornar rei poderia pedir qualquer coisa a Deus. Em vez de glória, poder ou bens materiais ele pediu sabedoria para cuidar bem do povo.

E a Maria mole? Ouvindo nosso querido comunicador, Mário Motta, em seu programa na CBN, eu e todos os seus ouvintes fomos agraciados por essa breve e sábia história real.

Mário contou o que seu pai, o saudoso, Motinha fazia para ensinar justiça, sabedoria e bom senso para ele e seu irmão, Gilberto, usando uma Maria mole.

Cabia ao irmão do Mário, Gilberto, cortar o doce ao meio. Tinha que ser justo e cauteloso ao cortar a 

Maria mole. Por quê? Seu Motinha dizia que Gilberto cortaria o doce e o Mário escolheria seu pedaço. Que lição de sabedoria prática. Valores incutidos na infância podem permanecer para sempre construindo homens e mulheres éticos. Não é por acaso que o Mário me disse numa entrevista: 

“Crescer é ficar maior; evoluir é ficar melhor”. Seu Motinha tinha e ensinava sabedoria.

É bom ouvir e contar histórias assim. Mas podemos adquirir sabedoria. Como? Através dos nossos conhecimentos procurarmos ser pessoas decentes, honestas, éticas, justas; dar exemplo digno de ser seguido. Em momentos difíceis não ver apenas o nosso lado. Entender que às vezes tanto nós quanto aqueles a quem amamos estão errados. Isso envolve ser imparciais, não “botar a mão na cabeça” só porque se trata de nosso filho, nosso interesse, nossa vantagem. Sabedoria se conquista com atenta observação, meditação e também com estudos.

E como se identifica um sábio? Uma maneira fácil de identificar um sábio é por sua modéstia e humildade, duas qualidades diferentes e importantes. O sábio jamais se julga sábio por ser humilde e reconhece que não pode fazer tudo porque é modesto; por isso é sábio.


Desde os tempos de Salomão e até os dias do seu Motinha podemos aprender a sabedoria. Pessoas sábias usam qualquer recurso para ensinar, do fio de uma espada a uma Maria mole, o que vale é a lição!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Transtornos mentais - Alarmante!


Não faz muito tempo alguém diria que é “frescura”, ou, simplesmente loucura.

Alguém com algum tipo de desânimo prolongado, manias ou outras dificuldades ligadas ao campo emocional poderia ouvir coisas do tipo: “Ah um tanque de roupas para lavar”, como se o problema psicológico sofrido fosse nada mais do que falta do que fazer, ou uma mente pouco ocupada. Até pessoas com muito estudo dizem isso, já ouvi.

Como se não bastasse um amigo ouviu um primo dizer a outro: “Depressão? Te levo até um lugar onde há crianças com câncer e depois tu me diz se tens depressão.”

Assisti uma entrevista de uma famosa dupla sertaneja onde um deles comentou que a pior coisa que fez foi comentar com amigos que tinha depressão e dizer como se sentia.

Os amigos, claro, na melhor das intenções, e de boas intenções o inferno está cheio, como diz um ditado, não que eu creia no inferno, mas fica clara a mensagem. Amigos mesmo bem intencionados podem dizer a coisa errada na hora errada. Os amigos do cantor diziam: “Você é famoso, rico, talentoso, as pessoas te adoram, como pode ter depressão?” Ele completou dizendo que a pior coisa é confidenciar isso a alguns amigos. Na intenção de ajudar pioram a situação. Nem todos, é claro!

Para saber se é “frescura” ou “manha”, só um profissional para dizer. Um psicólogo, psiquiatra ou neurologista. E a lista dos transtornos mentais é grande.

Depressão, bipolaridade, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), déficit de atenção e ou hiperatividade (TDAH) e síndrome do pensamento acelerado (SPA). Há outros, com certeza.

Transtornos mentais são definidos por profissionais da área como uma disfunção significativa no pensamento, controle emocional e comportamento.

O Dr. Augusto Cury em um de seus livros fala sobre situações em que muitos pensam que crianças são hiperativas quando na verdade têm SPA, síndrome do pensamento acelerado. Ou seja, crianças hoje são expostas a excesso de informação e atividades. Diz que uma criança de 7 anos hoje tem mais informação do que um imperador romano no auge de Roma.

Fico pensando por que alguns pais exigem tanto dos filhos. Até que ponto é importante?

Pelo menos quando virmos um amigo ou parente com aparente dificuldade emocional que tal dar atenção especial? Com certeza não cabe a nós dizer se é doença ou “frescura”. O que se sabe é que os transtornos mentais tiram a paz e a qualidade de vida de muitas pessoas. Além de dificuldades no trabalho, escola, casamento e demais relacionamentos. Sem esquecer que familiares também sofrem. 

