segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Da barbearia à comunicação




Tive uma boa infância e alcancei àquelas brincadeiras que deixaram saudades.

Mas uma das coisas na qual pensava na minha infância e adolescência era: qual será a minha profissão?

Passei por vários trabalhos desde os 6 anos quando comecei a vender deliciosas bananas recheadas feitas pela minha mãe, dona Olga.

No entanto, foi somente no dia 10 de outubro de 1996 que comecei a trabalhar na profissão que me levaria, e eu jamais imaginara, a outros lugares, ou a antigos sonhos.

Meu casamento com a profissão de barbeiro pode ser comparado a um daqueles casamentos por conveniência lá do passado; ou será que ainda acontecem?

Digo por conveniência porque sabia que queria me casar, ter filhos e ter uma profissão.

A ideia veio quase que por acaso. Fui em frente, fiz 2 cursos e lá se vão 21 anos. Creio que uns 55 mil atendimentos. Muitas amizades. Muitas saudades de clientes amigos que já faleceram. Me lembro de uns 50 talvez 60. Desses lembro desde seu corte de cabelo até para que time torciam ou que tipo de assuntos gostavam de conversar.

O tempo passou e algo me incomodava, alguma coisa faltava, mas o quê?

Resolvi escrever. Troquei ideias com a escritora e hoje especialista em gestão e segurança no trânsito, Irene Rios, o jornalista Luiz Carlos Prates e meti a cara.

O primeiro livro me trouxe uma grande lição: eu não sabia que não sabia escrever; pensei que fosse simples como falar. Daí o segundo e o terceiro, e ainda havia muito a aprender.

Em junho de 2009 por indicação do amigo jornalista, Fábio Machado, fui entrevistado pelo editor chefe dos jornais Em Foco, Ozias Alves Junior, que me convidou para ser colunista em seus jornais.

Em meio a estudos por conta própria o lançamento de mais livros, montagem do meu blog e um convite muito especial do nosso grande mestre do jornalismo e publicidade, Antunes Severo. Ele me convidou para ser colunista do Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia.

Mas por esses dias eu estreava o programa de rádio - Na cadeira do barbeiro, na rádio comunitária Luar FM. Tive a alegria de criar, produzir e apresentar esse programa por quase 3 anos; espero voltar.

Antunes Severo, animado com teor do programa, entrevistas como nossos comunicadores, mais de 40 viriam a participar, passou também a reprisá-lo no Caros Ouvintes.

Em 2013 Severo perguntou se eu já havia feito meu registro de jornalista. Por uma decisão que causou polêmica, mas já não era sem tempo, em junho de 2009 o Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 1 entendeu que exigir o diploma de jornalista fere a Constituição Federal. Assim como nos Estados Unidos, em mais de 20 países da europa e outros países, embora haja boas faculdades de jornalismo, não há na maioria deles a obrigação de faculdade para exercer a profissão. Há os que concordam e os que discordam da decisão do STF. Deixo minha opinião pessoal e profissional para outra coluna.

Ainda em 2013, depois do incentivo de Antunes Severo, com as colunas nos jornais Em Foco, no Caros Ouvintes, meu blog, a produção e apresentação do programa de rádio, recebi meu registro de jornalista, conhecido como - MTB.

Hoje, além da barbearia e das colunas semanais também estou cursando licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela faculdade Estácio de Sá. Não desisti de aprender a escrever e como recompensa muitos outros conhecimentos acompanham essa bela faculdade.

E foi assim, entre um cliente e outro; entre muitos relatos e histórias; de ouvir e de perguntar que acabei chegando à comunicação. Diga-se de passagem que a rádio na qual apresentei meu programa ficava na rua em que nasci e morei por 35 anos. A mesma rua de onde por inúmeras vezes saia em busca de um telefone público, o antigo, orelhão, para gastar fichas telefônicas e ligar para as rádios. Não era tanto pelos prêmios, mas pelo desejo de conhecê-las por dentro.

Por isso amigos leitores, sempre tente ver além. Além daquilo que está diante os nossos olhos. A profissão é em muitos casos um casamento, mas seja ele por amor ou por conveniência ele pode trazer grandes surpresas.

