domingo, 20 de agosto de 2017

Acompanhe também minhas crônicas e entrevistas nas colunas - Na cadeira do barbeiro - Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia. Confira nesse link: http://www2.carosouvintes.org.br/author/deivison/
"Não me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sensibilidade, inteligência e razão não queira que as utilizemos". Galileu Galilei.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Nossos melhores advogados



Há um dito popular pra lá de interessante: “De médico e louco todo mundo tem um pouco”.

E quem duvida é louco, mesmo que seja médico.

Uma coisa é certa; quando se trata da nossa defesa ou de quem gostamos, em assuntos do cotidiano, falhas, erros e faltas, defendemos e argumentamos como “verdadeiros advogados”.

O oposto é verdadeiro. Quando não gostamos de qualquer atitude de alguém que não seja nosso amigo somos os mais severos “promotores públicos, implacáveis advogados de acusação”.

Há uma breve história de uma mulher que agiu como “advogada e promotora”; o fato de ser uma sogra é coincidência, afinal de contas, ela entra nos dois papéis. A história:

Dona Florisbela recebeu a visita da filha, Ana, que disse de maneira animada:

- Oi mãe, eu tenho uma grande novidade. A senhora não vai acreditar, o Carlos comprou uma máquina de lavar roupas. Estou tão feliz.

A mãe de Ana, sua “advogada, e “promotora” do genro, disse:

- Estava mais do que na hora. Não és escrava para ficar lavando roupas na mão, no tanque!

No dia seguinte dona Florisbela recebeu a visita do filho, Otávio. Ele entra na casa da mãe e diz:

- Mãe, hoje vou comprar uma máquina de lavar roupas para a Julia. Ela está sofrendo para lavar roupas nas mãos e na água gelada do tanque.

Dona Florisbela, mãe e “advogada” de Ana e “promotora” da nora, Julia, diz:

- Mas é só o que me faltava. Tu vais te meter em dívidas porque a donzela não quer molhar as mãos com água fria. Lavei roupas na mão, no tanque, por anos e não morri por isso.

“Advogados e promotores” quando nos convém. Quem melhor do que eu para me defender? Agi assim por isso… Falei aquilo porque ele me disse assim… Não fiz aquele trabalho devido a… Até concordo com o que ele me disse, mas falar dessa maneira…

Desculpas e acusações desenvolvemos bem cedo. Admitir erros e aprender deles é um processo mais lento, mas traz madureza.

Um breve texto para reflexão quanto a nos ofendermos com facilidade:

“Também, não dê atenção a todas as palavras que as pessoas dizem, senão você poderá ouvir seu servo amaldiçoá-lo, pois você no íntimo bem sabe que você mesmo, muitas vezes, amaldiçoou outros”. Bíblia. Eclesiastes 7:21,22.

Isso porque nem falamos em agirmos como “juízes”. Seja nos papéis de “advogados, promotores e juízes”, quando simplesmente defendemos, acusamos ou julgamos de acordo com os nossos critérios, o que na maioria das vezes é fortemente influenciado por sentimos pessoais, parciais e até tendenciosos só facilitam “julgamentos injustos”.

Até a imprensa por vezes faz esses papéis. E por quê?

A dona Florisbela opera em nós mais do que imaginamos. Talvez se formos mais “fiscais” de nós mesmos vamos conseguir calar ou equilibrar esses “advogados” parciais e tendenciosos.

Se a nossa memória estiver boa nos lembraremos agora mesmo qual foi a nossa última defesa ou acusação. Talvez dê tempo de pensar mais e julgar menos!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Justo no mínimo?



Há uma frase elaborada e pronunciada por um homem muito sábio: “Quem é fiel no mínimo é também fiel no muito, e quem é injusto no mínimo é também injusto no muito”. Jesus Cristo - Lucas 16:10

Seja no famoso jeitinho brasileiro na Lei de Gérson, ou ainda na Lei de Murphy, muitos se perdem quanto aquilo que é aceitável e honesto ou incorreto e o agir de má fé.

Na Lei de Murphy, “se algo pode dar errado, algo dará errado”.

Na Lei de Gérson, “se algo pode dar errado, não tem problema, pois mesmo que der errado, a gente dá um jeitinho de fazer dar certo”. Daí o famoso “jeitinho brasileiro”.

E por falar em justiça lembrei de um ato de sabedoria do saudoso pai do jornalista e radialista, Mário Motta. O Mário contou que seu pai fazia o seguinte com ele e seu único irmão.

O pai do Mário comprava uma Maria Mole e mandava o irmão do Mário cortá-la ao meio. E aí vinha a lição: O irmão cortava, mas o Mário era o primeiro a escolher com qual parte ficaria. A lição dispensa explicações. Que sabedoria em atos de justiça!

Hoje, a inversão de valores têm levado pessoas a passarem por cima de muitos valores. Valores esses que muitas vezes elas próprias criticam: A falta de honestidade, a imprudência, o agir com má fé. Como praticamente todos nós temos “telhado de vidro”; sejamos sinceros; quem de nós nunca fez algo que se tivesse pensado melhor não teria feito?

Mas em geral as pessoas têm um bom comportamento. Ou será que só o temos quando nos convém?