Quando não tratados corretamente podem levar ao vício em drogas, álcool e até ao suicídio. Nos últimos tempos tenho ouvido e lido sobre o assunto. A “cadeira do barbeiro” tem revelado pessoas que jamais imaginava passar por esses transtornos. São mais comuns do que podemos imaginar. 

Homens, mulheres, jovens de todas as idades e com diferentes condições financeiras e culturais. Para dar a palavra final, só um profissional. Então, na dúvida, vamos procurá-lo.

A Organização Mundial de Saúde, (OMS) reconhece esses transtornos como reais.

Saber que um tratamento adequado pode melhorar a qualidade de vida dos que sofrem é um importante incentivo a procurar ajuda. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A viúva


Alberto nunca foi bom com as palavras. Não era incomum olhar para uma mulher com uma barriguinha um pouco evidente e perguntar:

- Está de quantos meses? É menino ou menina?

- Não estou grávida!

Os foras não paravam por aí:

- Oi Ana. Esse é o teu filho mais velho?

- É meu namorado!

Ao andar com um amigo na rua viu uma senhora e disse:

- Olha lá, Rogério. A vovó vai atravessar a rua sozinha. Coitada.

- É a minha esposa, Alberto.

Por essas e outras Alberto começou a ficar mais calado. Certo dia um amigo de trabalho, o Claudio, disse que o Mário havia morrido. Imediatamente, Alberto lembrou de seu ex vizinho, Mário. Homem trabalhador, cara divertido.

Claudio ainda salientou que Mário andava muito doente havia anos. Estava sofrendo o que chamou de inferno. Na verdade Mário foi libertado de uma agonia, uma prisão, afinal de contas, viver com dores e dependendo da ajuda dos outros, era um inferno mesmo. No fundo, sua esposa deveria ficar até aliviada.

Alberto ouviu tudo aquilo e pensou em Lígia, esposa ou agora, viúva de Mário. Queria poder consolar a pobre viúva. Mas como? O que dizer? E se falasse besteira? E em dar fora Alberto era especialista.

Por duas vezes Alberto viu Lígia e atravessou a rua só para não ter que falar do finado. Não estava pronto para o importante consolo.

Certa noite Alberto parou e pensou. Pensou que já era hora de aprender a se expressar sem falar bobagem, usar bem as palavras. Resolveu treinar sozinho, de frente para o espelho.

Imaginou Lígia. Lembrou de como Mário era e de quanto estava sofrendo. Lembrou das palavras de 

Claudio. Mário estava livre do inferno que vivia, de todo o sofrimento, da agonia, de uma rotina terrível. Pronto. Já poderia consolar a viúva e não falar besteira. Pelo menos uma vez na vida.

No dia seguinte encontrou Lígia e dessa vez não desviou. Aproximou-se, respirou fundo, e olhando em seus olhos, disse:

- Bom dia, Lígia. Estava há dias para falar contigo. Na verdade pensei muito bem no que deveria te dizer. Por favor, preste atenção a cada palavra minha e veja a sua real situação.

O Mário não merecia o que vinha passando. Um cara do bem, trabalhador, divertido. Ele estava sofrendo demais. Aquilo não era mais vida, era tortura. Imagine a frustração dele. Sua agonia e rotina. Se é que existe esse tal de inferno é o que o pobre do Mário vivia. Agora está livre e em paz.

Lígia ouviu perplexa as palavras de Alberto. Depois de balançar a cabeça olhou bem para ele e disse:

- Cachorro, sem vergonha, nojento. Você é igual ao Mário ou até pior. Aliás, vocês são todos iguais, não valem o que comem. Eu quero mais é que você vá para o inferno e mais, quero que o Mário... 

Melhor eu parar por aqui. Seu idiota!

Alberto ficara perplexo com as palavras de Lígia. Como podia ser tão dura diante palavras consoladoras. E pobre do Mário, não basta o que sofrera. Que tipo de mulher falaria assim?

No dia seguinte assim que chega ao trabalho encontra o amigo, Claudio. Ele o chama e diz:

- Claudio. Não vai acreditar no que aconteceu ontem. Encontrei a mulher do Mário e falei com ela. 

Não vai acreditar no que ela me disse.

Claudio respirou fundo e falou:

- Alberto, não dá pra esperar que ela esteja feliz e calma. Afinal de contas o que o Mário fez foi uma cachorrada sem tamanho. Uma mulher como ela, trabalhadora, linda e educada. Descobriu que o 

Mário a traia há mais de 10 anos. Várias amantes e 2 filhos fora do casamento. Gastava dinheiro até em noitadas. E pior, ele teve a cara de pau de dizer pra ela que ele vivia numa horrível rotina, numa agonia, que sofria ao seu lado, que sua vida era um inferno – Claudio continua seu desabafo:

Dá pra imaginar? A mulher descobriu que o marido é um baita safado e ainda ouve tudo isso. Pobre da Lígia.