Tive vários momentos especiais nesses 21 anos de barbearia e 8 de comunicação; o que não teria ocorrido não tivesse arriscado. Talvez até hoje não teria descoberto que mal sabia escrever.

E no teu caso, como anda o seu casamento com a profissão? A quantas anda esse caso de amor? Pense, planeje, troque ideias com pessoas interessantes e viva feliz, seja no atual ou no novo casamento profissional!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Quanto vale o tempo?

Quanto vale o tempo?

Com certeza a resposta tem haver com cada pessoa, seus valores, interesses, ambições, desejos, necessidades e crenças.

Se até num carro, numa casa ou apartamento colocamos um preço, parece comum a nós dar valor a coisas as quais consideramos importantes.

E o meu tempo, e o seu tempo, quanto vale? Como medir ou calcular?

A única tabela de valores parece estar em nossa mente, nosso “coração”.

Tempo todos nós temos; e há nisso certa democracia. São os mesmos 365 dias por ano, os 12 meses, ou 24 horas por dia. Há então pelo menos dois pontos:

Primeiro: Como o encaramos ou entendemos. Segundo: Como o usamos ou aproveitamos.

Quantas vezes ouvimos pessoas que passaram por uma grave doença ou acidente que quase lhes tirou a vida, dizerem: “Hoje, dou mais valor ao meu marido ou esposa, aos filhos, meus pais, aos amigos, ao cantar dos pássaros, ao fato de acordar e respirar”.

Há uma música que em parte diz: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer… devia arriscado mais, trabalhado menos…” Titãs: Epitáfio (Do grego: sobre o túmulo)

Poupar dinheiro parece ser uma decisão inteligente e coerente. Mas, e o tampo, por que poupá-lo?

Algo do tipo: Deixar para ser feliz amanhã. Trabalhar muito, fazer um “pé de meia” para curtir bem uma velhice que sejamos sinceros; não sabemos se chegará para nós.

Se até o dinheiro guardado pode não ser aproveitado que dizer do tempo?

Poucos dias antes de escrever essa coluna fui ao funeral de um amigo. Seu filho, também meu amigo, por vários minutos ficava acariciando os cabelos do pai, uma ou duas horas antes da cerimônia de cremação. Sei que na verdade, ele queria ter feito aquele afago, aquele cafuné no pai enquanto ele pudesse senti-lo. Mas por que relutamos em demonstrar o carinho, o amor, o perdão, até que o pior aconteça?

É ser dramático demais dizer que essa pode ser minha última coluna? Alguns dirão: “Ui, vire essa boca pra lá, estás louco?” Não. Apenas consciente que não temos certezas sobre minutos, horas e dias a frente; temos planos, talvez muitos planos, mas certezas fogem às nossas escolhas.

Creio que não há quem não concorde que o tempo parece estar passando rápido demais.

É impressão? Pode ser. Mas dá impressão que não é mera impressão. O excesso de informações, de atividades e preocupações fazem as horas, dias, meses e anos passarem “voando” diante os nossos olhos.

Já li há anos a história do menino que tinha um pai muito trabalhador, muito ocupado. Um dia o menino perguntou o quanto o pai ganhava. O pai respondeu. O menino fez um cálculo, poupou e surpreendeu o pai. Se aproximou dele e disse que queria muito falar com ele. Quando o pai disse que estava muito ocupado e com pressa para sair; o filho tirou o dinheiro do bolso e disse que pagaria por uma hora de atenção do pai. E pior que a história parece ser real. E não deve surpreender por ser real.

Pais sobrecarregados. Filhos com tantas atividades que nem têm tempo de serem crianças.

Pais dedicados e preocupados com o futuro dos filhos e com medo que sejam vítimas das drogas lhes enchem de atividades, mas raramente se incluem nelas.

Há pouco tempo pensei: “Por que Deus fez o dia com apenas 24 horas?”

