quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Conheces o Eurico?

Eurico é um grande profissional na área da informática,, mas tem baixo autoestima.

Nunca ouvira um elogio, nem dos pais e nem dos professores; nunca um reconhecimento pelo seu talento e dedicação. Talvez tenha apenas passado despercebido por todos, mas Eurico sentia muito a falta de elogios.

Na empresa onde trabalhava a situação se repetia; nada de reconhecimento pelo trabalho.

Porquê? O que faltava? O que mais Eurico poderia fazer, haja vista que para ele havia a necessidade de receber elogios. Gary Chapman, em seu livro: As 5 linguagens do amor; acredita que - receber elogios é uma dessas 5 linguagens; poderia ser a de Eurico.

Certa noite haveria uma confraternização na empresa em que Eurico trabalhava, eram mais de 100 funcionários. Todos foram avisados de que alguns seriam homenageados.

Dois amigos de Eurico disseram a ele que com certeza seria dessa vez. Com certeza, disseram os amigos, um dos talentos da empresa seria Eurico, afinal de contas, ele havia feito ótimos trabalhos no último ano.

A tão esperada noite chega. Um delicioso jantar é preparado e chega o momento do discurso do chefe. Todos na ansiedade de ouvir os nomes dos homenageados, Eurico e os amigos em especial.

Bruno, proprietário da empresa, começa seu discurso e elogia vários funcionários. Os amigos de Eurico, dizem:
- Em poucos minutos você será chamado pelo chefe.

Sete funcionários são chamados por Bruno e recebem várias homenagens e prêmios, mas Eurico fica de fora. Os amigos o consolam; quem sabe da próxima vez. Eurico diz aos amigos que seria surpresa se fosse lembrado e elogiado. É sempre assim.

Naquela mesma noite o patrão de Eurico vai a um jantar com importantes investidores da empresa. Empresários muito bem sucedidos e ricos. Em certo momento Bruno cita o nome de Eurico. Dois dos quatro empresários aproximam o corpo da mesa e dizem que conhecem Eurico. Fazem vários elogios. Um deles, Eduardo Fonseca, diz:

- Não posso acreditar que você conseguiu contratar o Eurico Ferreira!

Bruno, espantado, pergunta o motivo da surpresa dos colegas. Eduardo, responde:

- Eurico Ferreira é o melhor na área. Tem o hábito de trabalhar por conta própria, se soubesse que aceitaria ser contratado eu o queria na minha empresa. Tens o mais talentoso, honesto e dedicado dos que trabalham com informática.

Bruno se sente desconfortável e libera um leve sorriso. No fundo sente certo remorso e constrangimento por não ter percebido o talento de Eurico, e nem de tê-lo homenageado mais cedo naquela mesma noite. Mas pensa em no dia seguinte, assim que chegar na empresa chamar Eurico e lhe fazer um elogio na frente de todos; na verdade, fica ansioso por fazer isso.

Logo cedo, quando todos já estão trabalhando, Bruno olha em volta e chama Eurico. Pede para ele se aproximar. Quer dar um elogio em bom volume para todos ouvirem.

Eurico, meio sem graça, chega perto do chefe e eles se cumprimentam. Muitos dos funcionários param para observar e ouvir o que dirá Bruno. Ele diz:

- Eurico Ferreira, ontem saí para jantar e encontrei uma pessoa que diz te conhecer muito bem. Você conhece, Eduardo Fonseca?

Eurico, sem pensar muito, responde:

- Conheço sim. É um grande mentiroso - Eurico ainda pergunta:

- Por quê? - Bruno, sem entender mais nada, coloca a mão sobre o ombro de Eurico e diz:

- Nada, não é nada. Volte ao trabalho, por favor.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Pior que é


Pior que é


Pior que é. Quantas vezes o amigo leitor ou leitora já ouviu
sa expressão?


Normalmente essa curta e estranha frase vem seguida de
algo difícil ou ruim ao qual o interlocutor concorda querendo
não concordar.

Coisas do tipo: Os times aqui da capital têm mais é que ficar
na série B mesmo. Pior que é.

Ninguém pode confiar em mais ninguém. Pior que é.

As máquinas de cartões de débito e crédito são tão úteis que
até ladrões já estão aceitando. Pior que é.

Mas a frase, e digo isso como testemunha ocular, evita até brigas
e elimina rapidamente discussões.

Meu saudoso amigo, Rona (esse era seu apelido) a usava com
muita frequência. Sempre que havia pelo menos duas pessoas
perto dele discutindo qualquer coisa; política, futebol ou religião,
quando o João dava sua opinião, o Rona dizia: “Pior que é”.

O José defendia outro ponto de vista e olhavam para o Rona que
dizia: “Pior que é”.

Pior é que o Rona não brigava com ninguém, ou quero dizer, melhor.

Alguém dirá: Então esse tal de Rona não tinha opinião própria, concordava
com todo mundo. Pior que é. Ou melhor, não sei.
O ponto é que ele sempre acreditava que os
dois ou mais pontos de vista diferentes tinham lá a sua parcela de razão e
concordava com todos ou não desprezava nenhum.

Ele tinha também a tendência ou defeito de levar tudo ao pé da letra.
Não devia conhecer metáforas. Quando meu sócio na vidraçaria
reclamava que ele perdia e desperdiçava vários pregos, eram uns 5 ou 6,
meu sócio, Lindomar, dizia ao Rona:

- O Rona. Que desperdício, mais de 100 pregos perdidos -

O Rona que não conhecia hipérboles, mas sabia contar juntava os pregos,
os mostrava ao meu sócio e dizia:

- 100 pregos? Isso aqui são 100 pregos? Tu não sabe contar.

E assim o Rona vivia de bem com todos, menos com sua sorte na vida.

O Rona teve um pai cruel, pior que é. Seu pai obrigava os filhos a trabalhar
logo que completavam uns 14 anos; se não colaborassem com as despesas
da casa, nem sequer podiam comer. E não podiam mesmo.

Um dia o Rona fora demitido por conta de fiscalizações de trabalhos de
menores; e isso foi lá por volta de 1983. Seu pai não quis ouvir justificativas.
Deu uma surra no Rona queo deixou 3 dias de cama, nem a aula ele pôde ir.

Então ele conseguiu um serviço qualquer, um que lhe desse dinheiro para
levar ao rigoroso pai.

Um dia o ingênuo Rona precisou queimar alguns objetos na empresa que
ficava perto da sua casa. Em sua inocência ou numa bobeira ainda infantil
deixou que o produto inflamável se espalhasse por suas pernas e acendeu
o fogo. Tragédia.

O fogo não poupou nada da cintura para baixo do Rona. Graves queimaduras
o deixaram com terríveis dores, incontáveis cicatrizes e um jeito de viver bastante
peculiar; passou a ser revoltado com a vida em si; sabe-se lá se não discordar de
ninguém fosse uma necessária calmaria. Nunca mais “acender ou ajudar a
acender uma fogueira que dói e deixa cicatrizes permanentes”.

A revolta com sua sorte na vida não o faziam culpar o pai. Pelo menos ele não
dizia nada, mas nós, os amigos, desenvolvemos um asco as ações de seu pai.

Rona nos fez rir muito e muitas vezes; nos deu importantes lições. E a partir de
hoje a cada crônica em que aparecer no tema - Pior que é - será dedicada a ele.

Há poucos dias ouvi uma amiga muito inteligente dizer: “às vezes é melhor ser
feliz e ficar em paz do que ter razão”.