Sem entender mais nada, Alberto perguntou:

- Claudio, tu não me disse que o Mário havia morrido?

- Sim, morreu. Mas falei do Mário da dona Soninha. O pobre estava muito mal. O Mário da Lígia é que é um safado e está bem vivo. Ainda bem que você a consolou. Afinal de contas, o que disse a ela?

- Eu? Bem, eu disse o que se diz numa situação dessas. Enfim, falei algumas coisas.


Alberto se afasta de Claudio pensando na pobre Lígia. Ele esfrega a mão na testa e fala baixinho: 

Droga. Consolei a viúva errada!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O moral e a moral - desencontros


Quando eu era criança ou adolescente, há uns 30 anos, ter faculdade, ou o curso superior não era algo tão comum, pelo menos não no meio em que eu vivia.

Lembro que alguns diziam com orgulho:

- Tenho um primo que fez faculdade! Sério?

- Minha irmã está na universidade! É mesmo?

Nos anos 90, pelo menos aqui na Grande Florianópolis, as faculdades particulares passaram a se destacar mais. Isso tornou possível que muitos conseguissem ter o curso superior. Alguns tinham a ajuda dos pais, outros ralaram para trabalhar e pagar a faculdade.

No decorrer da primeira década do século XXl vieram as faculdades a distância – online.

Cada vez mais possibilidades. Tantas que hoje não causa espanto ouvir alguém dizer que tem faculdade.

Em concursos públicos a “briga” entre pessoas com o antigo segundo grau ou ensino médio com os que têm faculdade causa discussões.

Há quem pense que deveria haver uma separação: Em concurso para nível de ensino médio os que têm curso superior não deveriam participar. E agora?

Mas com tantos avanços tecnológicos, científicos e outros, algumas questões parecem regredir. Isso parece mostrar um – contrassenso ou um paradoxo.

Se há bem mais pessoas instruídas, com boas formações acadêmicas, por que notamos uma “marcha ré” em questões de moral e bom senso?

A moral está em baixa para muitos e o moral de muitos está baixo.

A moral - se entende por questões de bom comportamento, respeito mútuo, não só no campo sexual, mas em todas as questões que regem ou deveriam reger bons costumes e respeito.

O moral - se entende como sentimento, ânimo. Muitos estão com – o moral baixo.

O estado de ânimo de muitos está um tanto doente. Notamos isso pelas frustrações que vão desde casamentos abalados, relações familiares estremecidas; e isso vai ao trabalho, nas escolas; enfim, nas próprias situações pessoais não resolvidas.

Quer ver um grupo de profissionais com agendas lotadas? Tente marcar uma hora, uma sessão com um psicólogo (terapeuta) ou com um psiquiatra. A agenda deles está mais lotada do que a de um bom pedreiro.

Com tantas mudanças no cenário cultural, social, acadêmico e cientifico, estamos presenciando algo incomum por aqui.

Quando eu era criança ou adolescente quem tivesse um lava jato era porque tinha uma melhor condição financeira.

A sujeira impregnada nas calçadas, muros e paredes era eliminada com mais facilidade com esse bendito aparelho. Alguns alugavam um lava jato ou pediam emprestado para se livrar daquilo que a simples mangueira e vassoura não resolviam.

Hoje, há uma Lava Jato que está fazendo um trabalho diferente do antigo aparelho. Os antigos aparelhos lava jato faziam desaparecer a sujeira, a atual lava jato faz justamente aparecer à sujeira.

O ponto é que houve e está havendo mudanças, tanto para pior quanto para melhor.

E o melhor é saber que quase tudo está ao nosso alcance. A educação e o conhecimento por meio de uma faculdade, universidade ou pelos próprios esforços em estudar e abrir a mente faz a vida bem diferente. Boas leituras diárias são uma vitamina poderosa para o cérebro.

Mas e aquele desencontro entre – o moral e a moral?

Parece que não tem muito haver com “grau acadêmico”. Antes, com caráter, índole, respeito, conhecimentos adquiridos e postos em prática para o bem comum. E isso vai além dos campos universitários e faculdades.

No final do dia, do ano e de tudo, restará saber se entendemos o que é ter uma boa moral.

No final do dia, do ano e de tudo nosso moral poderá estar baixo ou alto; e isso dependerá de nós mesmos proporcionarmos esse encontro.