Só depois percebi o engano no meu pensamento. O dia de 24 horas, o ano de 12 meses ou de 365 dias está perfeito. Eu é que estava tão atarefado como quem está em uma loja, adquiri vários produtos legais, normais, mas as mãos estão ocupadas demais para abrir a porta e sair. Então notei que uma das mãos tinha que estar livre, pelo menos uma, para abrir a porta ver que há muito mais de belo e sem preço a apreciar.

Olhar um pôr-do-sol, um céu estrelado, o mar, o sorriso dos filhos, a voz dos pais, o carinho do cônjuge, o abraço dos amigos, a paz de Deus, a boa música, o canto dos pássaros, as brincadeiras do cachorro, o sabor de uma boa comida, o descer de uma boa bebida; o se permitir amar e ser amado, o perdoar e se perdoar; ah se somar tudo isso, quanto custaria?

Custaria tempo para usufruir e fazer acontecer. Só custaria isso - Tempo. E quanto ele vale?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Há democracia?

Há milhões de pessoas que dirão que vivemos num país democrático; assim como também existem milhões de pessoas que falam de países que são comunistas. Talvez, aqueles que creem que há países comunistas até os citem por nome, mas se estudarem e entenderem o que significa dizer que um país é - comunista - vão repensar.

Historicamente falando a - democracia - foi criada em Atenas, Grécia.

Demos: povo. Kratos: poder. Deveria ser igual a: “poder do povo ou governo do povo”.

O velho e bom companheiro - Dicionário - nos faz lembrar que democracia é: “Governo do povo. Sistema político baseado na participação do povo, etc”.

Lá na Grécia antiga, em Atenas, berço da democracia, havia o costume de se estabelecer um certo padrão. Apenas homens podiam participar dos temas levantados, e não bastava ser homem, tinha que ter provas do seu poder financeiro. Se tivesse pouco, ou fosse muito pobre, ficava de fora. E claro que as mulheres, estrangeiros e escravos também eram excluídos.

Ainda assim é fato que na Grécia antiga se deu o “ponta-pé” inicial, que viria a se desenvolver em muitos lugares e trazendo benefícios. Já em outros países ficaria só no nome, assim como o comunismo, sistema que de acordo com o padrão e essência da palavra nunca houve e não há em nenhum país no mundo. O que há são adaptações; se leva o nome de comunismo, mas bem longe dos ideais daqueles que um dia o sonharam.

É fato que em muitos campos, seja na religião, em escolhas pessoais, ou certa medida de liberdade de expressão a democracia se demonstre, em outros ela dá o que pensar.

Em termos de democracia podemos pensar numa breve e simples história que me veio à mente. Imagine um casal saindo em busca de saborear uma deliciosa pizza. O casal toma conhecimento de que existem em sua região mais de 200 pizzarias. Imaginam quantas boas possibilidades têm a sua escolha. Mas no caminho são barrados por alguém que ao saber de sua busca lhes diz:

- Na realidade temos aqui uma lista com o nome de 6 pizzarias. Fiquem a vontade para escolher qualquer uma delas - O casal, pasmo com a notícia, argumenta:

- Mas sabemos que existem mais de 200, talvez mais de 300 pizzarias, porquê não podemos escolher?

- É que essas foram pré selecionadas e sua escolha se baseia nessa restrita lista.

- Restrita? Além de tu dizeres que é restrita onde fica nosso direito de escolha, nosso direito democrático? Veja bem, meu amigo. Dessas 6 possibilidades há duas completamente desconhecidas, vejo outras 2 que sei serem bastante questionáveis e as outras 2, não confio nem um pouco, aliás, sei que não valem a pena.

O marido olha para a esposa e pergunta:

- E agora, escolhemos a menos pior, ou vamos embora?

Na escolha de uma pizzaria, churrascaria, salão de barbeiro ou cabeleireiro, médico ou dentista parece haver muitas opções, e liberdade de eleger a melhor; não simplesmente a - menos pior.
Se elegemos uma pizzaria e chegando lá encontramos uma barbearia; ou escolhemos um bom médico e nos levam a um no qual não confiamos com certeza não sentiríamos respeito a nossa liberdade.

Obrigações em fazer assim… Obrigação em optar entre fracas opções… Escolher uma e cair em outra.