O Rona, se ouvisse essa frase, com certeza diria: Pior que é.

E diria o mesmo a quem discordasse!



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Convite à reflexão: Festa ou velório?

Convite à reflexão: Na festa ou no velório?

Se alguém te convidasse para ir a um lugar para refletir sobre a vida, a tua existência, teus desafetos, tuas qualidade e defeitos; qual seria o melhor lugar, uma festa ou um funeral?

A pergunta não é indiscreta, mas pode causar calafrios ou indignação; até aí tudo bem.

Mas estamos falando sério. Vamos pular o porquê da pergunta e ir direto aos fatos.

Numa festa se come, se bebe, se dança, se paquera, se namora; enfim, as pessoas se divertem. Nos soltamos numa festa; alguns, depois de umas e outras.

Na festa se deixa de lado as dificuldades nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos, no casamento, atritos entre pais e filhos, a situação do país, dúvidas sobre o futuro e aí vai.

Festa é festa; não é hora e nem momento de amargura, de se procurar respostas e resolver questões; é diversão e pronto.

Sem contar os que ultrapassam nas bebidas e no dia seguinte é dor de cabeça garantida.

Mas a questão é refletir, então a festa fica para a hora da diversão. Para uma profunda reflexão, por mais estranho que possa parecer um velório é o lugar certo.

Ainda há pessoas que dizem: “eu não gosto de velório”. Ora, e quem em seu juízo perfeito pode gostar de velório? Os donos de funerárias gostam dos lucros, mas creio que nem eles gostam de funerais, principalmente de familiares. Só doido para gostar.

O fato é que vamos à velórios por vários motivos: Prestar uma última homenagem ao falecido, consolar a família e etc. Nos sentimos um tanto obrigados a comparecer perante alguém amado ou colega para compartilhar a tristeza dos familiares e de algum modo dar um forte abraço, oferecer nosso ombro amigo e compartilhar sua tristeza; até onde sei só humanos seguem rituais dos mais variados em todo o mundo, mas basicamente com o mesmo objetivo; despedida e consolo.

Mas a grande verdade é que quando nos deparamos com o caixão, vimos a face do falecido, as flores, às vezes fotografias ou vídeos; paramos por uns instantes e reservamos um tempo para nós, ainda que ninguém saiba, ninguém perceba. Paramos ali diante o finado e lembramos dele ativo, com planos, parecia até imortal.

Então os pensamentos vêm: Quando será a minha vez? Haverá muitas pessoas? Terei uma morte rápida? (um certo desejo de todos que sabemos que um dia morreremos; não sofrer e não fazer outros sofrerem).

Pensamos na esposa ou marido. Nos filhos. Nos amigos. Naquilo que estamos há tempo querendo e adiando; férias, viagem, realizar um sonho, pedir perdão e fazer as pazes com quem precisamos.

Um breve texto diz:: “O dia da morte é melhor do que o dia do nascimento… melhor é ir a uma casa onde há luto do que a casa onde há festa”. Eclesiastes 7:1,2. Bíblia.

Confesso que quando li a primeira vez achei no mínimo estranho; hoje, entendo.
Quando alguém nasce é uma alegria, mas é bem verdade que não se sabe que tipo de pessoa será ou seremos; no dia do velório estará evidente que tipo de pessoa fomos.

“Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter perdoado mais, fazer o que queria fazer…” Epitáfio - Titãs; linda música. (Sugiro ler o texto bíblico e ouvir a música).

Mas e se houver uma terceira possibilidade; nem festa e nem velório?
Talvez haja sim, e tenho procurado por ela. Não aguardar uma festa para me divertir deixando de lado os problemas e nem o funeral para avaliar minha vida e meus “passos”.

Quem sabe passaremos a rir, chorar, pedir perdão, perdoar, sonhar e buscar a realização dos sonhos, ver o sol nascer. Abraçar mais, dizer que amamos; tudo isso sem festa e sem velório.

As festas e velórios continuariam a cumprir seus papéis; mas as nossas reflexões estariam em outro lugar. Na sensibilidade de quem não espera por farras ou choros, mas que se dá ao prazer de ver como é bom viver e em paz, em qualquer momento e lugar. Sempre!

domingo, 10 de dezembro de 2017

Um mundo cruel

A palavra cruel nos dá a ideia de: Rigor excessivo, barbaridade, desumanidade.

Crueldade nos faz lembrar de atos bárbaros e desumanos praticados por “seres humanos” contra seres humanos. Alguns exemplos: Escravidão, inquisição (onde a igreja católica torturou e matou dezenas de milhares de inocentes), guerras (nenhuma com justo motivo, como se pudesse haver motivo, onde centenas de milhões de civis e militares morreram); enfim, crueldade.

Mas há um outro tipo de “crueldade”. Um tipo que leva em consideração os mais ricos x os mais pobres; os mais bonitos x os mais feios; os mais estudados x os que não têm estudos e etc.

Pode até passar despercebido, pode ser que o leitor ou leitora diga que isso não é crueldade e tente encontrar outro nome.

Algumas situações: O filho de um pobre que fuma maconha não passa de um maconheiro.

Uma pessoa que tem bons estudos, bom emprego e aparente educação e usa drogas é - dependente químico. Se for um pobre é só um viciado.

Uma mulher acima do peso ou gordinha, se for famosa, dá exemplo em não se importar com o que diz a sociedade. Aumenta sua fama. Se for uma mulher pobre, como ela será descrita e apontada pelas sociedade e até pela família?

Se o George Clooney ou o Brad Pitt sair pelado na rua provavelmente as pessoas dirão: “Surtou”. “Deve estar trabalhando muito”. “É o estresse”.

Se for um homem pobre e desprovido de beleza (eufemismo de feio), possivelmente será apontado como - tarado, sem vergonha; ah uma boa surra.

Quem assistiu ao filme - Como eu era antes de você, onde uma bonita e meiga jovem se apaixona pelo homem, tetraplégico de quem se torna cuidadora, pode ou se emocionar ou pensar: O rapaz que ficou tetraplégico após um acidente é muito rico, muito bonito (sem essa de boa pinta, é bonito mesmo), muito inteligente, conhecedor de várias culturas e claro, se expressa, fala muito bem; mas e se… Se ele fosse muito pobre, feio, sem estudos, falando mal e dependendo de ajuda humanitária? Fica claro a “crueldade” do sistema, do mundo. Enfim, é um filme bonito, embora camufle uma realidade social.

A mídia que abre muitas discussões em suas novelas e demais programas, por exemplo, não abre a discussão sobre a diferença salarial; patrões/empregados. E quantas vezes já vimos atores negros aparecendo ou interpretando papéis principais? Ainda contamos nos dedos.

Ainda pode-se levar em conta famosos programas de TV onde o bullying é discutido, mas as pessoas ou os jovens que vão até ali para assistir não podem escolher o lugar em que vão sentar; um “orientador” define quem está “apto” a aparecer mais diante das câmeras e aqueles e aquelas que devem ficar um pouquinho mais longe.

Até presidiários pobres podem ficar indignados. Embora estejam presos porque praticaram crimes e não dá para ter pena, mas creio que devem ficar no mínimo “chateados” ao assistir aqueles que roubaram milhões e até podem ter causado mortes vão para seus luxuosos lares com uma tornozeleira eletrônica.

Num mundo que se diz lutar pela igualdade há guerras entre diferentes classes sociais.

Numa época em que se fala em religião, e talvez nunca antes tivéssemos visto tantas igrejas; fala-se em amor, paz e fim do preconceito; há um evidente retrocesso moral e de liberdade de expressão. Ou se fala muita bobagem, ou se hostiliza opiniões diferentes.

