segunda-feira, 19 de junho de 2017

Saber - Pra quê?


 
Há quase 50 anos acredita-se que o homem pela primeira vez pisou na lua. Há quem acredite com tranquilidade e quem duvida seriamente, mas há também quem diz: “Que diferença faz saber? O que mudaria em minha vida?”
 
Muitas pessoas e cientistas creem em Deus, outros não. E existem muitos que creem que o homem foi criado diretamente por Deus, outros acreditam que somos frutos de uma evolução.
 
Existem pessoas que defendem a pena de morte, outros são contra.
 
O Brasil e o mundo vivem um momento especial; grandes avanços tecnológicos e científicos e um declínio moral, social, de respeito a própria vida e a dos semelhantes; um incrível paradoxo de contra-evolução.
 
Diante todos os conhecimentos e desconhecimentos vivemos numa época em que podemos escolher: Saber - Pra quê?
 
Considerado o fundador da filosofia moderna, René Descartes (1596-1650), nos deixou essa frase de forte impacto, por mais simples que pareça: “ Penso, logo existo”.
 
Jean-Jaques Rousseau (1712-1778), também deixou frases aparentemente simples, porém, com o poder de levar a profundas reflexões. Pelo menos duas delas: “O homem nasce bom, a sociedade o corrompe”. E essa: “O homem nasce livre e por toda a parte é acorrentado”.
 
Auguste Comte (1798-1857) considerado o pai da sociologia, com o lema da “filosofia positiva”, tinha como objetivo em sua filosofia: “ Conhecer para prever, prever para prover”.
 
Linda lógica de Comte. De que adiantaria muitos conhecimentos se eles não fossem bem utilizados para prever e prover?
 
Entre tantos pensamentos, dúvidas e ansiedades podemos nos perguntar: Até que ponto as pessoas desejam realmente conhecimento? Que conhecimentos desejam? E para que o desejam?
 
Já nos foi explicado há tempo que a - educação vem de casa, pelo menos, deveria. A escola nos passa ensinamentos e certos conhecimentos. No mais, é ir atrás, desejar, buscar, abrir a mente, entender, deixar de lado nosso modo todo pessoal de ver o mundo, ou mesmo vê-lo à maneira como nos foi ensinado.
 
O filósofo brasileiro, Renato Janine, nascido em 1949, em seu livro: O afeto autoritário, diz algo que nos leva a refletir. Falando a respeito da programação da TV brasileira, Janine diz que ela - oferece a sociedade a pauta de suas conversas. O autor destaca que - basta ouvir o que as pessoas estão falando numa segunda-feira para saber o que foi ao ar nos principais programas dominicais.
 
E aí entra a questão: Qual a qualidade da programação? Ela tem ajudado a desenvolver nosso intelecto? Tem nos incentivado a entender o que é cidadania, ser melhores pais, professores e filhos? Ela, a mídia, tem interesse em ter uma sociedade inteligente o bastante para evitar fazer a pergunta tema dessa coluna?
 
Quem sabe responder: Os brasileiros têm uma verdadeira democracia? A imprensa é totalmente livre? Se não é, quais os motivos? Por que não como carne na sexta-feira santa? E por que essa sexta sempre cai numa sexta e não varia como as demais datas? Por que razão grande parte da população é escravizada por inúmeras datas comemorativas e imposta a gastos sem nem saber o motivo real daquela data; se concorda ou não?
 
Outra importante frase de reflexão: “ A pessoa ingênua, inexperiente, acredita em qualquer palavra, mas quem é prudente pensa bem antes de cada passo”. Bíblia. Provérbios 14:15
 
Então, se o homem foi ou não a lua pode não fazer diferença. Mas a verdade sobre isso tem peso. Afinal de contas, optamos por crer ou não crer naquilo que nos dizem.
 
Em tempos de contra-evolução, do paradoxo entre avanços e declínios, das conversas das redações de jornais a bares e barbearias; dizer o que pensamos é importante, é direito adquirido de um pouquinho de democracia.
 