Se fosse em Atenas, na Grécia antiga, ficaria claro que apenas alguns decidem. Hoje mudou muito. Ou teria mudado pouco? Quem de fato decide? Se diante centenas de opções nos é apresentado apenas meia dúzia e de baixa qualidade, fica a pergunta:

A culpa é de quem? Há democracia? Talvez, mas com várias restrições!


sábado, 9 de setembro de 2017

Quando a morte ronda a mente



No Brasil são 32 pessoas por dia, é o 8º país no mundo. No mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa é atingida por esse mal. O problema se intensifica a partir do momento em que as vítimas deixam outras vítimas; familiares e amigos. Esses se perguntam: “Por quê?”. “Como eu não percebi?”. “O que eu poderia ter feito para ajudar; eu poderia ter impedido?”.

Esses índices e pensamentos são dados alarmantes e não podem passar despercebidos, não podem ser “varridos para debaixo do tapete das ilusões e da indiferença”. Afinal de contas, se a morte em si já deixa dor, sofrimento e saudades, imagine lidar com a perda de alguém amado que tirou a própria vida.

Quem tira a própria vida? Quem se torna seu próprio assassino? Que tipo de problemas essas pessoas enfrentaram? Elas dão sinais de que as coisa não vão bem e podem se matar?

Segundo a psicóloga, Ana Cláudia de Souza: “As pessoas propensas ao suicídio, são aquelas que estão passando por dificuldades na sua vida de relações”. Ela acrescenta: “Não existe alguém com tendência biológica ao suicídio...o suicídio é uma saída inventada num momento de desespero”.

Ana Cláudia ainda explica: “As pessoas para entrarem numa situação de desespero estão experimentando uma situação de solidão; não tendo com quem contar… estão isoladas de certa forma… os sinais sempre existem, mas geralmente quem está ao redor não consegue perceber”.

Estão entre os que cometem suicídio; idosos, jovens entre 15 e 29 anos, além é claro de adultos e crianças.

Os sinais, para quem é da família ou amigo, parecem ficar claros após a tragédia.

Quando uma pessoa se decide pelo suicídio ela entra no que muitos terapeutas chamam de - falsa calmaria. Ou seja, aquela pessoa que parecia estar muito mal, de repente, demonstra uma súbita melhora. (Faz lembrar uma expressão popular da chamada - melhoradinha da morte, onde alguém muito doente parece apresentar uma rápida melhora em sua saúde e ânimo)

Por vezes o suicida dá sinais por resolver algumas coisas pendentes, organizar documentos e até distribuir presentes.

O psiquiatra, Guido Palomba, diz: “A questão do suicídio sempre está ligada a uma mente perturbada, que precisa de tratamento; sem transtornos mentais não há suicídio”

Os especialistas nos lembram de algo bastante lógico: “O instinto primário humano é o da preservação da vida e não tirá-la”.
E a imprensa? Um considerável número de psicólogos e jornalistas concordam que a imprensa não deve anunciar casos de suicídio, mas são a favor de boas campanhas de prevenção.

O psicólogo Manoel Marinho, também a favor de boas campanhas de prevenção, lembra da cautela que se deve ter ao mencionar o suicídio. Marinho alerta para o cuidado com expressões que podem ser - mal interpretadas por alguém propenso ao suicídio, por isso jornalistas, psicólogos e psiquiatras precisam trabalhar juntos a fim de evitar equívocos sobre o que dizer e escrever.

A religião. Por mais que cumpra um importante papel na sociedade certos conceitos e afirmações religiosas servem também como uma pancada nas famílias, um peso a mais.

Por exemplo, se religiosos vão até presídios realizarem suas evangelizações e dizem a um detento que já matou uma ou mais pessoas, estuprou, sequestrou e fez outras barbaridades, que ele, o criminoso, se arrepender dos seus crimes o Senhor a de perdoá-los; fica a questão: Se até criminosos têm direito ao perdão de Deus, por que alguém que num estado de perturbação mental chegou ao ponto de tirar a vida não teria direito ao perdão do Supremo Juiz do universo, amoroso e conhecedor dos “corações” humanos?