Nossa visão de cultura - avaliar e julgar o nosso modo de vida como o verdadeiro e o ideal; o etnocentrismo, tem nos levado a erros, a julgamentos equivocados, a trocar o doce pelo amargo e o amargo pelo doce.

Se o mundo é cruel a vida continua sendo uma dádiva maravilhosa. Se há pessoas cruéis há muitos dispostos a uma autoavaliação que pode nos levar a evoluir, crescer e nos tornar agradáveis a nós e aos outros. E isso é o oposto de cruel, é - misericordioso, é humano!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Aquele que em tudo crê

Aquele que em tudo crê

Quem já não conheceu aquela pessoa que acredita em tudo o que lhe dizem?

Os escravos eram persuadidos, portanto, levados a crer que comer manga e tomar leite com minutos ou horas de diferença lhes faria muito mal; poderia os levar à morte. Essa maldosa e errada informação colocava medo nos ingênuos escravos e protegia os bens dos seus amos. Pura crueldade com base na ignorância.

Qualquer um de nós é capaz de lembrar de coisas que em nossa infância pareciam reais ou assustadoras e agora damos risadas.

Mas e hoje, quantas coisas ainda levamos a sério e lá no futuro é que entenderemos nosso equívoco?

O pior é crer em qualquer coisa sem base sólida e talvez morrer sem saber o porquê.

Se perguntarmos para alguém o motivo real; talvez para nós mesmos, o por que não comemos carne na sexta-feira santa; a razão pela qual acendemos velas em bolos de aniversários e perto de caixões em velórios; os motivos de estourarmos fogos na virada de ano; se procurarmos as respostas, talvez ficaríamos surpresos, assim como ficariam os escravos lá do passado que evitavam comer manga e tomar leite no mesmo dia.

Pessoas inexperientes creem em qualquer coisa que lhe dizem; pessoas experientes, “maduras” e inteligentes pensam antes de agir, analisam com calma tudo o que ouvem; mesmo que pareça ter vindo de fontes seguras; como em telejornais, e principalmente, nas redes sociais. Aliás, nas redes sociais praticamente qualquer pessoa publica o que quiser sem assumir responsabilidades.

Ouvir a opinião de mais de um médico ou dentista é muito importante.

Há poucos dias li algo especial: Aprender é um processo de superação de preconceitos e estereótipos. Sim, aprender não envolve apenas ter tempo, antes - a superação. Aceitar que muitos dos nossos conceitos e entendimentos podem não estar certos; ou pelo menos precisam ser ajustados. E quem está disposto a isso? Os que têm “sede” de aprender.

A sociedade parece estar acostumada ao: “Ele rouba, mas faz.” Como se isso justificasse ações levianas. Não seria um caso parecido a essa situação?

“Um marido traído mantém seu casamento alegando que embora a esposa seja infiel ela é linda, cozinha bem, é boa mãe, cuida bem da casa e até se dá bem com a sogra”. Esse marido poderia crer que a infidelidade da esposa pode ser aceitável diante suas boas qualidades.

Os ingênuos costumam acreditar em qualquer coisa que lhe dizem; está na Bíblia, em Provérbios 14:15.

Sermos ingênuos ou experientes, tolos ou inteligentes não depende da simples escolha do que somos ou queremos ser. Parece haver a necessidade de estudos, pesquisas, boas conversas e “mente aberta”.

Os pobres escravos foram vítimas de mentiras, mas numa situação e época completamente diferente.

E de qual grupo o leitor e eu fazemos parte, dos ingênuos ou dos prudentes?

A resposta deve ter bem mais haver com o agir e não com o falar!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A cadeira

A cadeira

Uma vez perguntei a um psiquiatra: A pessoa que é ansiosa faz muitas coisas por ser ansiosa ou é ansiosa por fazer muitas coisas?

Elaborei essa pergunta reflexiva e talvez não tão profunda em outra: Não sei se eu bebo porque a minha mulher me deixou ou se ela me deixou porque eu bebo.

Toda essa minha reflexão veio a partir do momento em que me desfiz de um pedaço de mim.

Estivemos juntos desde outubro de 1996. Até ela manifestar dificuldades em manter seus serviços fomos companheiros de momentos especiais. Ouvimos e presenciamos muitas histórias; ora engraçadas, ora trágicas. Ela por sua vez colaborou de maneira direta em manter minha vida financeira por duas décadas. Ainda que uma vida modesta e simples, mas sem nada faltar.

Ela recebeu e acomodou centenas, talvez milhares de pessoas. Uma coisa é certa; quase 60 mil atendimentos foram realizados sobre seu confortável colo; colo de irmã, da amiga, de mãe. E dela tive a ideia em 2009 de entrar para a comunicação através de nossas experiências. Embora nunca tivesse lhe dado um nome específico, nem foi necessário.

Ela apareceu em fotografias de vários jornais, em imagens de diversos canais e programas de TV e foi mencionada em inúmeros programas de rádio.

Houve um momento em que várias pessoas passaram a me identificar por ela:

Na cadeira do barbeiro - Foi dela, nela e por ela que iniciei na comunicação; livros, colunas em jornais, blog, Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia e o programa de rádio que seguiu o nome das colunas - Na cadeira do barbeiro.

Já no final de 2013, quando recebi meu registro profissional de jornalista ela estava um tanto cansada e um pouco desgastada. Deveria ter notado e dado mais atenção a minha antiga companheira. Mas o tempo passou e ela perdeu as condições de ser usada, ou melhor, de continuar servindo de colo a tantos amigos frequentadores ou mesmo os de passagem.

A pressão para vendê-la não foi à toa; havia pouco espaço. Ela tomava um pedaço de um espaço do qual por duas décadas fora a rainha; agora tratada como um estorvo, e já havia outra em seu lugar.

Venda, não venda, reforme, mas, por favor, a tire daqui; não há mais espaço para ela.

Certa manhã um colega barbeiro, dedicado e respeitado no ramo, me procurou e disse que ouvira que ela estava a venda. Sim; disse que estava. Ele a levou. Irá reformá-la.

Lá no início quando falei da pergunta feita ao psiquiatra, pensei sobre a minha cadeira: Por que nos apegamos a coisas inanimadas? Por que atribuímos certas qualidades que quase vivificam objetos? Talvez não tenha haver com ansiedade ou loucura; quem sabe nem explicação lógica haja. Mas quem de nós já não sentiu falta de um brinquedo de infância; de um carro; uma casa ou outro objeto ou móvel qualquer? Há os que nunca sentiram; normal, somos diferentes.

Mas aquela cadeira, da marca Status, que comprei em outubro de 1996 e paguei na ocasião 3 vezes de 233 reais; valor total da época de mais de 7 salários mínimos valeu muito mais do que isso.

Valeu mais que o sustento financeiro da família em 20 anos; valeu rumos e caminhos que mostraram que a maravilhosa profissão de barbeiro pode nos levar a conhecer outros “mundos” e ter incríveis experiências.

Ah, se a minha cadeira falasse… E quem disse que ela não fala? Basta prestar atenção!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Novembro Azul. Calma, é só um toque.

Novembro Azul. Calma, é só um toque.

Álvaro e Juca estavam no bar do seu Arlindo falando sobre futebol; Avaí e Figueirense.

Álvaro, figueirense e Juca, avaiano. Cai, não cai, fica, volta..