Agora, buscar ouvir outras ideias, estudar, abrir a mente, ter pensamento crítico baseado no conhecimento mais concreto possível não é para qualquer um. Pensar - Pra quê?
 
Saber - Pra quê? Ora, o saber traz grandes responsabilidades.
 
Saber? Claro que sim!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Aquela voz no rádio


 
Nasci em janeiro de 1973, em Florianópolis, mas sempre morei em São José.
 
A infância dos meninos dos anos 70 e 80 foi muito especial.
 
É claro que a das meninas também foi muito diferente das de hoje, especial.
 
Futebol de rua; 5 vira 10 ganha, pipas, bang bang, pega-pega, esconde-esconde, bilboquê e peão; nesse último nunca foi bom, e nos demais mais ou menos, mas era divertido e era só o que importava.
 
Certa manhã do ano de 1981 algo diferente aconteceu. Na escola onde estudava chegou um repórter com um daqueles gravadores que logicamente não caberia no bolso.
 
Ele falou com vários alunos e cada um pedia uma música e oferecia a alguém. Participei. Não lembro a música e nem para quem ofereci, mas no dia marcado para ir ao ar as participações fiquei sentado esperando ouvir minha voz no rádio.
Para a infeliz surpresa do leitor e também minha creio que a gravação não foi exibida ou me passou despercebida.
 
O tempo passou e mantive as brincadeiras com os amigos. E eis um mistério, não sei a data exata e nem o motivo, mas de repente eu estava apaixonado. Era mais uma paixão; havia a Daniela, uma linda loirinha da escola. A nova paixão aconteceu dentro de casa, na cozinha, em cima de um lindo balcão, daqueles feitos para durar décadas. Em cima dele entre outros apetrechos de minha mãe, dona Olga, havia um lindo rádio. Devia ter uns 20 centímetros de comprimento por uns 10 de largura e altura. Com aquele revestimento de madeira e a classe dos rádios dos anos 70, tinha um charme especial.
 
Mas é bem verdade que a beleza de um rádio é acrescida de vida com a voz do radialista.
 
E foi nessa vida dada ao rádio, ora pela música ora pela voz do locutor que me via por inúmeras vezes parado diante ele, outras vezes o ouvia fora da cozinha, debruçado na janela.
 
Passei a ouvir alguns programas nos horários em que não estava na escola ou em dias sem aula. Diário da Manhã, com o Walter Filho e seu “assustador” quadro - Aconteceu; Guarujá, Cultura, mas em especial a rádio Santa Catarina.
 
Naquela rádio havia ótimos programas, grandes comunicadores e um em especial me chamou a atenção; Nabor Prazeres. Sua voz, seu modo de conduzir o programa, a ênfase nas notícias. Foi uma espécie de cupido nessa paixão que nascia.
 
Nabor Prazeres apresentava um programa durante as manhãs. Aquela voz no rádio encantava as pessoas em muitas regiões.
 
Devido aos muitos prêmios que a rádio sorteava; ingressos para o cinema, circo, parque de diversões e até tortas percebi duas oportunidades. Como se diz: “Matar dois coelhos com uma só paulada”. Não levem a frase tão a sério, afinal de contas, é linguagem conotativa.
 
Além de ganhar prêmios teria a oportunidade de conhecer a rádio por dentro, e até de conhecer o radialista. Já pensou - ver de perto Nabor Prazeres; saber se era alto ou baixo, gordo ou magro, negro ou branco, cabelos escuros ou grisalhos, se era gente boa ou um sujeito ranzinza. Isso seria demais. Ganhei muitos prêmios, de todos os quais mencionei.
Quase sempre quem me levava até a emissora, que ficava no bairro, Coqueiros, na rua: Jaú Guedes da Fonseca, era meu cunhado e amigo Lindomar.
 