Há poucos dias conversei com um funcionário de uma conhecida rede de supermercados sobre clientes que agem de maneira indevida. Confesso que prefiro usar a expressão, agem de uma maneira de dar nojo.

Existem pessoas, e não são tão poucas, que vão aos supermercados e procuram exaustivamente por produtos que estejam com a data de validade vencida. Então, com a maior “cara de pau”, ou não, vão até um funcionário e exigem levar o produto ou produtos de graça. Se sentem enganadas. Coitadinhas. Quantos desses reclamam da corrupção no Brasil?

Ouvi vários relatos sobre desvio, roubo de produtos doados a asilos e orfanatos. Roubos praticados por pessoas que trabalham nesses lugares. Mas os que contaram, que presenciaram, têm medo de denunciar, medo de retaliações.

Os famosos “gatos” na corrente elétrica e na água e tantas outras atitudes revelam o que há de pior em muitas pessoas.

As sábias palavras dão o que pensar: “Quem é infiel ou injusto em pequenas coisas é também em grandes coisas. O oposto é verdadeiro, ainda bem; quem é fiel e justo em coisas pequenas também o é em grandes coisas”.

É tempo de pensar nas famosas lições que deixamos para os nossos filhos e os filhos dos outros. Eles serão o futuro de uma geração que segue as leis que lhes convém ou daqueles que mantém a integridade?

O presente tem falado e o futuro o dirá!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ditados questionáveis



Há ditados que “caem como uma luva”; servem para alertar que “seguro morreu de velho”. Ou ainda, nos faz ver que “o chapéu serviu”.

Já outros nos deixam com “uma pulga atrás da orelha” quando ouvimos o famoso “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”.

Tem aqueles que nos abrem os olhos, “quem vê cara não vê coração”.

Mas, aqui entre nós, há ditados que não descem nem com uma Coca-Cola bem gelada.

Alguns que tenho ouvido ao longo dos anos e particularmente considero muito questionáveis:

“A ocasião faz o ladrão”. Bem, se assim fosse, isso significaria que todos somos ladrões em potencial. Seus filhos, meus filhos, minha mãe e seu pai. Caráter e integridade se têm ou não. Quem não é ladrão, quem não é desonesto jamais aproveitaria uma - suposta oportunidade para roubar. Logo, a ocasião parece não fazer o ladrão, antes, “a ocasião revela o ladrão. Revela; não faz. Quem é desonesto é revelado na primeira oportunidade, a procura, a cria.

“Em time que está ganhando não se mexe”. Grandes empreendedores discordam desse ditado. Ele dá entender que se parece que as coisas vão bem, pra que mexer? Acontece no concorrido mercado de trabalho ou quaisquer outras situações. Parece cômodo deixar como está. Pensar ou dizer: “Ah, tá bom assim, pra que mexer, pra que ter trabalho se está dando certo?” Com certeza sempre há o que aprimorar, mesmo que o “time” esteja ou pareça estar ganhando.

“Política, futebol e religião não se discutem”. O que se discute então, novelas, programas de TV de baixa qualidade, a cor da casa do vizinho? Parece que muitos entendem que - discutir - seja sinônimo de brigar, de falar mais alto, de ser o dono da razão, sem contar o medo de ouvir uma opinião ou ideia diferente da nossa ou das que nos empurraram “guela abaixo” ao longo da vida, sem nos dar o direito que perguntar o por quê?

E pensando bem, a quem interessa que tais temas não sejam discutidos de forma inteligente, respeitosa e adequada senão aos que dominam e lucram sobre a ignorância?

“Deus é pai não é padrasto”. Os bons padrastos e madrastas que o digam; como é cruel esse ditado. Há padrastos e madrastas que são mais que verdadeiros pais e mães. E nem é só porque também sou padrasto. Sou pai assim como outros que não são pai ou mãe de sangue; qual a diferença?

“Era para ser assim. Tinha que acontecer”. Se ouve muito isso após tragédias, até no trânsito. Se fosse verdade não haveria culpados ou responsáveis e irresponsáveis; afinal de contas, se era para ser...tinha que acontecer.

Questionar de forma respeitosa e com interesse em aumentar a compreensão é algo necessário.

Algumas frases que são mais do que ditados: “O homem nasce livre e por toda parte é acorrentado”. Jean-Jacques Rousseau. O que leitor tem em mente quando lê isso?

“A pessoa ingênua acredita em qualquer palavra, mas quem é prudente pensa bem antes de cada passo”. Provérbios 14:15. Qual o significado dessas palavras?

Ditados interessantes e questionáveis estão por aí. Chegamos numa época em que se diz:
“Ele rouba, mas faz”.

“A voz do povo é a voz de Deus”. Esse me faz escorregar na cadeira ao escrevê-lo; quando o escuto sinto o estômago embrulhado. Quem disse esse absurdo? Uma coisa é respeitar o povo, a população, seus direitos e deveres, ouvir sua voz, mas o ditado em si é horrível.

Quando as opções são poucas e ruins qualquer ditado pode ser aceito. Eles acabam caindo como uma luva nas mãos de quem prefere que nada se discuta, que nada mude; afinal de contas, se em time que está ganhando não se mexe...

Mas qual o time que está ganhando? E quem vai questionar?