Nesse momento chega Roberto. Ele se enche de coragem e diz:

- Vou falar sem vergonha. Fiz o tal do exame do toque. É, aquele mesmo.

Havia mais de 10 homens no bar. A maioria ficou perplexa; sobretudo com uma expressão de Roberto, “vou falar sem vergonha”. Aquilo soou estranho para eles. Seu Arlindo ofereceu uma rodada por conta da casa.

- Roberto, percebendo um certo preconceito, enfatizou:

- É isso aí. Fiz mesmo e não tenho vergonha. E vou fazer uma pergunta, quantos de vocês aqui fumam? Sabiam que depois do câncer de pulmão, o de próstata é o que mais mata homens no Brasil?

Quase todos eram fumantes, então, baixaram a cabeça e tentaram disfarçar.

Quando começaram as piadinhas sobre o exame que Roberto havia feito, Álvaro e Juca entraram na conversa. O primeiro foi Álvaro. Ele relatou:

- Qual é o problema? Eu mesmo fiz o exame e não sou menos homem por isso. O Roberto falou bem, o câncer de próstata é o segundo que mais mata em nosso país. E digo mais, foi tranquilo. Fiz pela primeira vez, não dói nada. E é bem rápido.

Juca entrou na discussão:

- É. Eu também fiz - Álvaro ficou surpreso. Seu bom amigo Juca não havia comentado nada até então. Ele acrescentou - Ninguém é menos homem por fazer o exame do toque, pelo contrário, tem que ser muito macho.

Roberto e Álvaro gostaram da defesa de Juca. Só não entenderam muito bem a parte de ser muito macho. Os bate papos de bares costumam ser francos, ainda que um tanto rudimentares.

Juca passou a explicar com calma e em detalhes como é feito o exame. Alguns se encolhiam. Havia os que riam. Outros respiravam fundo. Juca, Álvaro e Roberto não entenderam porque alguns respiraram fundo. Mas Juca comentou sobre a importância de se fazer o exame e como há possibilidades de cura se descoberto no início.

Roberto disse que o seu médico fora o doutor João Carlos. Álvaro disse que o seu fora o doutor Cláudio. Juca sorriu e disse que o seu também fora o doutor Cláudio.

Álvaro disse:

- O doutor Cláudio é um homem de uns 40 anos, moreno claro, 1,80 de altura, olhos verdes, voz de locutor de FM e muito atencioso.

Juca disse:

- Não, É outro. O doutor que fez meu exame é mais novo. No máximo 30 anos, loiro, olhos azuis, 1.90, parecia malhar muito. É solteiro e mora numa das praias da ilha.

Os demais homens se olharam com certo receio. Perceberam que o exame era fundamental para a vida e resolveram fazer também. Só havia uma dúvida; nunca haviam percebido como os amigos eram tão observadores.

Uns dois meses depois, os mesmos homens, no mesmo bar, falavam a respeito da importância do exame de toque; que não fazê-lo é tolice; ninguém é menos homem por se sujeitar ao teste. Estavam seguros e decididos a repetir no ano seguinte e incentivar todos os demais amigos e familiares a terem essa experiência.

Todos falavam da ausência da dor, do passageiro constrangimento, da importância da vida. Mas preferiram evitar dar detalhes sobre os médicos assim como os 3 primeiros amigos haviam feito. Pensavam que não deveriam expor tanto seus médicos. E vai que naquela roda de mais de 10 amigos o mesmo médico tivesse atendido mais de um deles. Era pessoal demais.

Concordaram que o mais importante é fazer o exame sem medo e sem preconceito. independente do médico!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dia de visitas

Dia de visitas

Visitar segundo o que sabemos e confirma o amigo dicionário é: ir ver alguém, por cortesia, dever, afeição e etc.

Há poucos meses recebi um vídeo onde um jovem falava de modo convincente sobre algo muito importante e uma grande verdade; o dia em que mais recebemos visitas, elogios e flores. Quando? No dia em que morremos, em nosso velório ou funeral.

Justamente naquele dia em que não poderemos dar um abraço, um aperto de mão, um beijo, sentir o cheiro das flores e muito menos agradecer.

A modernidade parece que nos aproximou. Pelo menos em algumas situações; questões profissionais e com amigos ou parentes distantes. Mas no sentido de - aproximação, afeição, carinho, encontros e reencontros, olhos nos olhos, o sentir e compartilhar sentimentos; será que as redes sociais cumprem bem esse papel?

Dia 02 de novembro é uma data marcada por muitas visitas, visitas àqueles a quem amamos e não estão mais entre nós. (Vale ressaltar que a coluna não está discutindo conceitos espirituais e religiosos; há diferentes opiniões e crenças que devem ser respeitadas)

Lembrar de visitas, amizades, apoio a ser dado e recebido me fez lembrar do vídeo ao qual mencionei no início da coluna - o dia que mais recebemos elogios e flores.

Por que resistimos a um impulso que lá no fundo nos diz que deveríamos pedir perdão?
Qual a razão de suportar um desejo ainda que tímido de expressar o quanto amamos a alguém?
O que nos impede de tocar e acariciar nosso cônjuge, pai, mãe, filhos, avós?

Um certo dia 02 de novembro é com certeza um dia simbólico, marcado por saudades e para muitos por remorsos.

Dias de visitas podem ser marcados por sorrisos vistos de perto, por abraços apertados, por beijos de verdade, pelo firme aperto de mão e olhos nos olhos, por saborear ainda que a mais simples comida e bebida; e toda comida e bebida com quem amamos torna-se um banquete.

Se um dia tivermos que visitar um amigo ou parente finado terá sido alguém que fora visitado em dias melhores. Dias onde houve trocas de experiências e todos os sentidos estavam em ação.

Dias em que os ouvidos, os braços, os olhos, a boca e o “coração” compartilharam o que há de melhor na dádiva da vida - a vida!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Espiral do silêncio e a comunicação

Espiral do silêncio e a comunicação

“Espiral do silêncio” é uma teoria da ciência política e comunicação em massa proposta pela cientista alemã, Elisabeth Noelle-Neumann em 1977.

Afinal de contas, o que isso significa? Elisabeth entendeu que a opinião individual é de fato omitida, “abafada”, quando esta entre em conflito com a opinião da maioria; geralmente divulgada com ênfase na mídia. Ou seja, muitos deixam de expressar o que realmente sentem sobre certos temas por medo. Segundo a cientista, medo de entrar em isolamento social, talvez até se tornem vítimas de zombarias.

Essa teoria, elaborada e publicada há 40 anos, ainda se percebe hoje, talvez mais do que nos anos 70.

Quando assistimos a um programa onde há muitos convidados e plateia, temas polêmicos são levantados, não é incomum a maioria aplaudir qualquer coisa que se diga, principalmente se for alguém famoso.

Aí entra em cena, aliás, não entra em cena, permanece no anonimato, no isolamento, aquelas pessoas que têm um pensamento diferente. Talvez até batam palmas; o que não quer dizer que concordem com o que foi falado, mas por medo de serem ou pensarem - diferente acabam batendo palmas para qualquer bobagem.

A pergunta poderia ser: Os temas levantados em novelas, programas de auditório e outros refletem o que a maioria pensa, ou o que a mídia quer que as pessoas pensem?

A mídia com seus programas de baixa qualidade entende que quase ninguém quer ser taxado como diferente, “quadrado”, ou “mente fechada”; então, quem erguerá a voz e dirá de forma respeitosa o que realmente pensa, sem medo?

Quantos jornalistas já foram demitidos por dizerem ou a verdade ou simplesmente o que pensavam sobre certos assuntos?