Enquanto os amigos diziam: Lá vai ele outra vez ligar para a rádio, parece mulherzinha, parece maricas… E lá ia eu. Descia até o bairro Bela Vista, onde eu morava, no Jardim Cidade, não havia os orelhões, os famosos e muito usados telefones públicos. Eram várias fichas telefônicas todas as semanas, pelo menos uma ou duas por dia.
 
Na rádio havia uma secretária muito bonita. Era alta, magra, cabelos negros e muito atenciosa. A sala de recepção onde aguardávamos os prêmios era pequena e muito aconchegante.
E na minha garganta, quase na ponta da língua, o desejo de pedir para entrar e conhecer o estúdio, e o Nabor (nem sempre quando íamos na emissora era a hora do seu programa, às vezes era outro locutor naquele momento), mesmo assim não tinha coragem de pedir para entrar.
 
Quantos telefonemas, quantos brindes ganhei, quantas vezes o Nabor Prazeres disse o meu nome ao oferecer uma música ou citar que eu havia ganhado um prêmio.
 
Muitos anos se passaram. O menino cresceu. Trabalhou muito e se tornou barbeiro.
 
Mas quando alguém é “tocado” pela comunicação, isso fica no íntimo, como que num lugar secreto até que algo a mais aconteça para libertar e viver essa paixão com seus prazeres e dores.
 
Depois de uns 13 anos na barbearia comecei a escrever: Livros, colunas em jornais, blog, e fui convidado para dar muitas entrevistas, em jornais, TVs e para emissoras de rádio.
 
Passei a entrar com certa frequência em estúdios de rádios; CBN, na Guarujá muitas vezes. Estive também na rádio Record, Guararema e outras.
 
Já havia se passado 5 anos que eu tinha me mudado da rua Santa Luzia, onde vivi por 35 anos. Então, aos 40 anos de idade, passava pela rua que me havia deixado tantas boas recordações. Para minha surpresa e despertar de sonhos e desejos ao caminhar por ali vi uma placa de uma rádio - Rádio Comunitária - Luar FM 98,3. Aquela rádio na esquina da rua onde passei a maior parte da minha vida, uns 50 ou 60 metros de onde eu morava. Aquilo não me saía da cabeça.
 
Pensei, troquei ideias com o amigo repórter cinematográfico, Agenor Neto e o coordenador da rádio, Cristiano Souza, elaborei um programa, busquei apoiadores culturais. Joia, havia um projeto bem adiantado e modesto. O programa se chamaria - Na cadeira do barbeiro. Teria músicas antigas, nacionais e internacionais e em especial, entrevistas. Queria levar para o rádio a vida, as histórias de vida e das profissões daqueles que costumam estar do outro lado; de ouvintes a participantes com suas histórias. A ideia evoluiria para entrevistas com comunicadores de todas as áreas.
 
Mas faltava algo, as vinhetas. Num estalo me veio à mente: Já pensou se eu conseguisse falar com o Nabor Prazeres e pedisse para ele gravar as vinhetas; a voz dele anunciando meu programa.
 
Fiz alguns contatos e o Rubens Flores, mais conhecido como Rubinho, me passou o número de telefone do Nabor.
 
A ligação. Do outro lado da linha quase 30 anos depois não era a secretária para anotar meu nome, era ele, o Nabor. Claro que ele não me conhecia. Disse a ele que gostaria de ter sua voz em minhas vinhetas. Ele, educadamente, disse que estava aposentado e não gravaria as vinhetas.
 
Então, diferente de 30 e tantos anos antes quando queria conhecê-lo e não falava, dessa vez falei. Eu disse ao Nabor: “Sabe seu Nabor, eu costumava ouvir o senhor quando apresentava seus programas na rádio Santa Catarina. Ganhei muitos prêmios com a intenção de conhecê-lo e estive na emissora muitas vezes e nunca tive coragem de pedir para conhecer o senhor e os estúdios. Agora, aos 40 anos, vou estrear no rádio e a emissora em que eu vou apresentar o programa fica exatamente na esquina da rua onde morei por 35 anos e que por tantas vezes saí para ligar para a rádio. Então, seu Nabor, eu apenas havia pensado na honra que seria ter sua voz em minhas vinhetas, mas se está aposentado e não pode, entendo”.
 