Ora, e quem se mata por ter ganhado na loteria, porque os filhos se formaram na faculdade, por ter se curado de uma grave doença ou por conseguir se aposentar? Nós nos matamos para nos aposentar?

Quem chega ao ponto de cometer suicídio está completamente doente, fugiu-lhe a razão, as esperanças; não quer dizer que não seja alguém que não tenha fé em Deus. Pessoas com fé também adoecem; câncer, diabetes e outras doenças. Só precisamos abrir a mente para entender que depressão e outros transtornos mentais são problemas que fogem ao controle dos que a têm.

A ajuda espiritual com certeza é importante, traz paz mental e equiíibrio. No entanto, na maioria dos casos se faz necessário ajuda profissional; psiquiatras e psicólogos, boa terapia e apoio da família.

Aí entra nosso “olhar” humano, amigo, sensível. Fazer de conta que não é nada de mais e dar exemplos horríveis do tipo: “Vou te levar para ver crianças com câncer ou outras doenças, aí tu me dizes se tens algum problema”. Que oportunidade de ficar com a boca fechada foi perdida. Frases do tipo só aumentam a dor de quem sofre a depressão.

Também se culpar por não ter percebido os sinais de um parente que se matou não é o caminho. A maioria de nós não o notaria. O que não podemos é fechar os olhos para essa triste realidade.

Pare e pense, a média é de que uma pessoa a cada 40 segundos comete suicídio em todo o mundo; 32 por dia só aqui no Brasil. Quantos se mataram durante os poucos minutos que leu essa coluna?

Há um ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

Esse “criminoso”, denominado, suicídio, pode atingir qualquer pessoa que tenha conflitos e perturbações mentais e não se tratar. É ir na contra-mão do extinto natural de sobrevivência.

Há pessoas lutando com tratamentos dolorosos para manter a vida. Outros aguardam a doação de um órgão. Alguém no mar que tivesse uma ou as duas pernas arrancadas por um tubarão ainda assim se esforçaria para sair de água e continuar vivo.

Por quê? Porque não há nada melhor do que respirar, ver, sentir aromas e sabores, receber beijos e abraços de pessoas amadas, cuidar da espiritualidade, produzir, viver.

Então, se estiver num momento especialmente difícil ou conhece alguém nessa situação saiba que há várias saídas. Procure por psicólogos e psiquiatras. Nada está perdido.

Jamais deixe esse vilão que parece a mais fácil alternativa levar vantagem…

Viva e viva!

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Barbearia - Cabelo, dente e testículos



No dia 06 de setembro é comemorado o dia do barbeiro e a pergunta é: O que o amigo leitor já disse, ouviu, trouxe ou deixou com o seu barbeiro? (Abre-se aqui o mesmo convite às leitoras em relação ao seu cabeleireiro (a), ou manicure)

Aparentemente deixamos somente os cabelos e barbas cortados, mas na verdade deixamos e trazemos muito mais.

Quantas coisas do dia a dia, problemas, dúvidas, perturbações, alegrias e realizações já compartilhamos nas barbearias, caso tenhamos frequentado muitas, algumas, ou mesmo uma única?

Nas barbearias expressamos nossas opiniões e com educação ouvimos a dos outros; que espaço democrático!

Para os que pensavam que as barbearias estavam em extinção se surpreenderam.

As barbearias e barbeiros estão em constantes avanços, e que avanços. Se antes os barbeiros ofereciam cabelo, barba e bigode com o tempo passaram a prestigiar seus clientes com uma TV colorida, depois com TV a cabo. As coisas foram evoluindo e até ar-condicionado já havia em muitas barbearias. Mas não parou por aí; chegou a internet, agora computadores também estavam a disposição dos fregueses e dos barbeiros para seus mais diversos usos. E como o progresso não para muitos salões instalaram videogames para seus clientes. Chegamos a um momento em que as velhas e boas revistas, ainda que bem vindas aos salões, cederam lugar ao WI-FI. Pronto, agora cada um acessa aquilo que quiser e nem vê o tempo passar. A menos é claro, aqueles que preferem marcar hora para cortar seus cabelos, o que em muitos salões de barbeiros se tornou comum.