As táticas de comunicação são poderosas: Um levantar de sobrancelhas ao final de uma notícia, um leve suspiro ou um breve movimento dos ombros ou mãos podem indicar um pensamento.

Mas quem os faz? Por que os faz? Quem os interpreta?

Vivemos momentos que dão o que pensar. Será que o que está em pauta nas novelas, telejornais, programas de auditório refletem com precisão o que a maioria pensa?

Desde assuntos de ordem política, familiar, sexual e até religiosos têm fornecido uma pauta para os bate papos entre colegas e amigos; e com que efeito? Abrir discussões?

Há diversas opiniões acerca de um mesmo tema; quem está certo, quem tem que engolir?

Quando a população recebe o direito de participação são poucos segundos e bem monitorados. E infelizmente muitos que têm essa participação ainda estão pouco preparados para expor com clareza suas ideias em tão pouco tempo.

Espiral do silêncio. Ele começa lá de cima e vem descendo até chegar na maior camada da sociedade. Então o medo, o receio de parecer - o antiquado, o careta; e volta lá para cima, para quem domina sobre as grandes massas.

Amanhã com certeza a maioria de nós terá algo para falar com os amigos. Alguém dará a pauta que mais lhes interessa.

Menos alguns do tipo, “duros de espírito”. Esses, mesmos que demitidos ou um tanto isolados defendem o que acreditam e procuram a verdade. Esses escrevem as suas próprias pautas e deixam espaço para que outros digam o que pensam e por quais motivos.

Esses estão fora da “espiral do silêncio”. São poucos, mas suas “vozes” ainda podem ser ouvidas por quem sabe as interpretar.



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Da barbearia à comunicação




Tive uma boa infância e alcancei àquelas brincadeiras que deixaram saudades.

Mas uma das coisas na qual pensava na minha infância e adolescência era: qual será a minha profissão?

Passei por vários trabalhos desde os 6 anos quando comecei a vender deliciosas bananas recheadas feitas pela minha mãe, dona Olga.

No entanto, foi somente no dia 10 de outubro de 1996 que comecei a trabalhar na profissão que me levaria, e eu jamais imaginara, a outros lugares, ou a antigos sonhos.

Meu casamento com a profissão de barbeiro pode ser comparado a um daqueles casamentos por conveniência lá do passado; ou será que ainda acontecem?

Digo por conveniência porque sabia que queria me casar, ter filhos e ter uma profissão.

A ideia veio quase que por acaso. Fui em frente, fiz 2 cursos e lá se vão 21 anos. Creio que uns 55 mil atendimentos. Muitas amizades. Muitas saudades de clientes amigos que já faleceram. Me lembro de uns 50 talvez 60. Desses lembro desde seu corte de cabelo até para que time torciam ou que tipo de assuntos gostavam de conversar.

O tempo passou e algo me incomodava, alguma coisa faltava, mas o quê?

Resolvi escrever. Troquei ideias com a escritora e hoje especialista em gestão e segurança no trânsito, Irene Rios, o jornalista Luiz Carlos Prates e meti a cara.

O primeiro livro me trouxe uma grande lição: eu não sabia que não sabia escrever; pensei que fosse simples como falar. Daí o segundo e o terceiro, e ainda havia muito a aprender.

Em junho de 2009 por indicação do amigo jornalista, Fábio Machado, fui entrevistado pelo editor chefe dos jornais Em Foco, Ozias Alves Junior, que me convidou para ser colunista em seus jornais.

Em meio a estudos por conta própria o lançamento de mais livros, montagem do meu blog e um convite muito especial do nosso grande mestre do jornalismo e publicidade, Antunes Severo. Ele me convidou para ser colunista do Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia.

Mas por esses dias eu estreava o programa de rádio - Na cadeira do barbeiro, na rádio comunitária Luar FM. Tive a alegria de criar, produzir e apresentar esse programa por quase 3 anos; espero voltar.

Antunes Severo, animado com teor do programa, entrevistas como nossos comunicadores, mais de 40 viriam a participar, passou também a reprisá-lo no Caros Ouvintes.

Em 2013 Severo perguntou se eu já havia feito meu registro de jornalista. Por uma decisão que causou polêmica, mas já não era sem tempo, em junho de 2009 o Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 1 entendeu que exigir o diploma de jornalista fere a Constituição Federal. Assim como nos Estados Unidos, em mais de 20 países da europa e outros países, embora haja boas faculdades de jornalismo, não há na maioria deles a obrigação de faculdade para exercer a profissão. Há os que concordam e os que discordam da decisão do STF. Deixo minha opinião pessoal e profissional para outra coluna.

Ainda em 2013, depois do incentivo de Antunes Severo, com as colunas nos jornais Em Foco, no Caros Ouvintes, meu blog, a produção e apresentação do programa de rádio, recebi meu registro de jornalista, conhecido como - MTB.

Hoje, além da barbearia e das colunas semanais também estou cursando licenciatura em Letras Língua Portuguesa pela faculdade Estácio de Sá. Não desisti de aprender a escrever e como recompensa muitos outros conhecimentos acompanham essa bela faculdade.

E foi assim, entre um cliente e outro; entre muitos relatos e histórias; de ouvir e de perguntar que acabei chegando à comunicação. Diga-se de passagem que a rádio na qual apresentei meu programa ficava na rua em que nasci e morei por 35 anos. A mesma rua de onde por inúmeras vezes saia em busca de um telefone público, o antigo, orelhão, para gastar fichas telefônicas e ligar para as rádios. Não era tanto pelos prêmios, mas pelo desejo de conhecê-las por dentro.

Por isso amigos leitores, sempre tente ver além. Além daquilo que está diante os nossos olhos. A profissão é em muitos casos um casamento, mas seja ele por amor ou por conveniência ele pode trazer grandes surpresas.

Tive vários momentos especiais nesses 21 anos de barbearia e 8 de comunicação; o que não teria ocorrido não tivesse arriscado. Talvez até hoje não teria descoberto que mal sabia escrever.

E no teu caso, como anda o seu casamento com a profissão? A quantas anda esse caso de amor? Pense, planeje, troque ideias com pessoas interessantes e viva feliz, seja no atual ou no novo casamento profissional!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Quanto vale o tempo?

Quanto vale o tempo?

Com certeza a resposta tem haver com cada pessoa, seus valores, interesses, ambições, desejos, necessidades e crenças.

Se até num carro, numa casa ou apartamento colocamos um preço, parece comum a nós dar valor a coisas as quais consideramos importantes.

E o meu tempo, e o seu tempo, quanto vale? Como medir ou calcular?

A única tabela de valores parece estar em nossa mente, nosso “coração”.

Tempo todos nós temos; e há nisso certa democracia. São os mesmos 365 dias por ano, os 12 meses, ou 24 horas por dia. Há então pelo menos dois pontos:

Primeiro: Como o encaramos ou entendemos. Segundo: Como o usamos ou aproveitamos.

Quantas vezes ouvimos pessoas que passaram por uma grave doença ou acidente que quase lhes tirou a vida, dizerem: “Hoje, dou mais valor ao meu marido ou esposa, aos filhos, meus pais, aos amigos, ao cantar dos pássaros, ao fato de acordar e respirar”.

Há uma música que em parte diz: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer… devia arriscado mais, trabalhado menos…” Titãs: Epitáfio (Do grego: sobre o túmulo)

Poupar dinheiro parece ser uma decisão inteligente e coerente. Mas, e o tampo, por que poupá-lo?

