quinta-feira, 24 de maio de 2012

Seu “Manual”

- Seu Manual como eu escrevo a palavra cerrar? - Depende meu jovem. Cerrar com c é quando significa fechar. Exemplo: Cerre os olhos: vou fazer-lhe uma surpresa! Serrar com s é quando significar cortar. Exemplo: Ele já serrou a madeira. - Entendeu? - Sim!

Pessoas folgadas

Ainda ouço profissionais lamentando a folga de algumas pessoas. Um profissional vai fazer um serviço numa casa, tal como instalar móveis, e ouve outros pedidos: Instalar tomadas, pendurar algo aqui ou ali. Se não estava no contrato é bom “acertar” com o profissional. Na pior das hipóteses, se não puder pagar, no mínimo ser muito grato. Ele tinha essa obrigação.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O mentirosinho do Cabral

Jefinho, como era chamado carinhosamente pelos colegas, escondia um segredo. Era um grande mentiroso. Os pais já haviam percebido e quando confrontados com a artimanha do filho, diziam: - Jeferson, Jeferson. Diga a verdade, é sua última chance – A mãe com as mãos na cintura e o pai com a cinta na mão. Jefinho, teimoso, dizia: - Mas é verdade. Lá no Cabral, colégio onde estudava, todos gostavam do Jefinho e tudo o que ele dizia era lei. Certa manhã Jefinho acordou com uma baita preguiça. Pensou em ficar em casa, ou melhor, na rua, brincando com os amigos que estudavam à tarde. Foi até a janela e viu que era um lindo dia. Céu azul. Sem vento. “Pra que ir a aula hoje?”, pensava Jefinho. Teve uma ideia. Foi à escola. Sentou e depois que bateu o sinal se debruçou sobre a carteira. Fingia estar dormindo. A professora chegou perto e disse: - O que houve Jeferson? Está com sono? - Não professora, não. Estou com muita dor de cabeça. - O que aconteceu? Será que comeu algo que não lhe caiu bem? - Não professora. Acho que foi a viagem. - Quem viagem, Jeferson? - É que morreu um tio lá no Paraná. O tio Irineu (o tio Irineu está vivo até hoje, passados 30 anos), e eu não queria perder a aula. Gosto muito da escola – Se fosse o Pinóquio a ponta do nariz teria chagado ao quadro negro. Mas a professora comoveu-se diante o esforço de Jefinho. Ela disse: - Vá para casa e descanse querido. - Não quero perder a aula! - Mas você vai sim! E lá se foi Jefinho. Feliz da vida. Só não saiu pulando para não chamar atenção dos coordenadores. Em casa e na rua fez a festa. Para os pais disse de modo convincente que haviam sido dispensados mais cedo. Reunião de professores. “Pena”, disse ele. Os pais ficaram desconfiados. Na outra semana Jefinho chegaria com outra história no colégio. - Pessoal, pessoal. Vocês nem sabem o que aconteceu. - O que Jefinho, o que aconteceu? – Perguntava a turma. - Meu pai ia viajar ontem e assim que chegou ao aeroporto seu avião decolou. Meu pai estava atrasado. A turma lamentou: - Que pena Jefinho. - É, que pena, Jefinho. Jefinho saiu com essa: - Pena? Pena nada. Assim que o avião decolou, assim que chegou lá no alto, explodiu. Morreu todo mundo – O espanto foi geral. As meninas quase choravam, os meninos diziam que o pai do Jefinho era um sortudo. Aquela turma não via TV e nem lia jornal, não iam saber que era mentira, pensava Jefinho. Certa noite Jefinho sonhou com um lindo galo. O galo cantava imponente por todo seu terreno. Ele chegou à escola e contou para turma sobre seu sonho. Disse que jogaria no bicho. Jefinho gostava dum joguinho de bicho. O que ele não gostou foi de ouvir que quase todos os colegas também jogariam no bicho. No galo é claro. Jefinho ficou enciumado. Não seria justo outros ganharem no seu palpite. Parou, pensou, e disse: - Pessoal, pessoal. Olha só. Eu sempre jogo no bicho e quando se sonha com galo se joga na cabra. - Na cabra? – Perguntaram. - É. Na cabra. No dia seguinte, assim que chegou ao colégio, ouviu a gurizada gritando: - Ai Jefinho. Valeu Jefinho. Tu é fera Jefinho – Ele não entendia, até que Juninho chegou com um bilhetinho na mão e disse: - A galera ta contente. Todo mundo ganhou no bicho, Jefinho - Jefinho perguntou: - Deu galo? - Galo? Galo nada, rapaz. Deu cabra, deu cabra na cabeça. Todo mundo ganhou. A gente sabe que sempre pode confiar em você, Jefinho.