Do outro lado da linha o homem que eu nunca havia visto pessoalmente falou: “Do que mesmo você precisa? Vou gravar suas vinhetas”. Fiquei emocionado e perguntei o preço, talvez eu nem pudesse pegar. Ele disse: “Não vou te cobrar nada, será uma honra para mim”.
 
Eu enviei a ele por e-mail os textos das vinhetas, abertura, passagem e etc. Dias depois ele me enviou as gravações. Não me cansava de ouvir o Nabor dizendo: “Agora, na rádio Luar FM o melhor da música e bate-papo - Na cadeira do barbeiro com Deivison Pereira”. “Você está acompanhando o programa - Na cadeira do barbeiro com Deivison Pereira”. “Você acompanhou pela rádio Luar FM o programa Na cadeira do barbeiro com Deivison Pereira”.
 
Por maior que fosse a expectativa de ouvir o primeiro programa que iria ao ar no domingo, dia 02 de junho de 2013, às 22h, gravado dias antes com o primeiro convidado, o jornalista, Clayton Ramos; só de ouvir as vinhetas já me sentia realizado. Quando imaginária isso?
 
Uma entrevista mais do que especial. Finalmente, uns 3 meses depois da estreia do programa, eu iria entrevistar o dono da voz e da competência que tanto havia contribuído para o desejo de trabalhar em rádio. Fui até buscá-lo em sua casa. Inacreditável. Ele estava ali no estúdio, não no da rádio Santa Catarina onde os estúdios eu nunca conheci, e sim na rádio onde eu apresentava o programa e agora o entrevistava.
Ouvir sua história, trajetória, inúmeros fatos interessantes sobre sua atuação como radialista e coordenador de várias emissoras, sua opinião sobre a qualidade do rádio atualmente; foi mais que especial. Ao sairmos do estúdio pude mostrar para ele a casa na qual havia morado por 35 anos.
 
Em 1981 não lembro de ter ouvido a minha voz no rádio naquela gravação feita na escola.
 
Mas em meados dos anos 80 a voz do Nabor marcou algo em minha vida; o amor pelo rádio e a comunicação.
 
Até hoje, quando paro para ouvir algumas das mais de 50 entrevistas é marcante a presença do Nabor Prazeres em cada programa, em cada vinheta. Na verdade o nome do programa - Na cadeira do barbeiro - ganhou força na voz do Nabor - Aquela voz no rádio!
 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Mãos ao alto, Bela Vista!

Quem sabe se essa frase ainda é usada pelos bandidos; inúmeras outras expressões podem ser usadas, e nada mudará a sensação de impotência, de frustração, decepção, raiva; um desejo por justiça, mas onde ela está?
 
Moradores de todo e qualquer bairro que passe pela crescente violência não fique se perguntando o motivo do nome: Bela Vista. É apenas porque escrevo essa coluna a partir do bairro onde moro desde que nasci, há 44 anos.
 
Se antes ouvíamos relatos de casos de violência do eixo - Rio de Janeira e São Paulo, já não é novidade que ela chegou na Grande Florianópolis; e pior do que isso, é difícil quem não passou por um ato de violência/roubo/assalto, ou não conheça alguém que tenha passado.
 
Como se não bastasse uma crise ética, moral, política e econômica a população ainda passa por uma onda de crimes entre assassinatos, estupros, furtos e muitos, muitos casos de assaltos a mão armada.
 
Passei por isso há pouco mais de dois anos, na ocasião estava o meu filho caçula que tinha 15 anos. Estávamos comprando cachorro quente. Pai e filho que trabalhavam duro, a noite, foram roubados e humilhados. O filho, um adolescente que devia ter a idade do meu, após o assalto se ajoelhou para juntar as moedas que o ladrão havia deixado cair. Não é humilhante?
 