Algo do tipo: Deixar para ser feliz amanhã. Trabalhar muito, fazer um “pé de meia” para curtir bem uma velhice que sejamos sinceros; não sabemos se chegará para nós.

Se até o dinheiro guardado pode não ser aproveitado que dizer do tempo?

Poucos dias antes de escrever essa coluna fui ao funeral de um amigo. Seu filho, também meu amigo, por vários minutos ficava acariciando os cabelos do pai, uma ou duas horas antes da cerimônia de cremação. Sei que na verdade, ele queria ter feito aquele afago, aquele cafuné no pai enquanto ele pudesse senti-lo. Mas por que relutamos em demonstrar o carinho, o amor, o perdão, até que o pior aconteça?

É ser dramático demais dizer que essa pode ser minha última coluna? Alguns dirão: “Ui, vire essa boca pra lá, estás louco?” Não. Apenas consciente que não temos certezas sobre minutos, horas e dias a frente; temos planos, talvez muitos planos, mas certezas fogem às nossas escolhas.

Creio que não há quem não concorde que o tempo parece estar passando rápido demais.

É impressão? Pode ser. Mas dá impressão que não é mera impressão. O excesso de informações, de atividades e preocupações fazem as horas, dias, meses e anos passarem “voando” diante os nossos olhos.

Já li há anos a história do menino que tinha um pai muito trabalhador, muito ocupado. Um dia o menino perguntou o quanto o pai ganhava. O pai respondeu. O menino fez um cálculo, poupou e surpreendeu o pai. Se aproximou dele e disse que queria muito falar com ele. Quando o pai disse que estava muito ocupado e com pressa para sair; o filho tirou o dinheiro do bolso e disse que pagaria por uma hora de atenção do pai. E pior que a história parece ser real. E não deve surpreender por ser real.

Pais sobrecarregados. Filhos com tantas atividades que nem têm tempo de serem crianças.

Pais dedicados e preocupados com o futuro dos filhos e com medo que sejam vítimas das drogas lhes enchem de atividades, mas raramente se incluem nelas.

Há pouco tempo pensei: “Por que Deus fez o dia com apenas 24 horas?”

Só depois percebi o engano no meu pensamento. O dia de 24 horas, o ano de 12 meses ou de 365 dias está perfeito. Eu é que estava tão atarefado como quem está em uma loja, adquiri vários produtos legais, normais, mas as mãos estão ocupadas demais para abrir a porta e sair. Então notei que uma das mãos tinha que estar livre, pelo menos uma, para abrir a porta ver que há muito mais de belo e sem preço a apreciar.

Olhar um pôr-do-sol, um céu estrelado, o mar, o sorriso dos filhos, a voz dos pais, o carinho do cônjuge, o abraço dos amigos, a paz de Deus, a boa música, o canto dos pássaros, as brincadeiras do cachorro, o sabor de uma boa comida, o descer de uma boa bebida; o se permitir amar e ser amado, o perdoar e se perdoar; ah se somar tudo isso, quanto custaria?

Custaria tempo para usufruir e fazer acontecer. Só custaria isso - Tempo. E quanto ele vale?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Há democracia?

Há milhões de pessoas que dirão que vivemos num país democrático; assim como também existem milhões de pessoas que falam de países que são comunistas. Talvez, aqueles que creem que há países comunistas até os citem por nome, mas se estudarem e entenderem o que significa dizer que um país é - comunista - vão repensar.

Historicamente falando a - democracia - foi criada em Atenas, Grécia.

Demos: povo. Kratos: poder. Deveria ser igual a: “poder do povo ou governo do povo”.

O velho e bom companheiro - Dicionário - nos faz lembrar que democracia é: “Governo do povo. Sistema político baseado na participação do povo, etc”.

Lá na Grécia antiga, em Atenas, berço da democracia, havia o costume de se estabelecer um certo padrão. Apenas homens podiam participar dos temas levantados, e não bastava ser homem, tinha que ter provas do seu poder financeiro. Se tivesse pouco, ou fosse muito pobre, ficava de fora. E claro que as mulheres, estrangeiros e escravos também eram excluídos.

Ainda assim é fato que na Grécia antiga se deu o “ponta-pé” inicial, que viria a se desenvolver em muitos lugares e trazendo benefícios. Já em outros países ficaria só no nome, assim como o comunismo, sistema que de acordo com o padrão e essência da palavra nunca houve e não há em nenhum país no mundo. O que há são adaptações; se leva o nome de comunismo, mas bem longe dos ideais daqueles que um dia o sonharam.

É fato que em muitos campos, seja na religião, em escolhas pessoais, ou certa medida de liberdade de expressão a democracia se demonstre, em outros ela dá o que pensar.

Em termos de democracia podemos pensar numa breve e simples história que me veio à mente. Imagine um casal saindo em busca de saborear uma deliciosa pizza. O casal toma conhecimento de que existem em sua região mais de 200 pizzarias. Imaginam quantas boas possibilidades têm a sua escolha. Mas no caminho são barrados por alguém que ao saber de sua busca lhes diz:

- Na realidade temos aqui uma lista com o nome de 6 pizzarias. Fiquem a vontade para escolher qualquer uma delas - O casal, pasmo com a notícia, argumenta:

- Mas sabemos que existem mais de 200, talvez mais de 300 pizzarias, porquê não podemos escolher?

- É que essas foram pré selecionadas e sua escolha se baseia nessa restrita lista.

- Restrita? Além de tu dizeres que é restrita onde fica nosso direito de escolha, nosso direito democrático? Veja bem, meu amigo. Dessas 6 possibilidades há duas completamente desconhecidas, vejo outras 2 que sei serem bastante questionáveis e as outras 2, não confio nem um pouco, aliás, sei que não valem a pena.

O marido olha para a esposa e pergunta:

- E agora, escolhemos a menos pior, ou vamos embora?

Na escolha de uma pizzaria, churrascaria, salão de barbeiro ou cabeleireiro, médico ou dentista parece haver muitas opções, e liberdade de eleger a melhor; não simplesmente a - menos pior.
Se elegemos uma pizzaria e chegando lá encontramos uma barbearia; ou escolhemos um bom médico e nos levam a um no qual não confiamos com certeza não sentiríamos respeito a nossa liberdade.

Obrigações em fazer assim… Obrigação em optar entre fracas opções… Escolher uma e cair em outra.

Se fosse em Atenas, na Grécia antiga, ficaria claro que apenas alguns decidem. Hoje mudou muito. Ou teria mudado pouco? Quem de fato decide? Se diante centenas de opções nos é apresentado apenas meia dúzia e de baixa qualidade, fica a pergunta:

A culpa é de quem? Há democracia? Talvez, mas com várias restrições!


sábado, 9 de setembro de 2017

Quando a morte ronda a mente



No Brasil são 32 pessoas por dia, é o 8º país no mundo. No mundo, a cada 40 segundos, uma pessoa é atingida por esse mal. O problema se intensifica a partir do momento em que as vítimas deixam outras vítimas; familiares e amigos. Esses se perguntam: “Por quê?”. “Como eu não percebi?”. “O que eu poderia ter feito para ajudar; eu poderia ter impedido?”.

Esses índices e pensamentos são dados alarmantes e não podem passar despercebidos, não podem ser “varridos para debaixo do tapete das ilusões e da indiferença”. Afinal de contas, se a morte em si já deixa dor, sofrimento e saudades, imagine lidar com a perda de alguém amado que tirou a própria vida.