Seu “Manual”

- Qual a diferença entre acender e ascender? - Ora meu jovem. Acender significa pôr fogo, ligar, alumiar. Ascender significa subir, progredir. Entendeu? - Sim!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Meus oito anos

O poema a seguir com o tema Meus oito anos é de autoria de Casimiro de Abreu (1839-1860), um dos mais populares poetas brasileiros. Nasceu no Rio de Janeiro e não conseguiu concluir seus estudos por ter de trabalhar no comércio por imposição do pai. Nos deixou belos poemas como este: Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é – lago sereno O céu – um manto azulado, O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor! Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar!

Saudosismo

Talvez seja apenas o saudosismo que me fez compartilhar hoje essa linda poesia de Casimiro de Abreu. Lembrar da minha infância aqui no bairro Jardim Cidade em São José, num terreno cheio de árvores, cheio de frutas, do futebol ainda na rua. Cada uma dessas doces lembranças me faz pensar que assim como o passado deixou saudades e não volta mais, assim também o presente, o nosso hoje, será amanhã apenas o passado. Já que não posso voltar ao passado quero aproveitar o presente para que o “amanhã”, lá no futuro, eu sinta ainda mais saudades por saber que aproveitei muito bem esse presente.

Não assumem

Não faltam reportagens mostrando o que a imprudência, a irresponsabilidade, a falta de respeito pela vida, tem feito com nossos semelhantes. Pessoas bebem e dirigem. Outras abusam na velocidade. Há muitas outras maneiras de mostrar falta de respeito que resulta em prejuízo a inocentes. O pior de tudo é ouvir ainda frases do tipo: “era pra ser assim”,“ tinha que acontecer” , “ chegou a sua hora”, “ foi a vontade de Deus”. Não era pra ser assim, não tinha que acontecer, não havia hora nenhuma marcada, jamais poderia ter sido a vontade de Deus. Parece mais fácil arrumar desculpas para a irresponsabilidade e continuar com a impunidade.

Versos dos Meus Sonhos

“Versos dos Meus Sonhos” é o tema do livro que recebi da escritora Vera Regina Eltermann, aqui de São José. Cheio de emoções e delicadeza faz-nos refletir e deixar falar os sentimentos e ver como é possível a realização de sonhos. Muito obrigado, Vera Regina.

PALAVRAS EM MIM

PALAVRAS EM MIM - Meus Poemas e Relatos da Infância, da escritora Luciane Mari Deschamps é o tema de mais um belo livro que recebi na última semana. Poesias que nos levam a infância, a imaginar o futuro e avaliar nossos sentimentos. Reflexões que emocionam. Obrigado, Luciane.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A viúva errada

Alberto recebeu a notícia da morte de um ex-vizinho, o Mário. Disseram a Alberto o quanto seu colega havia sofrido, afirmaram aquela antiga história - enfim descansou. O problema é que Alberto não era bom com as palavras, tinha dificuldades em encontrar as coisas certas a dizer. Por vezes deu parabéns a mulheres pela sua gravidez quando elas não estavam grávidas. Consolar uma sofredora viúva seria um martírio. Quando via Lígia, a viúva de Mário, desviava, fez isso duas ou três vezes. Certa noite indignado com sua falta de coragem ensaiou o que dizer. Preparou um pequeno, mas emocionado discurso. Já na manhã seguinte encontrou a viúva em frente a uma praça. Ela caminhava devagar e de cabeça baixa. Alberto recapitulou o discurso que tinha na mente, encheu-se de coragem, parou em frente à Lígia e disse: - Escute, por favor. Sei que estas sofrendo. Mas pense comigo. O pobre do Mário estava sofrendo muito. Estava vivendo um verdadeiro inferno. Sofria demais. Ninguém merece o que ele vinha suportando, aliás, suportando por muito tempo. As pessoas merecem e querem ser felizes. E tenha a certeza de uma coisa, ele está muito melhor agora. Pense nisso, seja generosa. Torça por ele. Agora sim ele se livrou do que o fazia sofrer. Está em paz e isso é o que importa. Lígia saiu aos prantos. Depois de dar alguns passos virou-se para Alberto e disse: - Cachorro. Ordinário. Vocês são todos iguais. Alberto não entendia. Seu consolo parecia perfeito. No almoço encontrou Henrique que também conhecia o casal. Ele disse a Henrique que havia encontrado com Lígia naquela manhã e ela estava muito mal. Antes de contar de seu consolo, Henrique disse: - Não é para menos, Alberto. O que o Mário fez foi imperdoável. Deixar a Lígia, aquela mulher incrível, foi horrível. - Ele a deixou? - Perguntou Alberto. - Sim – Respondeu Henrique, e continuou – Ele a traiu. Estava com outra mulher há anos. Simplesmente chegou em casa e foi dizendo que não aguentava mais aquela vida, que parecia um inferno, que merecia ser feliz e queria viver em paz. A coitada da Lígia está acabada, se conseguir vê-la outra vez procure falar com ela e consolá-la. Alberto lembrou de outro Mário, o marido de Marta, e perguntou: - E o Mário da Marta? - O Mário da Marta morreu rapaz. Eu já tinha te falado. A cabeça de Alberto parecia que iria explodir. Havia consolado a viúva errada.