E eu? Já estava com a carteira na mão e a altura do rosto quanto começou o assalto. Lembro que havia 90 reais na minha carteira; uma de 50 e duas de 20 reais. Por incrível que pareça, lógico que não foi por coragem ou ousadia; apenas fiquei pensando: “Estamos em dezembro, um mês de muita correria no trabalho, parar para refazer os documentos, entregar na mão dele, se ele quiser ele que pegue, não vou dar na sua mão. E se eu disser para ele deixar pelo menos o dinheiro para pagar nosso lanche, será que o ladrão vai ficar irritado? Meu filho está tranquilo. E se eu tentar desarmá-lo?”
 
Sério, tudo isso passou pela minha cabeça em segundos. Por isso não critico quem reage. Passei a entender que quem reage não o faz de maneira consciente, pelo menos não em todos os casos, é um lapso; não fomos e não somos e nem deveríamos estar preparados para isso. Quem bom que não reagi. Também não entreguei a carteira. Mantive meus 90 reais e meus documentos numa calmaria de dar medo.
 
Certo dia, um especialista em Segurança Pública, na melhor das intenções, dava conselhos no programa da Fátima Bernardes de como agir ao ser assaltado. Isso mesmo: Dicas e orientações sobre o que fazer e o que não fazer na hora de um assalto. Claro que visa nossa segurança, mas é rídiculo que tudo que o Estado tenha para oferecer seja isso.
 
Ou será que há mais? Na comunicação podemos fazer algo? Pessoas são assaltadas em pontos de ônibus antes de ir para um duro dia de trabalho. Outros são assaltados à luz do dia ou nas ruas ou em seus comércios. E ainda outros ao fecharem suas lojas ou ao chegarem em casa.
 
Importante lembrar que a polícia Militar tem feito seu trabalho. É comum policiais ficarem por mais de 4 horas numa delegacia para efetuar uma prisão de um bandido que será solto no máximo no dia seguinte.
 
São José costuma ter uma média de 4 viaturas circulando (muitas vezes menos) quando segundo estudiosos deveria ter 60. E quando dois policiais ficam mais de 4 horas para efetuar uma prisão é uma viatura a menos.
 
Por ora é isso, só isso; dizer para tomar cuidado.
 
Em todo caso já estamos com a sensação de - mãos ao alto!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Experimente!!!

Dizer que todos somos especiais pode deixar dúvidas. Ser ou não uma pessoa especial pode envolver até que ponto estamos dispostos a aceitar algo novo.

O nosso paladar pode, por vezes, junto ao desejo dos olhos, querer provar ou experimentar algo que parece gostoso. Até pelo incentivo de um amigo que empolgado e gentilmente, diz:
“Experimente! Não vai se arrepender, pelo contrário, talvez nem sobre pra mim”.

E depois de provar algo que extasia o paladar; que nos faz sentir nas nuvens, é provável que peçamos a receita e o novo prato fará parte do nosso cardápio; iremos apresentá-lo com orgulho a outros amigos.

Certo dia somos incentivados a provar outra coisa; um amigo, ou mesmo nossa consciência talvez nos aponte algo e diga: Experimente!

Experimente ouvir com calma e atenção; seja seu filho, marido ou esposa; talvez um colega ou vizinho que têm nos irritado, mas insiste que tem algo a nos dizer. Experimente ouvir.

Experimente ser paciente ao volante, seja ao buscar um lugar para estacionar ou com o carro parado a sua frente no semáforo; não meta a mão na buzina assim tão rápido. Experimente.

Experimente no supermercado ou na padaria, ao ser atendido dizer: Bom dia, boa tarde ou boa noite. E antes de fazer seu pedido use o: Por favor, ou por gentileza. Ao final do atendimento: Muito obrigado.

Experimente ao pegar sua senha em uma fila, entregá-la a pessoa que está atrás; sim, dê a vez. Loucura? Experimente.