Quem tira a própria vida? Quem se torna seu próprio assassino? Que tipo de problemas essas pessoas enfrentaram? Elas dão sinais de que as coisa não vão bem e podem se matar?

Segundo a psicóloga, Ana Cláudia de Souza: “As pessoas propensas ao suicídio, são aquelas que estão passando por dificuldades na sua vida de relações”. Ela acrescenta: “Não existe alguém com tendência biológica ao suicídio...o suicídio é uma saída inventada num momento de desespero”.

Ana Cláudia ainda explica: “As pessoas para entrarem numa situação de desespero estão experimentando uma situação de solidão; não tendo com quem contar… estão isoladas de certa forma… os sinais sempre existem, mas geralmente quem está ao redor não consegue perceber”.

Estão entre os que cometem suicídio; idosos, jovens entre 15 e 29 anos, além é claro de adultos e crianças.

Os sinais, para quem é da família ou amigo, parecem ficar claros após a tragédia.

Quando uma pessoa se decide pelo suicídio ela entra no que muitos terapeutas chamam de - falsa calmaria. Ou seja, aquela pessoa que parecia estar muito mal, de repente, demonstra uma súbita melhora. (Faz lembrar uma expressão popular da chamada - melhoradinha da morte, onde alguém muito doente parece apresentar uma rápida melhora em sua saúde e ânimo)

Por vezes o suicida dá sinais por resolver algumas coisas pendentes, organizar documentos e até distribuir presentes.

O psiquiatra, Guido Palomba, diz: “A questão do suicídio sempre está ligada a uma mente perturbada, que precisa de tratamento; sem transtornos mentais não há suicídio”

Os especialistas nos lembram de algo bastante lógico: “O instinto primário humano é o da preservação da vida e não tirá-la”.
E a imprensa? Um considerável número de psicólogos e jornalistas concordam que a imprensa não deve anunciar casos de suicídio, mas são a favor de boas campanhas de prevenção.

O psicólogo Manoel Marinho, também a favor de boas campanhas de prevenção, lembra da cautela que se deve ter ao mencionar o suicídio. Marinho alerta para o cuidado com expressões que podem ser - mal interpretadas por alguém propenso ao suicídio, por isso jornalistas, psicólogos e psiquiatras precisam trabalhar juntos a fim de evitar equívocos sobre o que dizer e escrever.

A religião. Por mais que cumpra um importante papel na sociedade certos conceitos e afirmações religiosas servem também como uma pancada nas famílias, um peso a mais.

Por exemplo, se religiosos vão até presídios realizarem suas evangelizações e dizem a um detento que já matou uma ou mais pessoas, estuprou, sequestrou e fez outras barbaridades, que ele, o criminoso, se arrepender dos seus crimes o Senhor a de perdoá-los; fica a questão: Se até criminosos têm direito ao perdão de Deus, por que alguém que num estado de perturbação mental chegou ao ponto de tirar a vida não teria direito ao perdão do Supremo Juiz do universo, amoroso e conhecedor dos “corações” humanos?

Ora, e quem se mata por ter ganhado na loteria, porque os filhos se formaram na faculdade, por ter se curado de uma grave doença ou por conseguir se aposentar? Nós nos matamos para nos aposentar?

Quem chega ao ponto de cometer suicídio está completamente doente, fugiu-lhe a razão, as esperanças; não quer dizer que não seja alguém que não tenha fé em Deus. Pessoas com fé também adoecem; câncer, diabetes e outras doenças. Só precisamos abrir a mente para entender que depressão e outros transtornos mentais são problemas que fogem ao controle dos que a têm.

A ajuda espiritual com certeza é importante, traz paz mental e equiíibrio. No entanto, na maioria dos casos se faz necessário ajuda profissional; psiquiatras e psicólogos, boa terapia e apoio da família.

Aí entra nosso “olhar” humano, amigo, sensível. Fazer de conta que não é nada de mais e dar exemplos horríveis do tipo: “Vou te levar para ver crianças com câncer ou outras doenças, aí tu me dizes se tens algum problema”. Que oportunidade de ficar com a boca fechada foi perdida. Frases do tipo só aumentam a dor de quem sofre a depressão.

Também se culpar por não ter percebido os sinais de um parente que se matou não é o caminho. A maioria de nós não o notaria. O que não podemos é fechar os olhos para essa triste realidade.

Pare e pense, a média é de que uma pessoa a cada 40 segundos comete suicídio em todo o mundo; 32 por dia só aqui no Brasil. Quantos se mataram durante os poucos minutos que leu essa coluna?

Há um ditado: “O pior cego é aquele que não quer ver”.

Esse “criminoso”, denominado, suicídio, pode atingir qualquer pessoa que tenha conflitos e perturbações mentais e não se tratar. É ir na contra-mão do extinto natural de sobrevivência.

Há pessoas lutando com tratamentos dolorosos para manter a vida. Outros aguardam a doação de um órgão. Alguém no mar que tivesse uma ou as duas pernas arrancadas por um tubarão ainda assim se esforçaria para sair de água e continuar vivo.

Por quê? Porque não há nada melhor do que respirar, ver, sentir aromas e sabores, receber beijos e abraços de pessoas amadas, cuidar da espiritualidade, produzir, viver.

Então, se estiver num momento especialmente difícil ou conhece alguém nessa situação saiba que há várias saídas. Procure por psicólogos e psiquiatras. Nada está perdido.

Jamais deixe esse vilão que parece a mais fácil alternativa levar vantagem…

Viva e viva!

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Barbearia - Cabelo, dente e testículos



No dia 06 de setembro é comemorado o dia do barbeiro e a pergunta é: O que o amigo leitor já disse, ouviu, trouxe ou deixou com o seu barbeiro? (Abre-se aqui o mesmo convite às leitoras em relação ao seu cabeleireiro (a), ou manicure)

Aparentemente deixamos somente os cabelos e barbas cortados, mas na verdade deixamos e trazemos muito mais.

Quantas coisas do dia a dia, problemas, dúvidas, perturbações, alegrias e realizações já compartilhamos nas barbearias, caso tenhamos frequentado muitas, algumas, ou mesmo uma única?

Nas barbearias expressamos nossas opiniões e com educação ouvimos a dos outros; que espaço democrático!

Para os que pensavam que as barbearias estavam em extinção se surpreenderam.

As barbearias e barbeiros estão em constantes avanços, e que avanços. Se antes os barbeiros ofereciam cabelo, barba e bigode com o tempo passaram a prestigiar seus clientes com uma TV colorida, depois com TV a cabo. As coisas foram evoluindo e até ar-condicionado já havia em muitas barbearias. Mas não parou por aí; chegou a internet, agora computadores também estavam a disposição dos fregueses e dos barbeiros para seus mais diversos usos. E como o progresso não para muitos salões instalaram videogames para seus clientes. Chegamos a um momento em que as velhas e boas revistas, ainda que bem vindas aos salões, cederam lugar ao WI-FI. Pronto, agora cada um acessa aquilo que quiser e nem vê o tempo passar. A menos é claro, aqueles que preferem marcar hora para cortar seus cabelos, o que em muitos salões de barbeiros se tornou comum.

No entanto, seja pela crise econômica ou para se ter uma nova e ascendente profissão muitos estão fazendo cursos e abrindo sua barbearia, mesmo que já tenham sua fonte de renda. Se há poucos anos a maior “briga” na concorrência era o preço, hoje não é mais.

Hoje, há barbearias que transformaram a antiga e simples sala/salão de barbeiro em espaços de um novo “universo masculino”. Cervejas, mesas de sinuca entre outros atrativos fazem o homem moderno sentir-se em três lugares ao mesmo tempo: Em casa, no clube e na barbearia.