No entanto, seja pela crise econômica ou para se ter uma nova e ascendente profissão muitos estão fazendo cursos e abrindo sua barbearia, mesmo que já tenham sua fonte de renda. Se há poucos anos a maior “briga” na concorrência era o preço, hoje não é mais.

Hoje, há barbearias que transformaram a antiga e simples sala/salão de barbeiro em espaços de um novo “universo masculino”. Cervejas, mesas de sinuca entre outros atrativos fazem o homem moderno sentir-se em três lugares ao mesmo tempo: Em casa, no clube e na barbearia.

Mas uma breve visão ou passeio ao passado nos mostra incríveis histórias desses profissionais.

Conta-nos a história que já houve há vários séculos os - Barbeiros-cirurgiões.

Além de cabelo, barba e bigode outros serviços eram prestados pelos barbeiros; entre eles, a extração de dentes, além de sangria, tratar de ferimentos de soldados em guerra, entre outros serviços médicos. Agora, para aqueles que resistem a ir cortar os cabelos, seja adulto ou criança que tenha certa preguiça de cortar os cabelos, pasmem com o que os barbeiros também já cortaram.

No império Bizantino, Constantinopla, havia os - castrati. Homens castrados que tinham voz aguda que cantavam e encantavam seus senhores no coral de palácios e igrejas.

Mas foi na Itália, a partir do século XVI, que os castrati ganharam destaque. O Papa Sisto V baniu as mulheres de cantar em público. A igreja abria assim um caminho sem volta e sem escolhas. As amputações só eram permitidas pela igreja se fosse questão de vida ou morte.

Já se sabia que meninos castrados, preferencialmente antes da puberdade, cresciam e ficavam com vozes agudas; muito importantes nos corais. E como a igreja não permitia meninas no coral, a função ficava para os meninos. Geralmente órfãos, abandonados, ou de famílias muito pobres que entregavam pelo menos um filho para o conservatório da igreja em Nápoles.

Em alguns lugares se lia: “Qui si castrano rapazz”. (Aqui se castram rapazes)

E quem castrava? Entre eles os - barbeiros. Consegue imaginar aquele menino que não quer ir cortar o cabelo nem a “pau”, porque não tem paciência, ou aqueles adultos que não têm tempo ou não querem gastar? Isso para cortar os cabelos; imagine os testículos.

Eunucos a força para o bem do coral de igreja. Belas vozes às custas de partes que os meninos não tinham a opção de dizer: “Não senhor, é só o cabelo mesmo!”

Faz tempo que isso mudou, que bom. Hoje, vamos à barbearia para - cabelo, barba e bigode e os confortos dos modernos salões ou mesmo os mais tradicionais.

Uma coisa é certa, o convívio barbeiro/cliente e cliente/barbeiro vai muito além de cortar cabelos e barbas. Claro que há salões em lugares de grande circulação onde não há tempo para muita conversa e convívio, mas mesmo nesses locais há grandes histórias.

Portanto, quando for ao seu barbeiro, se for possível, deixe sempre alguns minutos para essa troca de experiências e boas discussões, afinal de contas, lá na barbearia tudo pode ser discutido desde que haja respeito de ambas as partes. E não é isso o que precisamos, trocar e ouvir novas ideias?

Digo de “cadeira”, na cadeira de barbeiro na qual escrevi essa crônica que nesses 21 anos de profissão que os salões e os barbeiros atravessam gerações e evoluem. Não cheguei a ser um - barbeiro-cirurgião, mas graças às inúmeras possibilidades e observação me tornei escritor, radialista, jornalista e continuo estudando e pensando: O que mais teremos pela frente além do - cabelo, barba e bigode? O que mais veremos nas modernidades de estilos de cortes e salões?

Uma coisa a de permanecer: Só há barbeiro com cliente, e só existem histórias se mantivermos vivo esse vínculo.