Experimente tratar com respeito opiniões religiosas, políticas e esportivas diferentes das suas. Experimente.

Experimente dar o benefício da dúvida. Será que estamos sempre ou quase sempre com a razão? Experimente.

Acima de tudo, experimente a sensação da gentileza. O sabor e as reações de agir com bondade com conhecidos e desconhecidos; não apenas naquelas épocas de fim de ano em que muitos saem se beijando e abraçando e desejando tudo de bom; geralmente, isso morre por ali. O ano nos dá pelo menos 365 oportunidades de nos tornar especiais.

Dizer que todos somos especiais com certeza é um engano. Mas dizer que - todos podemos ser especiais - é uma grande verdade. Não é para todos; apenas para os corajosos e aptos a novos sabores e sensações.

É essencial - Experimentar. Então: Experimente!!!

domingo, 21 de maio de 2017

Cardápio Moral



Logo que chegamos a um restaurante recebemos um cardápio. Nossos olhos percorrem vertical ou horizontalmente em busca ao que nos agrade, atenda aos nossos desejos, apetite e bolso. As possibilidades costumam ser variadas e os gostos também variam; agora é fazer o pedido e aguardar. Há também um “cardápio - ético e moral”; esse também nos dá escolhas, mas até que ponto?



O cardápio ético-moral nos traz muitas possibilidades, entre elas, ser honesto, trabalhador, procurar ser justo, bem educado, gentil, simpático, empático, estudioso, bom ouvinte, respeitar o próximo e muito mais.



Um cardápio vem sendo colocado nas mãos do povo; há escolhas, possibilidades de mudanças, de progresso, mas quão extenso e verdadeiro é esse cardápio?



Nas primeiras eleições diretas pós-ditadura, em 1989, mais de 70 milhões de brasileiros usando o cardápio oferecido foram às urnas e fizeram o seu “pedido”.



Nos últimos 28 anos houve 7 eleições; 4 presidentes diferentes foram eleitos e seus conhecidos nomes dispensam apresentações.



Nesses cardápios o que havia de diferente? O que havia de igual?



Na maior parte houve certa “indigestão”. Por quê?



Vivemos numa época onde algumas frases que causam “indigestão e enjoos” estão se tornando comuns. O cidadão lê ou diz: “Ele rouba, mas faz”.

Ou ainda: “Entre tantos, o fulano parece ser o menos pior”. E também: “Eu até votaria no candidato 1, mas as pesquisas apontavam para o 2, então, pra que desperdiçar meu voto no 1?”



Alguém poderia apontar a culpa para quem oferece o deficiente cardápio, outros, para quem o aceita. Quando há possibilidade de escolher um restaurante com especialidade em carnes, massas ou frutos do mar, ainda assim o cardápio costuma dar muitas boas opções; o que não ocorre com o cardápio político onde a ética e a moral deveriam ser “as especialidades da casa”.



A população passou a ter um certo apreço quando um assaltante não usa de violência; o roubo ficou em segundo plano, pelo menos o bandido não atirou e ninguém se machucou.



Até quando ocorre um bom atendimento por um funcionário público ou de alguma empresa; qualquer gesto de delicadeza, de prontidão, de boa vontade; diante gestos que deveriam ser a regra ficamos maravilhados por sua raridade.



Será que vamos criar filhos e nossos filhos seus filhos com esse cardápio? O menos pior… O que rouba menos… O que rouba, mas faz.



A imprensa pode colaborar mostrando que há opções, mas há? O jornalismo ora criticado ora elogiado tem por uma de suas finalidades - a verdade. Verdade pra quem?



Não é novidade que a imprensa não é tão livre o quanto alguns pensam. Crer que é verdade porque “deu no jornal” é muita inocência ou talvez incoerência.



Já estamos nesse imenso “restaurante” com seus “garçons” nos entregando aquele cardápio de sempre; com poucas e péssimas opções. Enquanto alguns se retiram outros creem e permanecem.