Mas uma breve visão ou passeio ao passado nos mostra incríveis histórias desses profissionais.

Conta-nos a história que já houve há vários séculos os - Barbeiros-cirurgiões.

Além de cabelo, barba e bigode outros serviços eram prestados pelos barbeiros; entre eles, a extração de dentes, além de sangria, tratar de ferimentos de soldados em guerra, entre outros serviços médicos. Agora, para aqueles que resistem a ir cortar os cabelos, seja adulto ou criança que tenha certa preguiça de cortar os cabelos, pasmem com o que os barbeiros também já cortaram.

No império Bizantino, Constantinopla, havia os - castrati. Homens castrados que tinham voz aguda que cantavam e encantavam seus senhores no coral de palácios e igrejas.

Mas foi na Itália, a partir do século XVI, que os castrati ganharam destaque. O Papa Sisto V baniu as mulheres de cantar em público. A igreja abria assim um caminho sem volta e sem escolhas. As amputações só eram permitidas pela igreja se fosse questão de vida ou morte.

Já se sabia que meninos castrados, preferencialmente antes da puberdade, cresciam e ficavam com vozes agudas; muito importantes nos corais. E como a igreja não permitia meninas no coral, a função ficava para os meninos. Geralmente órfãos, abandonados, ou de famílias muito pobres que entregavam pelo menos um filho para o conservatório da igreja em Nápoles.

Em alguns lugares se lia: “Qui si castrano rapazz”. (Aqui se castram rapazes)

E quem castrava? Entre eles os - barbeiros. Consegue imaginar aquele menino que não quer ir cortar o cabelo nem a “pau”, porque não tem paciência, ou aqueles adultos que não têm tempo ou não querem gastar? Isso para cortar os cabelos; imagine os testículos.

Eunucos a força para o bem do coral de igreja. Belas vozes às custas de partes que os meninos não tinham a opção de dizer: “Não senhor, é só o cabelo mesmo!”

Faz tempo que isso mudou, que bom. Hoje, vamos à barbearia para - cabelo, barba e bigode e os confortos dos modernos salões ou mesmo os mais tradicionais.

Uma coisa é certa, o convívio barbeiro/cliente e cliente/barbeiro vai muito além de cortar cabelos e barbas. Claro que há salões em lugares de grande circulação onde não há tempo para muita conversa e convívio, mas mesmo nesses locais há grandes histórias.

Portanto, quando for ao seu barbeiro, se for possível, deixe sempre alguns minutos para essa troca de experiências e boas discussões, afinal de contas, lá na barbearia tudo pode ser discutido desde que haja respeito de ambas as partes. E não é isso o que precisamos, trocar e ouvir novas ideias?

Digo de “cadeira”, na cadeira de barbeiro na qual escrevi essa crônica que nesses 21 anos de profissão que os salões e os barbeiros atravessam gerações e evoluem. Não cheguei a ser um - barbeiro-cirurgião, mas graças às inúmeras possibilidades e observação me tornei escritor, radialista, jornalista e continuo estudando e pensando: O que mais teremos pela frente além do - cabelo, barba e bigode? O que mais veremos nas modernidades de estilos de cortes e salões?

Uma coisa a de permanecer: Só há barbeiro com cliente, e só existem histórias se mantivermos vivo esse vínculo.

Quando for ao seu barbeiro deixe que a cadeira vire seu divã, seu barbeiro um amigo e tu serás sempre um bom companheiro. De um jeito ou de outro nossas vidas e histórias passam pela - Cadeira de barbeiro.

De preferência com o tema reformulado: Barbearia - Cabelo, barba e bigode!

domingo, 27 de agosto de 2017

quarta-feira, 23 de agosto de 2017



Há pessoas que dizem que não têm fé, outros que a perderam. Mas de um jeito ou de outro, admitindo ou não, praticamente todos temos nossa medida de - fé.

O velho companheiro - Dicionário Prático de Língua Portuguesa - diz que fé é:

“Crenças, crenças nas doutrinas de alguma religião. Fidelidade a compromissos e promessas; confiança”. Nota-se que o termo fé é bastante abrangente e um tanto confuso para muitos.

O agricultor tem fé que as sementes lançadas darão os “frutos” esperados.

Astrônomos e cientistas têm fé de que não haverá alterações no universo sem motivos esperados em seus profundos estudos. Podem calcular que um foguete ou qualquer outro aparelho viajará por centenas de milhares ou até de milhões de quilômetros e mesmo com o passar do tempo e de certos movimentos seus objetivos darão certo, e dão mesmo.

Em tempos de dificuldades esportivas, como o futebol catarinense, por exemplo, a fé parece ser necessária. Avaí rumo a série B. Figueirense rumo a série C; haja fé.

A situação econômica exige ainda mais fé. Aqueles que deveriam estar trabalhando para melhorias do Brasil; no campo econômico, da saúde, da educação, da segurança, da cultura; enfim, de tudo o que a população precisa, estão trabalhando para não ir para a cadeia, para provar sua inocência. Eles têm uma forte fé ou que outra qualidade?

Nessa situação a população precisa de mais fé. Quem neste exato momento está “lutando” pela sociedade?

Confesso que sempre vi com espanto a fé demonstrada no esporte. O jogador que faz um gol levanta a camiseta e mostra o nome de Jesus. Então me pergunto, se o goleiro que sofreu o gol estivesse usando uma camiseta similar também deveria levantar a camiseta como protesto? Teria ele menos fé do que o outro jogador? Ou o Senhor tem um time preferido? O Senhor torce pelo Figueira ou pelo Avaí, pelo Brasil ou pela Argentina?

E sem contar aqueles que fazem uso de imagens religiosas, nome do senhor ou uma breve reza ou oração antes de esmurrar a cara do adversário. Talvez por isso sempre haja muito sangue e dor. E partidas de futebol terminem por vezes - empatadas.

Há outra expressão explicativa para fé: “A fé é a firme confiança de que virá o que se espera,a demonstração clara de realidades não vistas”. Bíblia. Hebreus 11:1

A fé parece ser abrangente; quando se refere à confiança, a fidelidade a compromissos; muitos parecem ter.

Já em termos de espiritualidade é algo ainda mais profundo. Fazer julgamento de juízo de valores é algo que não nos cabe. Até porque a fé pode ser demonstrada ou fingida.
Pode ser positiva ou questionável. Quando um corrupto é apanhado, mesmo diante de provas, gravações e filmagens, ele diante jornalistas e para todo o país, diz: “Eu sou inocente!”. Talvez até ele acredite nisso.

Então, quando um amigo ou amiga der aquele carinhoso tapinha nas nossas costas e sorrindo dizer: “Tenha fé, as coisas vão melhorar”.

E quem duvida que o futuro trará tristes desafios? E quem duvida que as coisas vão melhorar?

Em ambos os pensamentos há uma medida de -fé!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Confira crônicas e entrevistas com nossos comunicadores no Portal Instituto Caros Ouvintes Para Pesquisa e Estudo de Mídia. Mário Motta, Laine Valgas, Hélio Costa, Claudionir Miranda, Salles Junior, Paulo Branchi, Raphael Faraco, Leandro Puchalski, Grasiele Aguiar, Marcelo Mancha, Marcelo Mancha, Nabor Prazeres e muitos outros. O melhor encontro é aqui - Na cadeira do barbeiro!
http://www2.carosouvintes.org.br/author/deivison/