Quando for ao seu barbeiro deixe que a cadeira vire seu divã, seu barbeiro um amigo e tu serás sempre um bom companheiro. De um jeito ou de outro nossas vidas e histórias passam pela - Cadeira de barbeiro.

De preferência com o tema reformulado: Barbearia - Cabelo, barba e bigode!

domingo, 27 de agosto de 2017

http://www2.carosouvintes.org.br/?s=roberto+alves+na+cadeira+do+barbeiro

quarta-feira, 23 de agosto de 2017



Há pessoas que dizem que não têm fé, outros que a perderam. Mas de um jeito ou de outro, admitindo ou não, praticamente todos temos nossa medida de - fé.

O velho companheiro - Dicionário Prático de Língua Portuguesa - diz que fé é:

“Crenças, crenças nas doutrinas de alguma religião. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança”. Nota-se que o termo fé é bastante abrangente e um tanto confuso para muitos.

O agricultor tem fé que as sementes lançadas darão os “frutos” esperados.

Astrônomos e cientistas têm fé de que não haverá alterações no universo sem motivos esperados em seus profundos estudos. Podem calcular que um foguete ou qualquer outro aparelho viajará por centenas de milhares ou até de milhões de quilômetros e mesmo com o passar do tempo e de certos movimentos seus objetivos darão certo, e dão mesmo.

Em tempos de dificuldades esportivas, como o futebol catarinense, por exemplo, a fé parece ser necessária. Avaí rumo a série B. Figueirense rumo a série C; haja fé.

A situação econômica exige ainda mais fé. Aqueles que deveriam estar trabalhando para melhorias do Brasil; no campo econômico, da saúde, da educação, da segurança, da cultura; enfim, de tudo o que a população precisa, estão trabalhando para não ir para a cadeia, para provar sua inocência. Eles têm uma forte fé ou que outra qualidade?

Nessa situação a população precisa de mais fé. Quem neste exato momento está “lutando” pela sociedade?

Confesso que sempre vi com espanto a fé demonstrada no esporte. O jogador que faz um gol levanta a camiseta e mostra o nome de Jesus. Então me pergunto, se o goleiro que sofreu o gol estivesse usando uma camiseta similar também deveria levantar a camiseta como protesto? Teria ele menos fé do que o outro jogador? Ou o Senhor tem um time preferido? O Senhor torce pelo Figueira ou pelo Avaí, pelo Brasil ou pela Argentina?

E sem contar aqueles que fazem uso de imagens religiosas, nome do senhor ou uma breve reza ou oração antes de esmurrar a cara do adversário. Talvez por isso sempre haja muito sangue e dor. E partidas de futebol terminem por vezes - empatadas.

Há outra expressão explicativa para fé: “A fé é a firme confiança de que virá o que se espera,a demonstração clara de realidades não vistas”. Bíblia. Hebreus 11:1

A fé parece ser abrangente; quando se refere à confiança, a fidelidade a compromissos; muitos parecem ter.

Já em termos de espiritualidade é algo ainda mais profundo. Fazer julgamento de juízo de valores é algo que não nos cabe. Até porque a fé pode ser demonstrada ou fingida.
Pode ser positiva ou questionável. Quando um corrupto é apanhado, mesmo diante de provas, gravações e filmagens, ele diante jornalistas e para todo o país, diz: “Eu sou inocente!”. Talvez até ele acredite nisso.

Então, quando um amigo ou amiga der aquele carinhoso tapinha nas nossas costas e sorrindo dizer: “Tenha fé, as coisas vão melhorar”.

E quem duvida que o futuro trará tristes desafios? E quem duvida que as coisas vão melhorar?

Em ambos os pensamentos há uma medida de -fé!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Confira crônicas e entrevistas com nossos comunicadores no Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia. Mário Motta, Laine Valgas, Hélio Costa, Claudionir Miranda, Salles Junior, Paulo Branchi, Raphael Faraco, Leandro Puchalski, Grasiele Aguiar, Marcelo Mancha, Marcelo Mancha, Nabor Prazeres e muitos outros. O melhor encontro é aqui - Na cadeira do barbeiro!
http://www2.carosouvintes.org.br/author/deivison/