Será que há como dizer ao “garçom”, “por favor, me traga outro cardápio, já vi esse dezenas de vezes e é horrível.



Se o cardápio for sempre o mesmo logo ficaremos viciados, dependentes, ou então fecharemos o “menu” e buscaremos alimentar a mente com ética, moral e a verdade.

sábado, 6 de maio de 2017

Incrível. É verdade...

Uma descoberta para alguns; o óbvio para muitos. Parei de culpar ao tempo ou a Deus.

Como poderia alguém sobreviver com um dia de apenas, 24 horas? Um mês com 30 dias, exceto janeiro, março, maio, julho, agosto, outubro e dezembro, com 31? E fevereiro com 28 e lá uma vez ou outra com 29?

Uma semana com 7 dias; e o que se faz em 7 dias?

Se somar um ano não passa de 365 dias?

Não era privilégio ou castigo só meu. Nem castigo é. É para todos, e o suficiente ao que realmente importa. Viver, dormir, trabalhar, se alimentar, amar, compartilhar, produzir e sonhar; e sabe lá o que mais.

E nesse - sabe lá o que mais - é que por vezes nos perdemos no tempo, na falta dele, e não que ele seja escasso, mas nós aceitamos fazer tantas coisas de uma só vez, como se fosse a última oportunidade, ou nosso último dia.

Augusto Cury, em alguns de seus livros comenta que uma criança de 7 anos hoje tem as informações de um imperador romano no auge do seu poder.

Pais bem intencionados sobrecarregam os filhos para protege-los e prepara-los, para o que mesmo?

Então, a quem cabe a culpa? A quem construiu uma bela loja e colocou nela coisas excelentes ou quem tem os dois braços tão carregados que não consegue abrir a porta para sair e usufruir o que tomou de bom?

Tenho notado que o tempo é igual para todos. A diferença, assim como com o dinheiro é como usá-lo, como e no que investir?

Viver, dormir, trabalhar, se alimentar, amar, compartilhar, produzir, sonhar; o que vem primeiro varia de pessoa para pessoa, mas lá na frente, senão ainda hoje, notaremos o quão bom investidores somos de um bem valioso que está a disposição de todos; o tempo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Policiais por horas na delegacia...

Sugiro ao leitor conversar mais com os policiais, em especial os militares.

Há dias em que temos 4 viaturas circulando no município de São José, há dias em que há menos.

Quando policiais chegam com um bandido na delegacia não é incomum ficarem ali por 4 horas ou mais. Questões burocráticas?

São José deve ter uma população de cerca de 250 mil habitantes; logo sabemos que o número de policias está bem abaixo do que é recomendado e necessário.

Então, quando policiais ficam, 4, 5 ou 6 horas com um ladrão na delegacia ou ainda levando-o ao hospital quando preciso, temos uma ou duas viaturas a menos circulando.

A culpa é de quem? A culpa é de quem? As perguntas fazem lembrar um trecho de uma das músicas da banda Legião Urbana. Mas a pergunta é séria e merece resposta.

Mais do que saber de quem é a culpa é saber qual será a solução. Com certeza deve haver!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Nos pensamentos ou na ponta da língua?

A frase é conhecida e indiscutível: "Somos senhores do nosso silencio e escravos das nossas palavras".

Mas como saber se falamos ou guardamos?

Há coisas tais como verdades, revelações, pedidos de perdão e expressões de amor que se guardadas podem ser pronunciadas lá no funeral do interlocutor. E de que adiantará?

Existem outras coisas que se faladas trarão problemas, dores, aflições, dúvidas e até remorso.

Eis o momento em que atuamos como juízes. Bateremos "o martelo" nos declarando - senhores ou escravos. E em ambas as posições afetaremos também a outros.

Então, nós é que decidiremos se...

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Quando bandido mata bandido

Muitas pessoas dizem: "Enquanto bandido mata bandido, tudo bem, é um a menos". Será?

Quando há disputas por territórios entre facções e traficantes é sinal de que existe uma perigosa luta ou guerra por essas áreas ou regiões.

Por anos ouvimos falar sobre disputas assim no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outros lugares.
Agora é por aqui?

Se falávamos que um dia a Grande Florianópolis ficaria igual aos lugares acima mencionados; chegamos a esses lamentáveis dias.

Comerciantes trabalhando com portas fechadas; e há lógica um comércio com portas trancadas em horário comercial?

Há insegurança para quem vá a um ponto de ônibus lá pelas 6h da manhã.

E quando bandidos começam a disputar territórios e matam outro bandido não há um a menos - há mais bandidos e mais perigosos.

É porque a situação da segurança vai de mal a pior!

sexta-feira, 31 de março de 2017

Breves equívocos


 Por volta das 17:00h seu Valdemar está assistindo televisão quando toca o telefone:

- Alô. Boa tarde!

- Boa tarde, vô. Tudo bem?

Seu Valdemar tem 23 netos. Conseguir lembrar o nome de cada um deles é desafiador, quanto mais reconhecer pela voz, afinal de contas, o vovô tem 80 anos.

Seu Valdemar pensou em, Eduardo, Vinícius, Ricardo, Thiago, Marcos, Mateus, Natã, Victor, 

Guilherme, Lucas; quem seria? Decidiu; só pode ser o Lucas. Mas por via das dúvidas, chamaria o 
Lucas de, meu neto. Seu Valdemar, depois de alguns segundos de reflexão, segue a conversa:

- E você, meu neto, como vão as coisas?

- Estou bem, meu avô. Com saudades do senhor. Desculpe não ter passado aí nas últimas semanas, além da correria ando com muita tosse.

Seu Valdemar ficara preocupado com o neto, Lucas, porque ele falava quatro ou cinco palavras e já tossia. O pobre neto devia estar muito gripado, pensou o avô. Seu Valdemar segue o papo com o neto:

- E seus pais, estão bem?

- Ah, estão bem sim. Com saúde e trabalhando bastante. Pediram que eu mandasse um abraço ao senhor.

- Obrigado, meu neto. Mande outro a eles.

- E o vô, como está de saúde?

- Estou bem. Claro, com 80 anos não tenho do que reclamar.

- Está sozinho em casa, vô?

- Sim. Tua avó saiu faz tempo e ainda não voltou.

- Agora o rapaz do outro lado da linha sentira um calafrio. Um aperto no peito. Sua avó havia morrido há dois anos e não sabia nada sobre o avô ter se casado; ainda mais dizer: sua avó saiu. 

Imaginou que pudesse ser Alzheimer. De qualquer maneira não iria se aprofundar no assunto. Pobre do avô, aguardando o retorno da esposa que havia falecido havia dois anos.

O avô retomou a amistosa conversa:

- Meu neto, estou preocupado com essa tua tosse. Já tomou algum xarope?

- Eu até tomaria se fosse só gripe, mas essa tosse é do maldito cigarro. Está acabando comigo, são 8 anos fumando.

Dessa vez foi seu Valdemar que ficou pasmo. Ele tem 11 filhos e 23 netos, nenhum de seus filhos e netos jamais fumara. Chegou a cogitar: Será que estou tão esquecido? Meu Deus, e se for àquela doença que a pessoa esquece tudo, como é mesmo o nome? Resolveu aconselhar o neto, e dessa vez o tratando por nome para mostrar preocupação e firmeza:

- Lucas, por favor, te cuida. Pare de fumar, por mais que seja difícil!

O rapaz, perplexo, respondeu:

- Lucas? O senhor me chamou de Lucas? Meu nome é Gustavo. Sou filho do Reginaldo e da Clarice. 

-Vô Antônio, o senhor está bem?

- Antônio? Você me chamou de Antônio? Meu nome é Valdemar e não tenho filho ou filha chamado 

Reginaldo ou Clarice!

- Perdão. O senhor me desculpe. Liguei o número errado!